
Irão condiciona negociações à prontidão militar e acusa Washington de trair memorando de cessar-fogo
O negociador-chefe iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que a guerra com os EUA não terminará com a rendição de Teerã e que só quem está preparado para o conflito pode dialogar com Washington.
O presidente do Parlamento e negociador-chefe do Irão, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou esta sexta-feira que a confrontação com os Estados Unidos “nunca terminará com a rendição” do país, horas depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado que o cessar-fogo mediado entre as partes “acabou”. Ghalibaf, citado pela agência iraniana ISNA, sublinhou que Teerã está pronta para uma “defesa total” caso Washington viole o memorando de entendimento assinado em meados de junho, um acordo de 14 pontos que previa a reabertura do Estreito de Ormuz, o alívio de restrições financeiras e o início de negociações técnicas sobre o programa nuclear iraniano.
Segundo fontes iranianas, a posição de Teerã assenta na desconfiança estrutural em relação a Washington, reforçada pela recente troca de fogo. Ghalibaf revelou ter dito ao vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, durante as conversações diretas na Suíça, que “não confiamos em vós” e que, na sua perspetiva, “aqueles que podem negociar com a América são os que estão preparados para a guerra”. A administração Trump, por seu lado, confirmou ter concordado em prosseguir as negociações, mas reiterou que o cessar-fogo “acabou”, depois de Washington ter atribuído a Teerã ataques a navios no Estreito de Ormuz e de ter respondido com bombardeamentos a alvos em território iraniano. O Irão reivindicou, por sua vez, ataques com mísseis e drones contra bases militares utilizadas por forças dos EUA no Kuwait, Bahrein, Catar e Jordânia.
A escalada militar e a retórica de prontidão bélica ocorrem num momento em que mediadores regionais tentam salvar o processo de paz. Uma delegação do Catar, país que desempenhou um papel central na facilitação do memorando, chegou a Teerã na sexta-feira para conversações, enquanto o Paquistão, que liderou a mediação inicial, acompanha com preocupação o agravamento da crise. Observadores em Doha e Islamabad notam que o colapso do entendimento teria consequências imediatas para a segurança da navegação no Golfo Pérsico e para a estabilidade dos mercados energéticos globais. Para países lusófonos como o Brasil, grande produtor de petróleo, e Portugal, importador líquido de energia, a volatilidade no Estreito de Ormuz representa um risco direto para as cadeias de abastecimento e para os preços dos combustíveis, o que tem motivado contactos diplomáticos discretos por parte de Brasília e Lisboa junto das partes envolvidas.
O memorando de entendimento, assinado há pouco mais de três semanas, previa um período de tréguas de sessenta dias, prorrogável, e a realização de rondas negociais diretas e técnicas. Até ao momento, apenas uma sessão presencial na Suíça e encontros indiretos em Doha foram concretizados. A continuidade do processo permanece incerta: enquanto Trump insiste que o cessar-fogo expirou, o Irão condiciona qualquer avanço à demonstração de força e à desconfiança manifestada publicamente. A próxima etapa conhecida é a missão da delegação catari em Teerã, cujos resultados poderão indicar se as conversações serão retomadas ou se a região se encaminha para uma nova fase de guerra aberta.
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | 0.00 | neutral |
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| Imprensa do Sudeste Asiático | 0.00 | neutral |
| Imprensa latino-americana | 0.00 | neutral |
Iran reaffirms its determination to defend itself, rejecting any surrender and presenting war as the only path to negotiation.
The bloc amplifies Iranian statements without countering with alternative voices, creating a narrative of strength and intransigence.
The bloc omits US statements and details of the agreement, focusing solely on the Iranian position.
Iran warns it will not surrender, but the tone is detached and unemphatic.
The bloc reports the statement as a fact, without adding context or commentary, maintaining an observer stance.
The bloc omits the context of the agreement and Trump's statements, reducing the news to a simple quote.
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The bloc juxtaposes statements from Iran and the US, creating a picture of imminent escalation without taking sides.
The bloc omits Iran's claim of not seeking war, focusing on the threat of total defense.
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