
Ucrânia intensifica ataques a refinarias e provoca crise de combustíveis na Rússia
Ofensiva com drones atinge infraestrutura energética russa, causa racionamento em dezenas de regiões e altera cálculos diplomáticos de Washington.
A campanha ucraniana de ataques com drones contra a infraestrutura petrolífera russa provocou a mais grave escassez de combustíveis dos últimos anos na Federação Russa, com restrições à venda de gasolina e gasóleo em pelo menos 53 regiões, incluindo a Crimeia anexada. O Presidente Volodymyr Zelensky anunciou que deu instruções aos serviços secretos e às forças armadas para atuarem de forma preventiva contra instalações que a Rússia utiliza para expandir o esforço de guerra. Nas últimas 48 horas, a maior refinaria de Moscovo foi atingida e ficará offline durante um mínimo de seis meses, segundo fontes industriais citadas pela Reuters, enquanto um depósito de petróleo em Krasnodar ardia após a queda de destroços de um drone abatido.
Na perspetiva de Kiev, a estratégia de golpear a logística energética russa é uma resposta justificada aos bombardeamentos russos contra cidades e infraestruturas ucranianas e visa forçar Moscovo a aceitar negociações. Zelensky sublinhou que a escassez de combustível já se faz sentir em mais de 60 regiões russas e que a Rússia está a deslocar sistemas de defesa aérea para proteger Moscovo e a ponte de Kerch, deixando outras áreas mais expostas. Do lado russo, o Ministério da Defesa reportou ter intercetado 269 drones ucranianos numa só noite, mas as autoridades regionais confirmaram mortes de civis em Bryansk, Belgorod e na Crimeia. O Kremlin, através do ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, manifestou “irritação crescente” com a mudança de tom da administração norte-americana e exigiu esclarecimentos sobre o que foi discutido na cimeira do G7 em França.
A vaga de ataques teve implicações diretas no abastecimento interno russo e nos mercados globais. A produção de derivados de petróleo na Rússia caiu 13,5% em maio face ao ano anterior, e o vice-primeiro-ministro Alexander Novak admitiu que o governo pondera proibir a exportação de gasóleo. A Agência Internacional de Energia classificou o nível de perturbação da capacidade de refinação russa, estimado em mais de 20%, como “sem precedentes” desde o início do conflito. A companhia aérea israelita El Al suspendeu os voos entre Telavive e Moscovo por razões de segurança, um sinal do alastramento da instabilidade regional. Para economias lusófonas importadoras de combustíveis, como as de vários países africanos, a volatilidade dos preços do petróleo decorrente da disrupção da oferta russa é acompanhada com preocupação por analistas em Lisboa e Luanda.
O contexto diplomático regista uma aparente inflexão na retórica de Washington. O Presidente Donald Trump afirmou que Zelensky “está a sair-se bastante bem” e descreveu-o como “corajoso”, depois de, na cimeira do G7, ter manifestado interesse em reimpor sanções ao petróleo russo. Fontes europeias citadas pela Foreign Policy indicam, porém, que a Casa Branca evita condenações públicas a Moscovo para não prejudicar as negociações. A Ucrânia aguarda decisões dos parceiros ocidentais sobre o reforço da capacidade de ataque de longo alcance, enquanto a Rússia estuda a importação de combustíveis e flexibiliza normas de qualidade para a produção de gasolina. O dossiê permanece num impasse: Moscovo insiste na cedência de toda a região do Donbass, linha que Kiev rejeita, e não há data prevista para uma nova ronda de conversações.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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