
Piscina do Lincoln Memorial é esvaziada e fotos não mostram rasgo alegado por Trump
Contrato indica que cerca pode permanecer até 2027, enquanto custos da reforma ultrapassam US$ 15 milhões e presidente insiste em vandalismo sem provas.
A piscina refletora do Lincoln Memorial, em Washington, foi novamente esvaziada esta semana, mas as imagens do fundo vazio não revelam o rasgo de 300 metros que o presidente Donald Trump atribuiu a “vândalos”. A alegação, repetida em publicações na rede Truth Social, sofreu variações: o comprimento do dano já foi descrito como 250, 300 e 350 pés, e mais recentemente como 300 jardas. Equipas de televisão e fotógrafos que percorreram o perímetro, ainda que limitados por uma cerca metálica, relataram não ter encontrado cortes profundos no revestimento recém-instalado. Um trabalhador no local afirmou a um visitante que também não observara qualquer rasgo.
A Casa Branca não apresentou provas do vandalismo, mas pelo menos sete pessoas foram detidas ou acusadas, entre elas o ex-canoísta olímpico David Hearn, que se declarou inocente. Hearn admitiu ter tocado num pedaço solto do forro por curiosidade, negando ter causado danos. Documentos de contratação federal analisados pelo The Independent mostram que a empresa National Construction Rentals, Inc. recebeu 37.263 dólares para instalar uma vedação temporária cujo contrato vigora até 8 de janeiro de 2027. A mesma firma já erguera barreiras em Mar-a-Lago, clube privado do presidente, em 2019.
A reforma, anunciada em abril com orçamento de 1,8 milhões de dólares e conclusão prevista para o feriado de 4 de julho, viu os custos dispararem para mais de 15 milhões. O revestimento azul “American Flag Blue”, aplicado por um empreiteiro que Trump descreveu como “o meu homem das piscinas”, começou a descascar em grandes placas, enquanto uma proliferação de algas tornou a água verde. Na perspetiva de analistas em Washington, a intervenção desrespeitou o cinzento-escuro original, essencial à ligação visual entre o Monumento a Washington e o Lincoln Memorial. A organização Cultural Landscape Foundation moveu uma ação judicial para travar a obra, classificando o tom azul como “mais adequado a um resort ou parque temático”.
O presidente sustentou que o forro é “muito forte” e que “nem com uma faca se consegue cortar”, ao mesmo tempo que acusou opositores de terem lançado fertilizante na água para gerar algas. A piscina, com mais de um século, tem um historial documentado de fugas e fissuras, e a sua pouca profundidade favorece o aquecimento rápido e a proliferação de algas, segundo especialistas em ecologia. Enquanto a vedação permanece, o acesso público continua restrito e o processo judicial contra os acusados de vandalismo segue em curso, sem data para a retirada da estrutura.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.70 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa do Golfo árabe | −0.20 | neutral |
Trump é desmascarado: suas alegações de vandalismo são infundadas e o projeto é um desastre.
Ao justapor as declarações de Trump com evidências visuais e documentos contratuais, cria-se uma contradição intransponível.
Qualquer defesa oficial do projeto ou explicação alternativa para os danos é omitida.
O projeto de reforma de Trump é controverso; as acusações de vandalismo e a falta de evidências são relatadas sem tomar partido.
Ao apresentar os fatos sem comentários, o leitor é deixado a tirar suas próprias conclusões, mas a inclusão da refutação da CNN orienta implicitamente a narrativa.
A extensão da cerca até 2027 e os detalhes do contrato não são mencionados, o que teria aprofundado a crítica.
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