
Ouro encaminha pior trimestre em 13 anos sob pressão do dólar e de juros nos EUA
A força da moeda americana e as expectativas de aperto monetário ofuscam a procura por refúgio, levando o metal a perder mais de 11% no mês e a testar suportes de longo prazo.
O ouro rompeu a barreira dos 4.000 dólares por onça e encaminha o pior desempenho trimestral desde o segundo trimestre de 2013, com uma desvalorização superior a 11% em junho — a maior queda mensal desde outubro de 2008. O metal à vista recuou 1,5%, para 3.956,92 dólares, enquanto os futuros de agosto em Nova Iorque cederam 1,7%, para 3.969,30 dólares. O movimento reflete uma mudança de comportamento nos mercados: operadores passaram a vender nos repiques, em vez de comprar nas baixas, sinalizando fragilidade no sentimento de curto prazo.
A pressão decorre de um dólar fortalecido, a caminho do segundo ganho mensal consecutivo, e da recalibragem das apostas para a política monetária dos EUA. A ferramenta FedWatch do CME indica 64% de probabilidade de uma alta de juros em setembro, num contexto em que a guerra no Médio Oriente elevou os preços da energia e reacendeu os receios inflacionários. Apesar de o ouro ser tradicionalmente visto como proteção contra a inflação, o ambiente de taxas elevadas reduz a atratividade do metal, que não gera rendimento. Analistas em Londres e Nova Iorque sublinham que a combinação de inflação alta, expectativas de juros em alta e dólar forte se sobrepõe a todos os fatores altistas habitualmente associados ao ouro.
Para investidores lusófonos, o impacto é matizado pelo câmbio. No Brasil, a depreciação do real frente ao dólar ameniza a queda do ouro em reais, ainda que o metal tenha recuado nos mercados locais. Em Portugal e na zona do euro, a fraqueza da moeda única também reduz a dimensão da perda quando convertida para euros. A prata caiu 2%, para 57,13 dólares, a platina perdeu 1,1% e o paládio recuou 0,4%, com os três metais a caminho de perdas trimestrais e mensais. O petróleo, por sua vez, encaminha o pior trimestre desde o início de 2020, com os investidores a avaliarem as perspetivas de uma diplomacia renovada entre EUA e Irão, embora Teerão tenha negado a realização de conversações em Doha.
O próximo marco factual são os dados de emprego dos EUA — o relatório ADP e os payrolls não-agrícolas de junho, a divulgar esta semana — que fornecerão pistas sobre a trajetória das taxas do Federal Reserve. Do ponto de vista técnico, observadores em mercados emergentes apontam a faixa de 3.700 a 3.800 dólares como suporte crítico de longo prazo; uma quebra abaixo desse patamar poderia abrir caminho para os 3.400 dólares, enquanto um movimento de recuperação teria como primeiro alvo os 4.300 dólares.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O preço do ouro despencou para mínimas, pressionado pelas expectativas de alta dos juros americanos. No mercado doméstico iraniano, a queda é amplificada pela volatilidade do dólar e por notícias políticas, como os relatos de um cessar-fogo entre Irã e EUA que reverteram a tendência de alta. O ambiente é de alarme diante da instabilidade econômica e da pressão externa.
O ouro caminha para o pior mês desde 2008, pressionado por um dólar forte e um Fed hawkish. Apesar da fraqueza de curto prazo, analistas mantêm perspectiva positiva de longo prazo desde que os preços se mantenham acima da zona de suporte chave. O conflito iraniano elevou os custos de energia e a inflação, mas o metal precioso retém fundamentos sólidos.
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