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Energia e Climasexta-feira, 3 de julho de 2026

Canadá aposta em megaduto para a Ásia enquanto comércio interno segue travado

Projeto de 35 a 44 mil milhões de dólares canadianos visa escoar 1 milhão de barris/dia até ao Pacífico, mas a eliminação de barreiras comerciais entre províncias permanece no papel.

O governo do primeiro-ministro Mark Carney anunciou a construção de um novo oleoduto entre a província petrolífera de Alberta e o terminal de Roberts Bank, na Colúmbia Britânica, com capacidade para transportar até um milhão de barris de crude por dia para os mercados asiáticos. O projeto, orçado entre 35,2 e 43,7 mil milhões de dólares canadianos, será executado pela estatal Trans Mountain Corp. em parceria com a Pembina Pipeline, com início das obras previsto para setembro de 2027 e conclusão entre 2032 e 2034. A infraestrutura duplicará a capacidade de exportação pelo Pacífico e insere-se num pacote mais amplo de 150 mil milhões de dólares que inclui cinco novos terminais de gás natural liquefeito e a modernização do porto de Vancouver.

A decisão representa uma viragem estratégica para um país que envia três quartos das suas exportações para os Estados Unidos, num momento em que Washington ameaça com tarifas de 100% e o presidente Donald Trump recusa renovar o acordo comercial trilateral. Na perspetiva de Ottawa, o duto transforma o Canadá numa “superpotência energética” e reduz a dependência do mercado americano, ao mesmo tempo que responde às ambições de Alberta de duplicar a produção petrolífera. A primeira-ministra Danielle Smith, que enfrenta pressões separatistas internas, obteve o compromisso federal de que a província será parceira igualitária no empreendimento e de que as comunidades indígenas terão uma participação acionista significativa.

O acordo só foi possível depois de a Colúmbia Britânica retirar a oposição judicial ao traçado, que segue o corredor do já existente oleoduto Trans Mountain. O premier David Eby condicionou o apoio à manutenção da moratória federal ao trânsito de petroleiros na costa norte e à criação de um fundo de responsabilidade ambiental e de compensação para as populações locais. Organizações ambientalistas, contudo, criticam a expansão dos combustíveis fósseis num contexto de crise climática, enquanto analistas de energia alertam que nenhum grande produtor de crude assumiu ainda compromissos de utilização da nova capacidade, lançando dúvidas sobre a viabilidade comercial do projeto.

O anúncio do megaduto contrasta com a paralisia na eliminação das barreiras comerciais internas. Apesar de o governo liberal ter aprovado em junho de 2025 a Lei da Economia Canadiana Una e de o próprio Carney ter prometido o livre comércio interprovincial até este mês, os obstáculos provinciais persistem. Uma vinícola da Colúmbia Britânica, por exemplo, continua a ter mais facilidade em exportar para a Alemanha do que para outras províncias canadianas. O ministro dos Assuntos Intergovernamentais, Dominic LeBlanc, reuniu-se esta semana com os homólogos provinciais para pressionar por avanços, mas o momento de urgência gerado pelas ameaças tarifárias americanas parece estar a dissipar-se. O próximo marco concreto será a capacidade de Alberta e Ottawa fecharem os acordos definitivos de financiamento e as garantias de utilização do duto antes do prazo de setembro de 2027.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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The new Canadian pipeline to the Pacific is portrayed as a hostile move by the United States to bypass Russia and consolidate Western control over global energy routes. The initiative is framed as a direct threat to Russian interests, capable of shifting geopolitical balances and fueling a new phase of confrontation. The narrative emphasizes the need for a firm response from Moscow.

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The new Canadian pipeline to the Pacific is described as a pragmatic step to diversify energy exports and reduce dependence on unstable routes. The focus is on economic benefits and energy security, with a measured tone that avoids geopolitical dramatization. The news is treated as a normal infrastructure development, placed in the context of North American trade strategies.

