
Paquistão oferece mediação a Irã e EUA após ataques ao sul iraniano
Em telefonema com o presidente Masoud Pezeshkian, o primeiro-ministro Shehbaz Sharif pediu contenção e reiterou o papel de Islamabad como intermediário, enquanto Teerã responsabilizou Washington e Israel pela escalada.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, e o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, mantiveram uma conversa telefónica na noite de sexta-feira (10) centrada na escalada militar no sul do Irã e nas vias diplomáticas para conter a crise. Sharif manifestou “profunda preocupação” com o agravamento das tensões e, segundo um comunicado do seu gabinete, confirmou a disponibilidade do Paquistão para continuar a atuar como mediador “honesto e sincero” entre Teerã e Washington. A chamada ocorreu depois de ataques aéreos dos Estados Unidos contra alvos no sul iraniano, num contexto de fragilização do diálogo nuclear.
De acordo com a presidência iraniana, Pezeshkian atribuiu a instabilidade a uma “via dupla” em que, por um lado, Israel e correntes que apoiam políticas de tensão e, por outro, o governo norte-americano, ao recuar nos seus compromissos, procuram perturbar os processos diplomáticos e impedir o restabelecimento da calma na região. O presidente iraniano sublinhou que o Irã tem agido “com responsabilidade e boa-fé” e que a condição para qualquer acordo duradouro é o respeito mútuo e o cumprimento prático das obrigações por todas as partes. Fontes em Teerã indicam que as decisões sobre as negociações permanecem enquadradas pelas orientações do Líder Supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei, que sucedeu ao pai, Ali Khamenei, após a morte deste num atentado recente.
Na perspetiva de Islamabad, a prioridade é evitar que se percam os “ganhos de paz duramente conquistados nos últimos meses”. O primeiro-ministro paquistanês apelou a que “todas as partes ajam com moderação” e destacou a importância do Memorando de Entendimento bilateral como um “marco duradouro” para promover o entendimento mútuo e a prosperidade partilhada. O gesto paquistanês insere-se numa ofensiva diplomática mais ampla: negociadores do Catar viajaram a Teerã na mesma sexta-feira para se reunirem com autoridades iranianas, em coordenação com os Estados Unidos, enquanto a Turquia, o Egito e a Arábia Saudita também mantiveram contactos com as duas capitais.
Analistas regionais observam que a iniciativa de mediação paquistanesa reflete o esforço de Islamabad para equilibrar as suas relações estratégicas com o Irã e com os EUA, ao mesmo tempo que procura evitar uma conflagração de consequências imprevisíveis para a Ásia Meridional e o Golfo. Os dois líderes acordaram acelerar a cooperação económica bilateral e manter consultas políticas estreitas. Até ao momento, não foi anunciada qualquer nova ronda negocial formal, mas o canal diplomático permanece ativo, com o Catar a liderar as gestões para um eventual regresso à mesa de conversações sobre o programa nuclear iraniano.
| Imprensa iraniana e afins | −0.60 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa russa e CEI | 0.00 | neutral |
| Imprensa latino-americana | 0.00 | neutral |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.70 | critical |
O Irã reafirma seu compromisso com a estabilidade regional e pede que todas as partes cumpram suas obrigações, enquanto o Paquistão se oferece para mediar.
Personificação do estado: Irã e Paquistão são apresentados como atores responsáveis que cumprem acordos, enquanto os EUA são implicitamente o agressor.
O bloco omite qualquer menção aos ataques dos EUA como uma possível resposta a ações iranianas e não discute o contexto dos ataques (por exemplo, qualquer provocação iraniana anterior). Também omite qualquer crítica ao papel do Irã.
A Rússia destaca a oferta de mediação do Paquistão como um passo construtivo, enquadrando a situação como uma tensão regional geral que pode ser resolvida através da diplomacia.
Universalização: o conflito é apresentado como uma tensão regional geral que pode ser resolvida por mediação, minimizando o confronto específico EUA-Irã.
O bloco russo omite a menção explícita dos ataques dos EUA como gatilho e não atribui culpa a nenhuma parte. Também omite a narrativa iraniana de agressão dos EUA e de Israel.
O relatório afirma neutralmente que Irã e Paquistão discutiram a escalada, sem tomar partido.
Distanciamento: o relatório apresenta a conversa como um evento factual, evitando qualquer julgamento ou atribuição de responsabilidade.
O bloco latino-americano omite a razão específica da escalada (ataques dos EUA) e os detalhes da conversa que atribuem culpa. Também omite o contexto do funeral do líder iraniano.
O bloco árabe ecoa a acusação iraniana de que os EUA e Israel estão deliberadamente tentando desestabilizar a região e apresenta o Paquistão como mediador.
Simetrização da escalada: ao culpar tanto os EUA quanto Israel, o bloco cria uma narrativa de forças externas conspirando contra a paz regional, justificando a posição iraniana.
O bloco omite qualquer menção às ações do Irã que possam ter provocado os ataques dos EUA e não relata a perspectiva dos EUA ou qualquer justificativa para os ataques.
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