
Petróleo recua para níveis anteriores à guerra com avanço das conversações sobre Ormuz
O anúncio de progressos nas negociações indiretas entre Washington e Teerão, mediadas pelo Qatar, derrubou as cotações para valores próximos dos registados antes do conflito, mas analistas divergem sobre a sustentabilidade da trégua.
Os preços do petróleo caíram pela terceira sessão consecutiva na quinta-feira, aproximando-se dos níveis anteriores ao início da guerra no final de fevereiro, depois de o Qatar ter comunicado “progressos positivos” nas conversações indiretas entre os Estados Unidos e o Irão sobre o Estreito de Ormuz. O Brent do Mar do Norte recuou para a faixa dos 70 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) deslizou para perto dos 68 dólares, num movimento que reflete a expectativa de normalização do tráfego na via marítima por onde transitava um quinto do abastecimento mundial de crude antes das hostilidades.
A retoma dos carregamentos é já visível: a Arábia Saudita recuperou cerca de 90% dos volumes de exportação anteriores à guerra, o Kuwait elevou a produção de 580 mil para 1,65 milhões de barris diários em junho e os Emirados Árabes Unidos registaram o ritmo de exportação mais alto desde 2017. A consultora Facts Global Intelligence estima que o fluxo total através de Ormuz tenha atingido 10 milhões de barris por dia, mas classifica a situação como “temporária” e projeta um acréscimo de oferta de 3 milhões de barris diários ainda em junho de 2026 e de 5 milhões no terceiro trimestre. Na perspetiva de analistas do Golfo, o mercado está a operar com preços “muito abaixo do que seria justificado”, sustentado pela convicção de que a atual calma geopolítica é frágil e de que a procura precisará de tempo para absorver o excedente.
As grandes instituições financeiras ocidentais, porém, reviram em baixa as suas projeções. O banco suíço UBS reduziu em 25 dólares a estimativa para o Brent no terceiro trimestre, para 80 dólares, e aponta para uma média de 75 dólares em 2027. O Citibank foi mais longe, transformando o seu anterior cenário pessimista em cenário-base, com o barril a 65 dólares nesse ano, assente na expectativa de aumentos de produção liderados pela Arábia Saudita, Emirados, Irão e Rússia. O Deutsche Bank, por seu lado, sublinha que o cessar-fogo tem sido amplamente respeitado, o que favorece a retração das cotações, embora alerte para a persistência de riscos latentes.
A ameaça emitida na quinta-feira pelo comando militar conjunto iraniano, que prometeu uma “resposta imediata e contundente” a navios que se desviem das rotas aprovadas no Estreito de Ormuz, ilustra a volatilidade do quadro. A próxima ronda negocial ficou adiada para depois dos funerais do líder supremo Ali Khamenei, a 9 de julho. A atenção vira-se agora para a reunião da OPEP+ no domingo, onde se espera a confirmação de um novo aumento das quotas de produção a partir de agosto, num momento em que a oferta adicional pode testar os limites da trégua diplomática.
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Os preços do petróleo caíram para níveis anteriores à guerra, mas analistas alertam que a calmaria pode ser temporária. As conversas indiretas entre Washington e Teerã aliviaram os temores imediatos, porém os riscos geopolíticos no Estreito de Ormuz permanecem. Os mercados devem se preparar para uma volatilidade renovada.
Os preços do petróleo subiram ligeiramente em meio ao otimismo cauteloso com as negociações de paz entre EUA e Irã. Os ganhos modestos refletem a esperança de estabilização regional, embora os negócios tenham sido reduzidos antes do feriado do Dia da Independência dos EUA. Os investidores permanecem vigilantes, mas esperançosos.
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