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Atualizado 17:342 idiomas · 2 veículos
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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Canadá aposta em megaduto para a Ásia enquanto comércio interno segue travado

Projeto de 35 a 44 mil milhões de dólares canadianos visa escoar 1 milhão de barris/dia até ao Pacífico, mas a eliminação de barreiras comerciais entre províncias permanece no papel.

O governo do primeiro-ministro Mark Carney anunciou a construção de um novo oleoduto entre a província petrolífera de Alberta e o terminal de Roberts Bank, na Colúmbia Britânica, com capacidade para transportar até um milhão de barris de crude por dia para os mercados asiáticos. O projeto, orçado entre 35,2 e 43,7 mil milhões de dólares canadianos, será executado pela estatal Trans Mountain Corp. em parceria com a Pembina Pipeline, com início das obras previsto para setembro de 2027 e conclusão entre 2032 e 2034. A infraestrutura duplicará a capacidade de exportação pelo Pacífico e insere-se num pacote mais amplo de 150 mil milhões de dólares que inclui cinco novos terminais de gás natural liquefeito e a modernização do porto de Vancouver.

A decisão representa uma viragem estratégica para um país que envia três quartos das suas exportações para os Estados Unidos, num momento em que Washington ameaça com tarifas de 100% e o presidente Donald Trump recusa renovar o acordo comercial trilateral. Na perspetiva de Ottawa, o duto transforma o Canadá numa “superpotência energética” e reduz a dependência do mercado americano, ao mesmo tempo que responde às ambições de Alberta de duplicar a produção petrolífera. A primeira-ministra Danielle Smith, que enfrenta pressões separatistas internas, obteve o compromisso federal de que a província será parceira igualitária no empreendimento e de que as comunidades indígenas terão uma participação acionista significativa.

O acordo só foi possível depois de a Colúmbia Britânica retirar a oposição judicial ao traçado, que segue o corredor do já existente oleoduto Trans Mountain. O premier David Eby condicionou o apoio à manutenção da moratória federal ao trânsito de petroleiros na costa norte e à criação de um fundo de responsabilidade ambiental e de compensação para as populações locais. Organizações ambientalistas, contudo, criticam a expansão dos combustíveis fósseis num contexto de crise climática, enquanto analistas de energia alertam que nenhum grande produtor de crude assumiu ainda compromissos de utilização da nova capacidade, lançando dúvidas sobre a viabilidade comercial do projeto.

O anúncio do megaduto contrasta com a paralisia na eliminação das barreiras comerciais internas. Apesar de o governo liberal ter aprovado em junho de 2025 a Lei da Economia Canadiana Una e de o próprio Carney ter prometido o livre comércio interprovincial até este mês, os obstáculos provinciais persistem. Uma vinícola da Colúmbia Britânica, por exemplo, continua a ter mais facilidade em exportar para a Alemanha do que para outras províncias canadianas. O ministro dos Assuntos Intergovernamentais, Dominic LeBlanc, reuniu-se esta semana com os homólogos provinciais para pressionar por avanços, mas o momento de urgência gerado pelas ameaças tarifárias americanas parece estar a dissipar-se. O próximo marco concreto será a capacidade de Alberta e Ottawa fecharem os acordos definitivos de financiamento e as garantias de utilização do duto antes do prazo de setembro de 2027.

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The new Canadian pipeline to the Pacific is portrayed as a hostile move by the United States to bypass Russia and consolidate Western control over global energy routes. The initiative is framed as a direct threat to Russian interests, capable of shifting geopolitical balances and fueling a new phase of confrontation. The narrative emphasizes the need for a firm response from Moscow.

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The new Canadian pipeline to the Pacific is described as a pragmatic step to diversify energy exports and reduce dependence on unstable routes. The focus is on economic benefits and energy security, with a measured tone that avoids geopolitical dramatization. The news is treated as a normal infrastructure development, placed in the context of North American trade strategies.

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