
EUA sancionam rede financeira do líder supremo iraniano após ataques no Golfo
Medida visa Ali Ansari, acusado de desviar fundos públicos para enriquecer Mojtaba Khamenei e a Guarda Revolucionária, enquanto trégua colapsa.
Os Estados Unidos impuseram na sexta-feira (10) novas sanções contra uma rede financeira ligada ao líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, em retaliação pelos ataques a navios petroleiros no Estreito de Ormuz. O Departamento do Tesouro norte-americano designou Ali Ansari, um banqueiro e empresário baseado no Dubai, como o principal facilitador financeiro de Khamenei, acusando-o de desviar riqueza pública iraniana para um vasto portfólio de imóveis e participações comerciais na Europa, no Golfo e noutras regiões, em benefício da elite do regime e da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). Foram também sancionadas três casas de câmbio iranianas e empresas de fachada em Hong Kong e nos Emirados Árabes Unidos, que, segundo o Tesouro, movimentavam milhares de milhões de dólares por ano para bancos iranianos já sob sanções, utilizando camadas de sociedades fictícias para ocultar as transações.
Na perspetiva de Washington, as sanções visam \"isolar o regime do sistema financeiro global\" e preservar os ativos para o povo iraniano, afirmou o secretário do Tesouro, Scott Bessent. O presidente Donald Trump declarou que o memorando de entendimento que estabelecera um cessar-fogo e permitira a venda de petróleo iraniano \"terminou\", mas que as negociações prosseguem a pedido de Teerão. Do lado iraniano, o principal negociador, Mohammad Baqer Qalibaf, advertiu que a guerra \"jamais terminará com a rendição\" do Irão, enquanto fontes militares indicaram que o país está preparado para uma \"defesa total\" caso os EUA violem o acordo. Analistas em Washington avaliam que a administração Trump abandonou a abordagem de incentivos e regressou a uma política de \"pressão máxima\", combinando sanções económicas com uma postura militar de retaliação desproporcional — Trump ameaçou responder \"20 vezes\" a qualquer ataque iraniano — para impor uma nova equação de dissuasão.
A ofensiva financeira ocorre num momento de escalada militar que põe em risco o trânsito no Estreito de Ormuz, por onde escoa cerca de 20% do petróleo mundial. Os preços da matéria-prima subiram mais de 5% após a revogação, na terça-feira, de uma licença que permitia ao Irão exportar crude sem penalizações, e os ataques a três navios-tanque do Qatar e da Arábia Saudita levaram os EUA a bombardear mais de 170 alvos militares iranianos em dois dias, incluindo sistemas de defesa aérea e plataformas de mísseis. Para economias lusófonas como o Brasil, exportador de petróleo, a instabilidade no Golfo pode gerar volatilidade nos mercados globais de energia, enquanto Portugal, importador, enfrenta riscos de pressão inflacionária adicional. Observadores em Lisboa notam que a disrupção prolongada da rota marítima teria impacto direto nos preços dos combustíveis na Europa.
As sanções agora anunciadas inserem-se numa sequência de medidas retaliatórias que se intensificaram desde o início da semana, quando o Irão retomou os ataques a embarcações comerciais, pondo fim a uma trégua de poucas semanas. O Tesouro norte-americano estabeleceu um período de transição até 17 de julho para concluir transações em curso, mas advertiu que instituições financeiras que negociem com as entidades sancionadas ficarão sujeitas a sanções secundárias. Apesar da retórica belicista, os canais diplomáticos permanecem abertos, e mediadores regionais tentam reativar o memorando de entendimento. Contudo, na avaliação de especialistas do Médio Oriente, a ausência de uma \"terceira via\" clara por parte de Washington sugere que a pressão militar e económica continuará a ser o principal instrumento, com o risco de novos confrontos no Golfo.
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa do Golfo árabe | −0.30 | critical |
| Imprensa russa e CEI | 0.00 | neutral |
O Tesouro dos EUA age de forma decisiva para combater a agressão iraniana, visando a rede financeira que sustenta o regime.
Ao apresentar as sanções como uma resposta legal direta aos ataques iranianos, o relatório normaliza a ação unilateral dos EUA como uma ferramenta rotineira da diplomacia.
O relatório omite os bombardeios dos EUA e o cancelamento da isenção de petróleo que precederam as sanções, o que enquadraria os EUA como um ator escalador.
A administração Trump escala o conflito ao impor sanções após os ataques iranianos, enquanto os EUA já bombardearam e cancelaram as isenções de petróleo.
Ao listar tanto os ataques iranianos quanto as medidas de retaliação dos EUA (bombardeios, cancelamento de isenção) no mesmo fôlego, o relatório cria uma narrativa simétrica de escalada mútua, implicando que ambos os lados são responsáveis pela tensão crescente.
O relatório omite o histórico específico das sanções britânicas anteriores contra Ali Ansari e as acusações detalhadas de peculato, o que fortaleceria a justificativa dos EUA para as sanções.
O Tesouro dos EUA anuncia sanções adicionais contra o Irã, citando a escalada no Estreito de Ormuz, mas não oferece mais análises ou julgamentos.
Ao reduzir a história a um mínimo de fatos, o relatório minimiza implicitamente a importância das sanções e evita tomar uma posição sobre a ação dos EUA.
O relatório omite o contexto dos ataques iranianos a petroleiros, os bombardeios dos EUA e as acusações específicas contra Ansari, o que forneceria uma imagem mais completa do conflito.
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