
Super El Niño ameaça África com perdas de 20 mil milhões de dólares e migrações em massa
Banco Africano de Desenvolvimento estima impacto de 1% a 2% no PIB dos países mais afetados, enquanto crise alimentar se agrava e obras de prevenção são negligenciadas na América Latina.
O fenómeno climático El Niño, com 97% de probabilidade de ocorrência e 81% de probabilidade de ser muito forte neste ano, poderá infligir perdas económicas entre 10 mil e 20 mil milhões de dólares aos países africanos mais expostos, segundo Anthony Nyong, diretor para alterações climáticas do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD). A estimativa, a primeira divulgada por um banco multilateral de desenvolvimento, aponta para uma redução do Produto Interno Bruto (PIB) entre 1% e 2% nas nações severamente afetadas.
O mecanismo do El Niño — aquecimento anómalo do Oceano Pacífico — traduz-se em secas pronunciadas, tempestades e inundações que comprometem a segurança alimentar e hídrica, danificam infraestruturas e pressionam finanças públicas e sistemas bancários. O BAD alerta para o risco de os governos caírem numa “armadilha do financiamento climático”, desviando verbas da saúde e educação para fazer face às emergências. A experiência do episódio de 2023-2024 é ilustrativa: seca severa na África Austral, chuvas torrenciais no Leste, quebras generalizadas de colheitas, preços recorde de alimentos e perdas de 330 milhões de dólares para os agricultores só neste ano.
Os impactos projetados estendem-se por todo o continente, mas concentram-se em países já frágeis como Sudão, Sudão do Sul, República Democrática do Congo, Somália, Mali, Burundi e Nigéria. Esta última, de acordo com a rede FEWS NET, poderá ter entre 16 e 17 milhões de pessoas em situação de fome aguda até janeiro de 2027. Na África lusófona, Moçambique ainda recupera do ciclone Idai de 2019, um exemplo de como os efeitos podem prolongar-se por anos. Do outro lado do Atlântico, a América Latina também se prepara: no Peru, mais de 11.600 milhões de soles em obras de prevenção continuam por executar, enquanto o Estado resgatou a petrolífera pública Petro-Perú com sucessivas injeções de capital; na Colômbia, a empresa EPM luta para elevar o nível das albufeiras de hidroelétricas como Hidroituango, condicionada por exigências ambientais e regras de operação.
Perante o cenário, o BAD anuncia para setembro um seminário interno para reavaliar a carteira de investimentos e reestruturar projectos. O banco procurará mobilizar fundos adicionais junto do Green Climate Fund e de outros mecanismos, estimando que as necessidades de adaptação de África possam ascender a 100 mil milhões de dólares este ano. A resposta ao Super El Niño, porém, não depende apenas da capacidade financeira: exige decisões políticas que priorizem a proteção das populações face a um clima que, como advertem analistas em Lima, “já não espera”.
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.30 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | −0.70 | critical |
| Imprensa chinesa | 0.00 | neutral |
| Imprensa africana subsaariana | −0.50 | critical |
Africa is the victim of an impending calamity that requires solidarity and preventive action.
The narrative generalizes the threat across the continent, using figures and catastrophic scenarios to create a sense of shared urgency, without delving into political responsibilities or internal inequalities.
Omits criticism of local governments for lack of preparedness or mismanagement of resources, which appears in other blocs.
Governments chose to bail out companies instead of investing in climate prevention, and now the people bear the consequences.
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Adopts a purely informative style, presenting figures and statements without interpretation, which conveys impartiality but also emotional distance.
Omits any analysis of political causes or inequalities, as well as the context of migration and social vulnerability.
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Omits the direct link to El Niño and the continental picture, focusing on one country and short-term forecasts.
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