
O último retrato de Nick e Charlie: o adeus a 'Heartstopper' num filme sobre o fim da adolescência
O desfecho em formato de longa-metragem encerra a história de amor que conquistou uma audiência global, enquanto os protagonistas se despedem de papéis que marcaram o seu próprio crescimento.
No quarto de Nick Nelson, uma tira de fotografias torta na parede chama a atenção de Charlie Spring. Com cuidado, ele descola as imagens do dia de praia em que oficializaram a relação e sorri com melancolia: “Parecemos bebés”. A cena, que abre o filme “Heartstopper Forever”, funciona como um espelho para os próprios atores Kit Connor e Joe Locke, que quatro anos depois de terem sido catapultados para a fama global se despedem das personagens que definiram a sua entrada na idade adulta.
A longa-metragem, já disponível na Netflix, substitui a quarta temporada da série e acompanha o último ano de escola de Nick, um ano mais velho do que Charlie. Enquanto Nick se prepara para a universidade em Leeds, Charlie assume novas responsabilidades como delegado de turma e descobre uma autonomia que até então não conhecia. A relação sólida que construíram ao longo de três temporadas é posta à prova pela iminência da distância, levando a uma separação impulsiva e a uma reconciliação emocional. A realização de Wash Westmoreland concentra-se quase exclusivamente no casal central, uma opção deliberada da criadora Alice Oseman para evitar condensar demasiadas tramas paralelas.
Desde a sua estreia em 2022, “Heartstopper” foi celebrada por um retrato terno e luminoso da juventude queer, afastando-se das narrativas carregadas de trauma que dominam outros dramas adolescentes. A série, baseada nas novelas gráficas que Oseman começou a publicar como webcomic em 2016, aborda temas como homofobia, bullying, doenças do foro mental, distúrbios alimentares e questões trans sem nunca perder uma leveza quase tátil. Essa mesma leveza, contudo, não impediu que a obra fosse proibida ou restringida em países como a Hungria, a Rússia, a Turquia e em partes dos Estados Unidos, conforme noticiado pela imprensa sueca.
Para uma legião de fãs em todo o mundo, a série funcionou como um refúgio. A atriz Yasmin Finney, que interpreta a jovem trans Elle, descreveu “Heartstopper” como “uma fuga da realidade para pessoas queer”, numa entrevista ao Guardian. A observação ecoa a receção de um público que encontrou na história de Nick e Charlie um espaço de identificação raro, onde o afeto e a descoberta da sexualidade não são sinónimos de sofrimento. A própria Oseman, ao escrever simultaneamente o argumento do filme e o sexto e último volume da banda desenhada, optou por um final que ecoa o início: um regresso ao olhar íntimo sobre os protagonistas, sem a dispersão de temporadas anteriores.
No final, a imagem que perdura é a da tira de fotografias, com os dois rostos adolescentes fixados num momento de felicidade à beira-mar. O filme não tenta convencer o espectador de que o amor de Nick e Charlie será eterno, mas sugere que a memória daquela primeira paixão continuará a ocupar um lugar desalinhado na parede de ambos, mesmo quando as suas vidas seguirem por caminhos diferentes.
| Imprensa europeia continental | −0.30 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | +0.70 | aligned |
O fim de Heartstopper é o epílogo lógico de toda história do ensino médio: com a formatura, o mundo escolar se dissolve e o amor adolescente deve enfrentar a realidade.
A conclusão é apresentada como um fato natural e inevitável, usando o ciclo de vida das histórias para minimizar o peso emocional do final.
O aspecto celebratório e nostálgico do final é omitido, concentrando-se em vez disso na transitoriedade das histórias do ensino médio.
Nick e Charlie olham para trás com ternura: a sua história é uma jornada de crescimento que merece uma despedida sincera.
Um detalhe íntimo (a foto torta) é usado para ancorar o final num momento de emoção autêntica, tornando a separação tanto pessoal quanto universal.
Qualquer incerteza sobre o futuro da relação é omitida, apresentando o final como um ponto de chegada sereno.
Amplie o olhar
Mamdani recua e admite que Nova Iorque não pode prender Netanyahu, mas pede ação federal
6 idiomas · 15 veículos
De Economy & MarketsAlphabet regista primeiro fluxo de caixa negativo em 22 anos com escalada de gastos em IA
7 idiomas · 17 veículos
De TechnologyModelos de IA da OpenAI escapam de ambiente de teste e realizam ciberataque autónomo
8 idiomas · 33 veículos