
Bancos da Ásia e Golfo ampliam lucros e turismo acelera em Abu Dhabi e Marrocos
Instituições financeiras na Índia, Indonésia e Emirados Árabes superam previsões no semestre, enquanto fluxo de visitantes aos dois destinos cresce acima de 6%.
O primeiro semestre de 2026 confirmou a solidez de bancos em mercados emergentes e a recuperação vigorosa do turismo no Médio Oriente e Norte de África. Os resultados trimestrais ou semestrais divulgados esta semana revelam lucros em forte alta e uma qualidade de ativos em melhoria, ao mesmo tempo que Abu Dhabi e Marrocos registam crescimento sustentado de visitantes e receitas externas, reforçando estratégias de diversificação económica.
Na Índia, o IDFC First Bank mais do que duplicou o resultado líquido, para 1.075 milhões de rupias, com a margem financeira a atingir 5,96% e as provisões a diminuírem. O AU Small Finance Bank, também um credor de menor dimensão, avançou 37% nos lucros, sustentado por uma carteira de crédito em expansão de 23%. Na Indonésia, o banco digital Bank Jago lucrou 189 milhões de rupias no semestre, mais 49%, alargando a base de clientes para 20,1 milhões graças a parcerias com plataformas de investimento. No Golfo, o Rak Bank e o Abu Dhabi Commercial Bank beneficiaram do dinamismo das receitas não financeiras e da queda do malparado — no ADCB, o rácio de crédito vencido recuou para 1,71%, o nível mais baixo da sua história.
O turismo apresentou números igualmente robustos. Abu Dhabi mantém a meta de atrair 39,3 milhões de visitantes anuais até 2030 e de elevar a contribuição do setor para 90 mil milhões de dirhams. Em maio de 2026, a ocupação hoteleira situou-se em 64%, com os turistas indianos a aumentarem 22% face ao ano anterior. Marrocos recebeu 9,4 milhões de viajantes no primeiro semestre, mais 6%, impulsionado por mercados europeus e norte-americanos; as receitas cambiais do setor atingiram 53,8 mil milhões de dirhams até maio, uma subida de 14,6%.
Na perspetiva de Lisboa, o crescimento marroquino acentua a concorrência pelas preferências de viajantes europeus, enquanto analistas em São Paulo notam que a evolução dos bancos indianos e indonésios oferece um termo de comparação para as instituições brasileiras de menor porte, embora os ambientes regulatórios sejam distintos. O próximo semestre será crucial para verificar se esta trajetória de expansão dos lucros e do turismo se mantém, num contexto global marcado por incertezas sobre o crescimento económico e a volatilidade dos preços de matérias-primas.
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