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Economia e Mercadossegunda-feira, 29 de junho de 2026

Ouro recua com tensão no Golfo e perspetiva de juros mais altos nos EUA

A renovada hostilidade entre Washington e Teerão elevou o petróleo e reforçou as apostas em aperto monetário, reduzindo o apelo do metal precioso, enquanto investidores aguardam dados de emprego americanos.

O preço do ouro caiu esta segunda-feira, pressionado pela subida do petróleo e pelo reforço das expectativas de novas subidas das taxas de juro pela Reserva Federal dos EUA. O ouro à vista recuava 1,3%, para 4.036,19 dólares por onça, e os futuros para agosto perdiam 1,1%, para 4.051 dólares. O metal encaminha-se para a quarta perda mensal consecutiva superior a 10%, num movimento que reflete a reavaliação dos riscos inflacionistas após os mais recentes episódios de conflito no Golfo Pérsico.

O gatilho imediato foi o ataque do Irão com mísseis e drones a instalações militares norte-americanas no Kuwait e no Barém, na madrugada de domingo, horas depois de o presidente Donald Trump ter ameaçado eliminar a liderança iraniana caso não cumprisse o acordo de cessar-fogo. Apesar da escalada, Teerão e Washington acordaram ainda no domingo suspender as hostilidades e retomar as conversações sobre o diferendo no Estreito de Ormuz, com uma reunião prevista para terça-feira em Doha. A incerteza geopolítica e a pressão altista sobre o crude — cujos preços subiram — alimentam os receios de uma inflação mais persistente, o que, por sua vez, reforça a expetativa de uma política monetária mais restritiva por parte dos bancos centrais.

Na perspetiva de analistas em Londres, o ouro permanece sob pressão enquanto os investidores avaliam o rumo das negociações de paz; um novo agravamento das tensões poderia reacender os temores inflacionários e consolidar as expectativas de uma Fed mais agressiva. Em Sydney, observadores sublinham que os ataques mútuos lançam dúvidas sobre a capacidade de o petróleo se manter em níveis contidos, afetando as projeções de inflação e de juros. Os mercados financeiros já incorporam três aumentos das taxas diretoras norte-americanas este ano, com uma probabilidade de cerca de 61% de uma subida já em setembro, segundo a ferramenta FedWatch da CME. Os próximos dados de emprego dos EUA — o relatório ADP e os números oficiais de criação de postos de trabalho — são aguardados como pistas cruciais sobre a orientação da política monetária.

Para as economias lusófonas, o cenário tem implicações diferenciadas. No Brasil, a combinação de petróleo mais caro e de um dólar fortalecido pelas taxas de juro americanas pode alimentar pressões inflacionárias internas e limitar a margem de manobra do Banco Central. Portugal, integrado na zona euro, sente os efeitos indiretos do aperto monetário global nas condições de financiamento. Já Angola e Moçambique, enquanto exportadores de crude, poderão beneficiar de receitas adicionais no curto prazo, mas enfrentam custos de financiamento externo mais elevados num contexto de aversão ao risco.

O próximo marco factual será a reunião de terça-feira em Doha sobre o Estreito de Ormuz, cujo desfecho poderá aliviar ou agravar a tensão nos mercados energéticos. A par disso, os dados do mercado de trabalho norte-americano, a divulgar no final da semana, serão determinantes para calibrar as expectativas em torno da trajetória das taxas de juro e, por conseguinte, para a evolução da cotação do ouro.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Imprensa latino-americanaImprensa do Golfo árabe
Imprensa latino-americana/ Mercado
PragmatismoDistanciamento

O ouro caiu porque as tensões no Golfo alimentaram os receios inflacionários e reforçaram as expectativas de alta dos juros pelo Fed, pressionando um ativo que não rende juros. O mercado fez uma leitura puramente técnica, concentrando-se no custo de oportunidade de deter o metal num contexto de yields em alta.

Imprensa do Golfo árabe/ Saudita
AlarmeUrgênciaPragmatismo

Novos confrontos militares entre os EUA e o Irão, incluindo ataques com mísseis e drones iranianos a bases americanas no Kuwait e no Bahrein, abalaram os mercados e fizeram subir o petróleo. Embora uma trégua temporária e a retoma das conversações tenham trazido algum alívio, a escalada reforçou os receios inflacionários e as apostas num maior aperto da Fed, arrastando o ouro para baixo.

