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Economia e Mercadossexta-feira, 3 de julho de 2026

Ouro dispara com dados fracos de emprego nos EUA e recuo das expectativas de alta dos juros

Preço do metal precioso atinge maior nível em semanas após criação de vagas ficar muito abaixo do esperado, reduzindo pressão sobre o Fed.

O ouro registou uma forte valorização nesta sexta-feira, impulsionado por dados do mercado de trabalho norte-americano muito abaixo das projeções. O metal subiu mais de 1,4% no mercado à vista, para cerca de 4.180 dólares por onça, o patamar mais elevado desde 23 de junho. Nos mercados de futuros da Índia, o contrato de agosto na MCX atingiu 148.046 rupias por 10 gramas, enquanto em Dubai o grama de 24 quilates voltou a superar os 500 dirhams. A divulgação de que a economia dos EUA criou apenas 57 mil empregos em junho, contra uma expectativa de 115 mil, alterou de imediato as perspetivas para a política monetária.

A fraca geração de vagas, combinada com a revisão em baixa dos meses anteriores, foi interpretada pelos mercados como um sinal de arrefecimento do mercado laboral, o que reduz a pressão sobre a Reserva Federal para subir as taxas de juro no curto prazo. A probabilidade de manutenção das taxas na reunião de setembro, segundo a ferramenta FedWatch do CME, subiu de 35,8% para 46,8% num só dia. Como o ouro não paga rendimento, taxas mais baixas ou estáveis tornam o metal mais atrativo face a ativos que geram juros. A isto somou-se a queda do dólar, que recuou na semana, barateando o ouro para detentores de outras moedas, e o alívio nos preços do petróleo, com o Brent a recuar para a casa dos 72 dólares por barril após os avanços nas conversações de paz entre Washington e Teerão.

O movimento teve repercussões imediatas em diferentes geografias. Na Índia, as ações de financeiras de ouro como Muthoot Finance e Manappuram Finance subiram até 5%, uma vez que a valorização do metal aumenta o valor das garantias e reduz a quantidade de joias necessária para um mesmo montante de empréstimo. Nos mercados do Golfo, o ouro de 24 quilates em Dubai saltou 8,75 dirhams por grama, para 503,50 dirhams, aproximando-se dos picos de início de junho. Observadores em Mumbai notam que a combinação de um mercado laboral frágil e a queda do crude afasta, por ora, o cenário de uma Fed mais agressiva, o que sustenta a procura por ativos de refúgio. Em Brasília e Lisboa, a alta global do ouro tende a refletir-se nos preços domésticos e nas cotações de mineradoras, embora a força do dólar possa atenuar os ganhos em moeda local.

A par dos dados de emprego, ressurgiram preocupações com a independência da Fed, depois de o presidente Donald Trump ter reiterado a intenção de afastar a governadora Lisa Cook, o que reavivou o chamado “debasement trade” que já levara o ouro a máximos históricos em janeiro. O próximo marco factual será a reunião do banco central norte-americano em julho, cujas atas e decisão darão pistas sobre a trajetória das taxas. Simultaneamente, os mercados acompanham a evolução das negociações entre EUA e Irão, que podem continuar a aliviar a pressão inflacionista e, por essa via, influenciar o rumo do ouro.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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The rise in gold prices to $4,200 is framed as a technical reaction to weak US labor market data, without alarm. The focus is on macroeconomic indicators and implications for Federal Reserve monetary policy.

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The rise in gold to $4,200 is received with cautious optimism: seen as a safe haven amid weak US data, but with attention to effects on Indian equity markets. The analysis highlights opportunities for local investors.

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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Ouro dispara com dados fracos de emprego nos EUA e recuo das expectativas de alta dos juros

Preço do metal precioso atinge maior nível em semanas após criação de vagas ficar muito abaixo do esperado, reduzindo pressão sobre o Fed.

O ouro registou uma forte valorização nesta sexta-feira, impulsionado por dados do mercado de trabalho norte-americano muito abaixo das projeções. O metal subiu mais de 1,4% no mercado à vista, para cerca de 4.180 dólares por onça, o patamar mais elevado desde 23 de junho. Nos mercados de futuros da Índia, o contrato de agosto na MCX atingiu 148.046 rupias por 10 gramas, enquanto em Dubai o grama de 24 quilates voltou a superar os 500 dirhams. A divulgação de que a economia dos EUA criou apenas 57 mil empregos em junho, contra uma expectativa de 115 mil, alterou de imediato as perspetivas para a política monetária.

A fraca geração de vagas, combinada com a revisão em baixa dos meses anteriores, foi interpretada pelos mercados como um sinal de arrefecimento do mercado laboral, o que reduz a pressão sobre a Reserva Federal para subir as taxas de juro no curto prazo. A probabilidade de manutenção das taxas na reunião de setembro, segundo a ferramenta FedWatch do CME, subiu de 35,8% para 46,8% num só dia. Como o ouro não paga rendimento, taxas mais baixas ou estáveis tornam o metal mais atrativo face a ativos que geram juros. A isto somou-se a queda do dólar, que recuou na semana, barateando o ouro para detentores de outras moedas, e o alívio nos preços do petróleo, com o Brent a recuar para a casa dos 72 dólares por barril após os avanços nas conversações de paz entre Washington e Teerão.

O movimento teve repercussões imediatas em diferentes geografias. Na Índia, as ações de financeiras de ouro como Muthoot Finance e Manappuram Finance subiram até 5%, uma vez que a valorização do metal aumenta o valor das garantias e reduz a quantidade de joias necessária para um mesmo montante de empréstimo. Nos mercados do Golfo, o ouro de 24 quilates em Dubai saltou 8,75 dirhams por grama, para 503,50 dirhams, aproximando-se dos picos de início de junho. Observadores em Mumbai notam que a combinação de um mercado laboral frágil e a queda do crude afasta, por ora, o cenário de uma Fed mais agressiva, o que sustenta a procura por ativos de refúgio. Em Brasília e Lisboa, a alta global do ouro tende a refletir-se nos preços domésticos e nas cotações de mineradoras, embora a força do dólar possa atenuar os ganhos em moeda local.

A par dos dados de emprego, ressurgiram preocupações com a independência da Fed, depois de o presidente Donald Trump ter reiterado a intenção de afastar a governadora Lisa Cook, o que reavivou o chamado “debasement trade” que já levara o ouro a máximos históricos em janeiro. O próximo marco factual será a reunião do banco central norte-americano em julho, cujas atas e decisão darão pistas sobre a trajetória das taxas. Simultaneamente, os mercados acompanham a evolução das negociações entre EUA e Irão, que podem continuar a aliviar a pressão inflacionista e, por essa via, influenciar o rumo do ouro.

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