
Onda de calor histórica na Europa satura hospitais e força proibição de álcool em Paris
Serviços de urgência atingem limite em Londres e França; estudo atribui intensidade recorde à crise climática, enquanto o calor se desloca para leste.
A vaga de calor que assola a Europa desde 20 de junho atingiu esta sexta-feira um ponto de saturação nos serviços de saúde de vários países, com temperaturas a superar os 40°C em França, no Reino Unido e na Suíça. O Serviço de Ambulâncias de Londres registou o maior número diário de chamadas de emergência com risco de vida, enquanto os hospitais franceses enfrentam um aumento de quatro vezes nas visitas às urgências por causas relacionadas com o calor. Em Paris, o chefe da polícia declarou que as unidades de saúde estão "a atingir um ponto de saturação". Pelo menos 55 pessoas morreram afogadas em França, muitas em zonas não vigiadas, e Espanha contabiliza 212 óbitos associados ao calor entre domingo e quarta-feira.
Um estudo divulgado esta sexta-feira pelo grupo World Weather Attribution, que reúne cientistas da Europa, dos Estados Unidos e do Reino Unido, concluiu que a alteração climática causada pela ação humana é "inequivocamente" responsável pela intensidade da onda de calor. Os investigadores afirmam que o evento teria sido "virtualmente impossível" sem o aquecimento global e que as temperaturas noturnas abafadas são agora 100 vezes mais prováveis do que há duas décadas. O padrão atmosférico conhecido como bloqueio Ómega, que aprisiona uma massa de ar quente sobre a região, está na origem do fenómeno. O estudo sublinha que as temperaturas máximas diárias na Europa Ocidental aquecem ao triplo da taxa média global.
Perante a pressão sobre os hospitais, Paris proibiu a venda de bebidas alcoólicas para consumo na via pública e a sua aquisição para levar para casa, medida rara que visa reduzir as hospitalizações por desidratação. Os Países Baixos emitiram pela primeira vez um alerta vermelho por calor extremo, e a Alemanha viu o piso da autoestrada A2 deformar-se com as altas temperaturas, danificando dezenas de veículos. No Reino Unido, o serviço meteorológico prolongou o alerta vermelho para um terceiro dia consecutivo, algo inédito. Em Itália, prevê-se que o calor se intensifique no fim de semana, com os primeiros registos de 40°C do verão. Na Península Ibérica, Espanha reporta centenas de mortes; em Portugal, as autoridades acompanham a evolução com apreensão, num contexto em que apenas cerca de 20% dos lares europeus dispõem de ar condicionado.
Embora se espere um alívio das temperaturas no oeste do continente, a onda de calor desloca-se para leste e sul, colocando sob pressão os sistemas de saúde da Europa Oriental e dos Balcãs. A Sérvia emitiu um alerta laranja, e a Áustria advertiu para possíveis deformações nas vias férreas. O responsável da ONU para o clima, Simon Stiell, afirmou que o episódio tem "as impressões digitais da crise climática". O estudo do World Weather Attribution alerta para a necessidade de uma eliminação rápida dos combustíveis fósseis. O próximo marco será a resposta dos serviços de emergência nos países que agora enfrentam o pico do calor, enquanto as autoridades contabilizam vítimas e avaliam a resiliência das infraestruturas.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Uma onda de calor mortal de intensidade sem precedentes está devastando a Europa, levando os hospitais ao limite e causando inúmeras mortes por afogamento à medida que as pessoas procuram alívio. Os cientistas confirmam que as alterações climáticas causadas pelo homem são o motor inegável, e a crise é um alerta severo de um mundo em rápido aquecimento. As autoridades estão a implementar medidas de emergência como a proibição do álcool, mas a situação continua grave enquanto o calor se desloca para leste.
A Europa está a cambalear sob uma grave onda de calor que saturou os hospitais e causou centenas de mortes, com temperaturas acima dos 35 graus para milhões de pessoas. O continente, não habituado a um calor tão extremo, luta para lidar com a situação à medida que o tempo escaldante se desloca para leste. As autoridades alertam para mais sofrimento, expondo a vulnerabilidade da Europa a um calor que raramente sente.
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