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Ouro recua com tensão no Golfo e perspetiva de juros mais altos nos EUA

A renovada hostilidade entre Washington e Teerão elevou o petróleo e reforçou as apostas em aperto monetário, reduzindo o apelo do metal precioso, enquanto investidores aguardam dados de emprego americanos.

O preço do ouro caiu esta segunda-feira, pressionado pela subida do petróleo e pelo reforço das expectativas de novas subidas das taxas de juro pela Reserva Federal dos EUA. O ouro à vista recuava 1,3%, para 4.036,19 dólares por onça, e os futuros para agosto perdiam 1,1%, para 4.051 dólares. O metal encaminha-se para a quarta perda mensal consecutiva superior a 10%, num movimento que reflete a reavaliação dos riscos inflacionistas após os mais recentes episódios de conflito no Golfo Pérsico.

O gatilho imediato foi o ataque do Irão com mísseis e drones a instalações militares norte-americanas no Kuwait e no Barém, na madrugada de domingo, horas depois de o presidente Donald Trump ter ameaçado eliminar a liderança iraniana caso não cumprisse o acordo de cessar-fogo. Apesar da escalada, Teerão e Washington acordaram ainda no domingo suspender as hostilidades e retomar as conversações sobre o diferendo no Estreito de Ormuz, com uma reunião prevista para terça-feira em Doha. A incerteza geopolítica e a pressão altista sobre o crude — cujos preços subiram — alimentam os receios de uma inflação mais persistente, o que, por sua vez, reforça a expetativa de uma política monetária mais restritiva por parte dos bancos centrais.

Na perspetiva de analistas em Londres, o ouro permanece sob pressão enquanto os investidores avaliam o rumo das negociações de paz; um novo agravamento das tensões poderia reacender os temores inflacionários e consolidar as expectativas de uma Fed mais agressiva. Em Sydney, observadores sublinham que os ataques mútuos lançam dúvidas sobre a capacidade de o petróleo se manter em níveis contidos, afetando as projeções de inflação e de juros. Os mercados financeiros já incorporam três aumentos das taxas diretoras norte-americanas este ano, com uma probabilidade de cerca de 61% de uma subida já em setembro, segundo a ferramenta FedWatch da CME. Os próximos dados de emprego dos EUA — o relatório ADP e os números oficiais de criação de postos de trabalho — são aguardados como pistas cruciais sobre a orientação da política monetária.

Para as economias lusófonas, o cenário tem implicações diferenciadas. No Brasil, a combinação de petróleo mais caro e de um dólar fortalecido pelas taxas de juro americanas pode alimentar pressões inflacionárias internas e limitar a margem de manobra do Banco Central. Portugal, integrado na zona euro, sente os efeitos indiretos do aperto monetário global nas condições de financiamento. Já Angola e Moçambique, enquanto exportadores de crude, poderão beneficiar de receitas adicionais no curto prazo, mas enfrentam custos de financiamento externo mais elevados num contexto de aversão ao risco.

O próximo marco factual será a reunião de terça-feira em Doha sobre o Estreito de Ormuz, cujo desfecho poderá aliviar ou agravar a tensão nos mercados energéticos. A par disso, os dados do mercado de trabalho norte-americano, a divulgar no final da semana, serão determinantes para calibrar as expectativas em torno da trajetória das taxas de juro e, por conseguinte, para a evolução da cotação do ouro.

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O ouro caiu porque as tensões no Golfo alimentaram os receios inflacionários e reforçaram as expectativas de alta dos juros pelo Fed, pressionando um ativo que não rende juros. O mercado fez uma leitura puramente técnica, concentrando-se no custo de oportunidade de deter o metal num contexto de yields em alta.

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Novos confrontos militares entre os EUA e o Irão, incluindo ataques com mísseis e drones iranianos a bases americanas no Kuwait e no Bahrein, abalaram os mercados e fizeram subir o petróleo. Embora uma trégua temporária e a retoma das conversações tenham trazido algum alívio, a escalada reforçou os receios inflacionários e as apostas num maior aperto da Fed, arrastando o ouro para baixo.

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