
EUA convidam Brasil para cúpula sobre 'terrorismo de esquerda' em meio a atritos
Encontro convocado por Marco Rubio para 16 de julho reúne mais de 60 países, mas gera preocupações sobre uso político de ferramentas antiterroristas.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos convidou o Brasil e mais de 60 países para uma reunião ministerial em Washington, no dia 16 de julho, dedicada ao que o governo de Donald Trump classifica como “ressurgimento do terrorismo transnacional de esquerda”. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, recebeu o convite, mas ainda não confirmou presença, segundo fontes do Itamaraty. Já o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, confirmou que estará no encontro, liderado pelo secretário de Estado Marco Rubio.
Na perspetiva de Washington, o evento responde a uma “ameaça antiga que ressurge com fortes vínculos transnacionais”, conforme declarou o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott. No entanto, funcionários de carreira do próprio governo norte-americano e analistas independentes na Europa manifestaram preocupação, de acordo com a imprensa dos EUA, de que a iniciativa possa ser instrumentalizada para reprimir ativistas de esquerda em território americano. Um representante da Casa Branca afirmou que os poderes antiterroristas não serão usados contra cidadãos que apenas discordam do governo. O professor Alex Crowther, da Universidade Internacional da Flórida, observou que a administração Trump teme uma coordenação internacional de grupos de esquerda e busca construir uma coalizão, mas advertiu que a inteligência compartilhada não deve servir para perseguir partidos de oposição.
O convite ao Brasil ocorre em um momento de tensão bilateral. Dias antes, Vieira alertara para a “possibilidade do uso da força militar dos Estados Unidos em território brasileiro” após a designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O Departamento de Estado reagiu classificando as declarações como “absurdas” e afirmou que alegações vagas podem “ajudar e incentivar” grupos criminosos. Em Brasília, a avaliação sobre a ida ao encontro leva em conta a visita da chanceler canadense, Anita Anand, na mesma semana, e a necessidade de calibrar a resposta diplomática diante de um parceiro estratégico.
A reunião se insere em um esforço mais amplo dos EUA para reforçar a cooperação em segurança no hemisfério. Na semana anterior, a 17ª Conferência de Ministros da Defesa das Américas, em Cusco, no Peru, resultou na Declaração de Cusco, que prevê ações conjuntas contra “crime organizado transnacional, terrorismo, economias ilícitas e outras ameaças emergentes”. O encontro de 16 de julho em Washington é o próximo passo dessa agenda. A decisão do governo brasileiro sobre o nível de representação é aguardada para os próximos dias.
| Imprensa latino-americana | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | −0.70 | critical |
O Brasil não se alinha automaticamente à narrativa de Washington.
O uso de aspas em torno de 'terrorismo de esquerda' e a ênfase nos compromissos do ministro criam uma distância crítica implícita.
Não é mencionada a recusa de outros países, como a Itália, em participar da iniciativa.
Italy rejects the invitation because the initiative is polarizing and does not align with its own political line.
The choice of an ironic title ('Thanks, but no thanks') and the explanation of the reasons for refusal present the decision as a sovereign and principled choice.
It is not reported that other countries, such as Brazil, are still evaluating participation, which could have shown a more nuanced reaction.
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