
Olheiro de modelos ligado a Epstein é encontrado morto em França
Daniel Siad, de 69 anos, investigado por alegado recrutamento de mulheres para o financista norte-americano, foi achado sem vida na sua casa nos arredores de Paris; a autópsia determinará a causa da morte.
O cidadão franco-sueco Daniel Siad, antigo olheiro de modelos, foi encontrado morto na noite de segunda-feira na sua residência em Colombes, na periferia de Paris, confirmou na quarta-feira a procuradoria de Nanterre. Siad, de 69 anos, estava sob investigação em França por suspeitas de violação e tráfico de seres humanos, no âmbito de um inquérito mais amplo sobre a rede de exploração sexual do financista Jeffrey Epstein. As autoridades abriram uma investigação para apurar as causas do óbito e ordenaram a realização de uma autópsia, não havendo ainda uma versão oficial sobre as circunstâncias da morte.
Pelo menos cinco mulheres apresentaram queixas contra Siad, acusando-o de crimes sexuais e de as ter aliciado para encontros com Epstein. A ex-modelo sueca Ebba Karlsson, primeira denunciante, afirmou ter sido violada por Siad aos 20 anos e posteriormente apresentada a Gérald Marie, antigo diretor da agência Elite. O coletivo “Victorious Angels – WE RISE”, que representa vítimas de abusos na indústria da moda, manifestou frustração e choque, considerando que a morte do suspeito pode privar as sobreviventes de justiça. A defesa de Siad sustentou que o agente era inocente e que, a confirmar-se um ataque cardíaco, a pressão e a angústia da longa espera judicial terão contribuído para o desfecho.
O nome de Siad aparece mais de mil vezes nos ficheiros desclassificados do caso Epstein, divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA. As mensagens trocadas com o financista, ao longo de uma década, mostram o olheiro a propor jovens de vários países, incluindo menores, e a descrever o seu trabalho como o de um “pescador”. A morte de Siad sucede-se à de Epstein, encontrado enforcado na prisão em 2019, e à do agente de modelos Jean-Luc Brunel, que se suicidou na cadeia em 2022 enquanto aguardava julgamento por crimes semelhantes. A procuradoria de Paris informou que o processo individual contra Siad será arquivado, mas que a investigação mais vasta sobre a rede de tráfico de pessoas ligada a Epstein prossegue.
Até ao momento, as autoridades não confirmaram qualquer indício de crime na morte de Siad. A companheira de quarto, de 28 anos, relatou tê-lo encontrado inanimado na cozinha. A causa exata permanece por determinar, aguardando-se os resultados da autópsia. O caso reacendeu o debate público sobre a proteção das vítimas e a celeridade da justiça, com advogados de denunciantes a criticarem a atuação da procuradoria de Paris, que, segundo eles, tardou em deter o suspeito apesar das múltiplas acusações.
| Imprensa europeia continental | −0.70 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa russa e CEI | 0.00 | neutral |
| Imprensa do Golfo árabe | 0.00 | neutral |
As vítimas e a sociedade civil exigem justiça; a morte de Siad é mais uma prova de um sistema de impunidade.
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