
Pacote de sanções da UE trava com veto grego ao transporte de GNL russo
Seis Estados-membros, liderados pela Grécia, exigem exceções ao 21.º pacote, forçando Bruxelas a avaliar cenários de compromisso ou abandono total das medidas.
A adoção do 21.º pacote de sanções da União Europeia contra a Rússia está bloqueada depois de a Grécia ter vetado a proposta de proibir que armadores europeus transportem gás natural liquefeito (GNL) russo para países terceiros. A Comissão Europeia analisa os impactos económicos da medida e estuda pelo menos três cenários para sair do impasse: um período de transição de 24 meses antes da entrada em vigor, a exclusão dos contratos já em vigor ou a retirada total da cláusula sobre o GNL, admitindo-se ainda a hipótese de abandonar todo o pacote. A reunião de embaixadores dos 27, marcada para 22 de julho, é apontada como o momento decisivo para o futuro das novas restrições.
Atenas argumenta que a proibição arruinaria a sua frota especializada de navios metaneiros de classe gelo, como os operados pela Dynagas no projeto Yamal LNG, sem prejudicar a Rússia, uma vez que a carga seria transferida para armadores asiáticos. A Comissão insiste na medida, mas admite a necessidade de um compromisso. A resistência grega não é isolada: Portugal e a Alemanha opõem-se ao embargo à importação de pescado russo, invocando a proteção das suas indústrias transformadoras; França e Itália pedem o abrandamento das restrições à emissão de vistos para militares russos; e a Áustria exige o descongelamento de cerca de dois mil milhões de euros de ativos russos para compensar a Raiffeisen Bank. Diplomatas europeus citados pelo Financial Times descrevem a dimensão das exigências nacionais como inédita e alertam para o risco de os pacotes sancionatórios se transformarem numa “casca vazia”.
Na perspetiva de Moscovo, o impasse confirma que a política de sanções atingiu um limite natural. O senador russo Alexander Voloshin sustenta que cada nova medida se converte num “regateio pelo direito de não prejudicar o próprio negócio” e que a erosão da unanimidade europeia decorre da necessidade económica, e não de uma mudança de convicções políticas. O analista Ivan Mezyukho, por sua vez, sublinha que nenhum governo da UE se opõe ao regime sancionatório em si, mas que a verdadeira oposição reside nas forças políticas que disputarão as próximas eleições europeias, ainda que duvide da sua capacidade de alterar o rumo antibloqueio sob a liderança de Ursula von der Leyen. Em Bruxelas, a paralisação coincide com a decisão de congelar temporariamente o teto do preço do petróleo russo em 44,10 dólares por barril, prorrogável mesmo que o pacote global não avance.
O braço de ferro ocorre num contexto de crescente preocupação em capitais europeias com as ameaças híbridas atribuídas a Moscovo, incluindo ciberataques a infraestruturas críticas e campanhas de desinformação, que Bruxelas e Londres se preparam para sancionar de forma coordenada. O desfecho do 21.º pacote será observado com atenção em Lisboa e em Brasília, não apenas pelo seu impacto nos fluxos energéticos globais, mas também como termómetro da capacidade do bloco para sustentar uma frente unida quando os custos económicos recaem diretamente sobre os Estados-membros. Se o compromisso falhar, a UE arrisca o primeiro recuo formal na sua arquitetura de sanções desde o início da guerra.
| Imprensa russa e CEI | −0.60 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | −0.20 | neutral |
| Imprensa latino-americana | −0.30 | critical |
A Rússia observa com satisfação as divisões europeias e sublinha que as sanções prejudicam mais a UE do que Moscovo.
A narrativa russa enfatiza as divisões internas da UE como prova do fracasso das sanções, usando o veto grego para generalizar uma crise de unidade.
A narrativa russa omite que a maioria dos países da UE ainda apoia as sanções e que o veto grego diz respeito apenas a uma medida específica, não a todo o pacote.
A Itália e outros países europeus defendem os seus interesses económicos, exigindo que as sanções não prejudiquem as suas indústrias e o seu comércio.
A narrativa europeia centra-se nos interesses económicos nacionais como uma razão legítima para se opor a medidas específicas, apresentando o veto como uma questão pragmática, não ideológica.
A narrativa europeia omite que o veto grego é apenas sobre uma medida e que a UE está a considerar compromissos, e não menciona a posição russa que vê as sanções como autolesivas.
A UE acusa a Rússia de agressão cibernética e exige sanções imediatas, mas o veto grego dificulta a resposta coletiva.
A narrativa latino-americana securitiza a questão, apresentando o veto grego como um obstáculo a uma resposta de segurança necessária, sem aprofundar as razões económicas do veto.
A narrativa latino-americana omite que o veto grego diz respeito ao transporte de GNL, não a ciberataques, e que as acusações de ciberataques são separadas do pacote de sanções.
Amplie o olhar
Petróleo Brent supera US$ 90 com escalada de ataques entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz
8 idiomas · 21 veículos
De TechnologyInfraestrutura de IA atrai dezenas de mil milhões em dois megadeals com impacto na Europa e no Brasil
5 idiomas · 7 veículos
De Science & HealthPausas ativas de cinco minutos: ciência valida dança, yoga e pilates para corpo e mente
3 idiomas · 6 veículos