
EUA lançam campanha para desmantelar Tribunal Penal Internacional
Administração Trump anuncia pressão diplomática, sanções e restrições de vistos contra a corte de Haia, que considera uma ameaça à soberania americana.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, anunciou a 13 de julho uma campanha coordenada para enfraquecer o Tribunal Penal Internacional (TPI). A ofensiva inclui pressão sobre aliados para que retirem o seu apoio à corte, a imposição de sanções económicas e restrições de vistos a funcionários do tribunal e uma revisão das relações com países que, dependendo da assistência americana, se recusem a rejeitar a jurisdição do TPI. Segundo o Departamento de Estado, o objetivo é “neutralizar sistematicamente a capacidade do TPI de operar” e de “atingir militares ou funcionários americanos”.
A iniciativa foi recebida com críticas na Europa e nas Nações Unidas. A Comissão Europeia reiterou o seu “firme apoio” ao tribunal e considerou “inaceitáveis” os ataques à instituição. O Ministério dos Negócios Estrangeiros dos Países Baixos, país anfitrião da corte, também manifestou respaldo. As Nações Unidas sublinharam que o TPI continua a ser “um elemento fundamental do sistema judiciário internacional”. Em contraste, organizações de defesa dos direitos humanos sediadas nos EUA processaram a administração Trump, argumentando que as sanções violam a liberdade de expressão protegida pela Primeira Emenda, ao intimidar quem pretenda cooperar com o tribunal.
Na perspetiva de académicos latino-americanos, a campanha insere-se numa ofensiva mais ampla contra as instituições multilaterais criadas após a Segunda Guerra Mundial. Jacobo Dayán, diretor do Centro Cultural Universitário Tlatelolco da UNAM, recordou que o TPI, com 125 Estados-membros, foi impulsionado originalmente pelos próprios EUA, embora Washington nunca tenha ratificado o Estatuto de Roma. Especialistas europeus em direito internacional, como Mark Klamberg, professor da Universidade de Estocolmo, alertam que sanções abrangentes contra o tribunal como um todo poderiam paralisar a sua operação, ao bloquear o acesso a sistemas de pagamento e serviços digitais essenciais.
A hostilidade de Washington ao TPI intensificou-se após a emissão de mandados de captura contra o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e contra o presidente russo, Vladimir Putin. A administração Trump já impusera sanções a procuradores e juízes do tribunal em 2025, e o atual anúncio amplia essa estratégia. A pressão diplomática agora exercida sobre aliados ocorre num momento em que o tribunal enfrenta dificuldades para executar as suas ordens de detenção. O Departamento de Estado indicou que as medidas anunciadas são “apenas o começo” e que os EUA utilizarão “todas as ferramentas disponíveis” para desmantelar a corte, enquanto se aguardam eventuais novas sanções e o desfecho dos processos judiciais interpostos por juízes do TPI contra o governo americano.
| Imprensa latino-americana | −0.60 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa israelense | −0.50 | critical |
| Imprensa europeia continental | −0.60 | critical |
A América Latina denuncia a ofensiva de Washington como uma tentativa de destruir a justiça internacional, colocando em risco a credibilidade do Tribunal.
O bloco constrói sua posição apresentando o TPI como vítima inocente de um ataque unilateral, enfatizando as consequências globais e a urgência de defender o direito internacional.
Eles omitem as críticas ao TPI de outros países e as razões de segurança nacional apresentadas pelos EUA.
Israel se defende das sanções dos EUA apoiando ações legais contra a administração Trump para proteger as investigações do TPI.
O bloco utiliza a via judicial para combater as sanções, apresentando a ação como uma defesa da legalidade internacional.
Eles não relatam os argumentos de soberania da administração Trump.
A Europa condena a campanha de Rubio como uma ameaça à soberania dos estados e à ordem jurídica internacional.
O bloco enfatiza o alcance sistemático da campanha dos EUA, listando as medidas concretas e apresentando-as como um ataque coordenado.
Eles não mencionam as posições de alguns países europeus que expressaram reservas sobre o TPI.
Amplie o olhar
Mercados emergentes atraem capital, mas esbarram em fragilidades digitais e de crédito
5 idiomas · 8 veículos
De TechnologyChina lança organização multilateral de IA e aposta no código aberto para desafiar hegemonia dos EUA
7 idiomas · 14 veículos
De Science & HealthDecisão judicial colombiana redefine acesso a cirurgias plásticas reconstrutivas
3 idiomas · 6 veículos