
Ombudsman da UE investiga von der Leyen por chat secreto com Zelensky e líderes europeus
A investigação por falta de transparência coincide com tensões diplomáticas entre Israel e a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, expondo divisões na política externa do bloco.
A Provedora de Justiça Europeia, Teresa Anjinho, abriu uma investigação à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, centrada na recusa de acesso a um chat secreto que manteve com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e líderes de quatro países europeus. A decisão, noticiada pelo Berliner Zeitung e confirmada por outros meios, decorre de um pedido da organização neerlandesa Follow the Money, ao qual a Comissão respondeu que a divulgação das mensagens poderia “prejudicar as relações internacionais da UE com países terceiros”. O chat, cuja existência foi revelada em janeiro, incluía o chanceler alemão, Friedrich Merz, o presidente francês, Emmanuel Macron, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e terá abordado estratégias para lidar com o então presidente dos EUA, Donald Trump.
Na perspetiva de Bruxelas, a recusa enquadra-se na proteção de canais diplomáticos sensíveis, mas a ombudsman considera que pode violar as regras de transparência da UE. A investigação, que deverá prolongar-se por vários meses, terá uma primeira reunião entre representantes da Comissão e o gabinete de Anjinho até meados de julho. Analistas russos, citados pela imprensa de Moscovo, consideram que, mesmo que o conteúdo do chat venha a público, é improvável que von der Leyen enfrente sanções significativas, dado o que descrevem como uma “gestão semiautoritária” da Comissão. Para estes observadores, a correspondência revelaria sobretudo “a verdadeira atitude russofóbica” dos líderes europeus, mas a chefe do executivo comunitário fará tudo para atrasar ou impedir a divulgação.
O caso coincide com um outro foco de tensão na política externa europeia: o veto de Israel à alta representante para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, acusada de comentários antissemitas. Enquanto Telavive cortou contactos com Kallas, a comissária para o Mediterrâneo, Dubravka Suica, realizou uma visita sem sobressaltos a Israel, reunindo-se com o presidente Isaac Herzog e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Gideon Sa’ar. O contraste foi criticado pelo antecessor de Kallas, Josep Borrell, que ironizou nas redes sociais sobre a “falta de solidariedade e coordenação na UE”. A situação alimenta um pulso mais amplo pelo controlo da política externa do bloco: França e Alemanha, segundo o Financial Times, propuseram que o Serviço de Ação Externa, liderado por Kallas, passasse para a alçada da Comissão de von der Leyen, acusada por alguns de centralizar poder.
A dupla crise expõe fissuras na liderança de von der Leyen, que já anunciou não se recandidatar a um terceiro mandato em 2029, e testa os mecanismos de responsabilização dentro da UE. Enquanto a investigação da ombudsman avança, o Parlamento Europeu e as capitais nacionais acompanham os desenvolvimentos, num momento em que a arquitetura institucional da política externa comum está sob escrutínio. A próxima etapa concreta será a reunião de julho entre a Comissão e a ombudsman, que poderá determinar se o executivo comunitário será obrigado a revelar o conteúdo do chat ou a justificar de forma mais detalhada a sua recusa.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A Provedora de Justiça Europeia está a investigar von der Leyen por um chat secreto com Zelensky e outros líderes. Os especialistas prevêem que o inquérito não levará a sanções significativas, mas realça a falta de transparência da Comissão.
A Provedora de Justiça Europeia abriu um processo contra a Comissão por se recusar a dar acesso à correspondência num chat privado entre von der Leyen, Zelensky e outros líderes. A investigação diz respeito apenas ao cumprimento das regras de transparência, não ao conteúdo das conversas.
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