
Rússia expulsa adido militar italiano e assessor em retaliação por caso de espionagem
Moscovo declara persona non grata dois diplomatas de Roma, que denuncia 'ato de vingança' sem justificação, após expulsão de adidos russos acusados de espionagem.
A Rússia declarou persona non grata o adido militar italiano em Moscovo, Vittorio Parrella, e o seu colaborador Davide D'Aprile, concedendo-lhes três dias para abandonar o território russo. A decisão, comunicada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros russo após a convocação do encarregado de negócios italiano, Giovanni Scopa, é apresentada por Moscovo como uma medida de reciprocidade face à expulsão, a 9 de julho, de dois adidos militares russos em Roma, Ivan Gorbachev e Mikhail Astakhov, que as autoridades italianas acusam de atividades de espionagem.
Na perspetiva de Roma, a expulsão dos dois diplomatas italianos constitui um "ato de retaliação flagrante" e "sem qualquer fundamento", segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani. O governo italiano sustenta que os adidos russos foram "apanhados em flagrante" a realizar atividades de espionagem que prejudicavam a segurança nacional, no âmbito de uma investigação da Procuradoria de Roma que levou também à detenção de dois antigos agentes dos serviços secretos italianos, acusados de passar informações classificadas a Moscovo. Já o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo qualifica as exigências italianas de "infundadas" e sublinha que "nenhuma ação hostil ou provocatória contra diplomatas russos ficará sem uma resposta adequada".
A troca de expulsões insere-se num padrão de tensão diplomática que se intensificou desde o início da guerra na Ucrânia. Em abril de 2022, a Itália expulsou 30 diplomatas russos, ao que Moscovo respondeu com a declaração de 24 diplomatas italianos como persona non grata. O episódio atual ganha contornos específicos devido às suspeitas de que os adidos russos recolhiam informações sobre o sistema de defesa aérea franco-italiano SAMP/T, cuja entrega à Ucrânia está prevista para este ano, e sobre os mísseis Aster já fornecidos a Kiev. Observadores em capitais europeias notam que estas expulsões são interpretadas como parte de uma "guerra híbrida" conduzida por Moscovo, na expressão utilizada pelo ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto.
O dossiê permanece num impasse bilateral, sem indicação de canais de desescalada. Os dois diplomatas italianos e as suas famílias devem deixar a Rússia no prazo de três dias, enquanto Roma mantém a posição de que a sua decisão se baseou em factos comprovados e não em retaliação política. Não foram anunciadas, até ao momento, novas medidas de parte a parte, mas o precedente de ciclos de expulsões recíprocas sugere que a relação diplomática entre os dois países continuará condicionada pela dinâmica mais ampla do confronto entre a Rússia e a NATO.
| Imprensa russa e CEI | +0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | −0.80 | critical |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.20 | neutral |
Russia presents the expulsion as an inevitable response to Italy's hostile act, shifting responsibility for the escalation onto the Italian side.
The Russian bloc normalizes the expulsion by framing it as part of a cycle of reciprocal measures, and omits mentioning that the Italian expulsion was based on espionage charges that Russia denies.
The Russian bloc omits that the Russian diplomats expelled from Italy were caught red-handed conducting espionage, according to Italian authorities.
Italy denounces the Russian act as an unjustified retaliation, asserting the legitimacy of its own expulsion based on espionage evidence.
The European bloc builds credibility by emphasizing the red-handed nature of the Russian diplomats and the lack of grounds for the Italian expulsion, creating a moral contrast.
The European bloc omits that Russia had warned it would respond after the expulsion of its diplomats, and that reciprocity is a common diplomatic practice.
The Arab bloc reports the Italian statement without taking sides, maintaining an observer position.
Credibility is achieved through neutral reproduction of official statements, without adding interpretations or context.
The Arab bloc omits providing the context of the espionage charges against the Russian diplomats and the Russian position on the matter.
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