
ONU inicia evacuação de 11 mil marinheiros retidos no Estreito de Ormuz após acordo de cessar-fogo
Operação coordenada com Irã, Omã e EUA avança, mas divergências sobre inspeções nucleares e controlo da via marítima persistem.
A Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês), agência especializada das Nações Unidas, anunciou esta terça-feira o início de uma operação de grande escala para evacuar mais de 11 mil marinheiros que permanecem retidos no Golfo Pérsico, em consequência do conflito armado entre Estados Unidos e Israel contra o Irão. A evacuação, coordenada com Teerão, Omã, os demais Estados costeiros da região, Washington e a indústria marítima, será realizada de forma faseada através de dois corredores temporários no Estreito de Ormuz — um a norte e outro a sul do esquema de separação de tráfego habitual —, segundo um aviso aos navegantes emitido pelo Sultanato de Omã. O secretário-geral da IMO, Arsenio Dominguez, afirmou que foram obtidas “as garantias de segurança necessárias” e verificadas “as condições para uma navegação segura”. Cada navio será contactado individualmente para receber um dia de trânsito atribuído, e a agência publicará relatórios diários sobre as embarcações que deixam a zona em segurança.
A operação é a primeira consequência logística direta do memorando de entendimento assinado entre Washington e Teerão na noite de 18 de junho, que estabeleceu um cessar-fogo e abriu uma janela de 60 dias para negociar um acordo definitivo. Contudo, as divergências sobre o alcance do documento mantêm-se. Do lado norte-americano, o presidente Donald Trump afirmou que o Irão aceitou “plena e totalmente” inspeções nucleares “ao mais alto nível” pela Agência Internacional de Energia Atómica (IAEA), e o secretário de Estado Marco Rubio, em visita aos Emirados Árabes Unidos, reiterou que “nenhum país está autorizado a cobrar portagens ou taxas numa via navegável internacional”. Na leitura de Teerão, o porta-voz da diplomacia iraniana desmentiu qualquer convite à IAEA para inspecionar as instalações nucleares bombardeadas durante a guerra, e o presidente Masoud Pezeshkian, em Islamabad, sublinhou que o Irão “nunca negociará as suas capacidades de defesa”. Paralelamente, o negociador-chefe iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, advertiu que a administração do Estreito de Ormuz “nunca voltará a ser o que era antes da guerra”, enquanto Omã e o Irão anunciaram a intenção de estudar uma gestão conjunta da via, incluindo a eventual cobrança de custos por serviços prestados.
A reabertura gradual do estreito — por onde transitava cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito comercializados globalmente antes do conflito — tem impacto direto nos mercados energéticos. Dados da consultora Kpler indicam que, desde a assinatura do memorando, pelo menos 172 navios atravessaram a passagem, mas o ritmo diário (39 travessias na segunda-feira) permanece muito abaixo da média de 138 registada antes da guerra. Os dois corredores temporários têm capacidade para 20 a 30 navios por dia, e mais de 200 petroleiros continuam à espera dentro do estreito, segundo análise da BBC Verify. O bloqueio imposto pelo Irão a partir de 28 de fevereiro, em retaliação às operações militares norte-americanas e israelitas, levou o preço do barril de Brent a ultrapassar os 100 dólares, afetando economias importadoras como o Brasil e Portugal. Apesar do alívio recente, a incerteza quanto às regras futuras de passagem e à estabilidade do cessar-fogo mantém a pressão sobre os custos logísticos e os seguros marítimos.
O dossier diplomático prossegue em múltiplas frentes. As conversações técnicas iniciadas na Suíça, com mediação do Paquistão e do Catar, deram lugar à criação de quatro grupos de trabalho para tratar do programa nuclear, das sanções e de outros contenciosos. A violência pontual no sul do Líbano, onde soldados israelitas abriram fogo e mataram duas pessoas, recorda a fragilidade do cessar-fogo regional exigido por Teerão como condição para um acordo abrangente. A IMO, por seu lado, já começou a contactar os navios para iniciar a retirada, sem avançar um calendário completo. A próxima etapa concreta será a divulgação dos primeiros relatórios diários de evacuação, enquanto Rubio prossegue a sua digressão pelo Golfo e Pezeshkian conclui a visita ao Paquistão, a primeira de um presidente iraniano desde o início da guerra.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A agência marítima da ONU começou a contactar os navios para evacuar 11.000 marinheiros retidos no Golfo Pérsico, após o cessar-fogo entre o Irã e os Estados Unidos. A operação de grande escala está a ser realizada em cooperação com os Estados costeiros e com as garantias de segurança necessárias.
Um plano das Nações Unidas está em curso para evacuar 11.000 marinheiros retidos através do Estreito de Ormuz, na sequência de um acordo de cessar-fogo. A Organização Marítima Internacional obteve garantias de segurança e está a coordenar a operação com o Irão, Omã e outros Estados costeiros.
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