
O silêncio depois do último acorde: a música chora três perdas
Em poucos dias, o jazz, o folclore argentino e a memória do cinema perderam Oliver Jones, Alberto Ovando e Plas Johnson, intérpretes cujas notas moldaram identidades sonoras em três países.
Em setembro de 2024, o pianista Oliver Jones foi recebido na Câmara Municipal de Montreal para celebrar os seus 90 anos. A vereadora Ericka Alneus recordaria mais tarde ter ficado «sem fôlego e inspirada pela sua presença e grande humanidade». Menos de um ano depois, na noite de quarta-feira, o músico morreu aos 91 anos, após uma longa doença. A notícia desencadeou uma torrente de homenagens que sublinharam não apenas o virtuosismo técnico, mas a generosidade discreta de um homem que, nas palavras do músico Gregory Charles, «não era muito extravagante, não era muito loquaz, sem um pingo de ego ou malícia».
A trajetória de Jones confunde-se com a do jazz montrealense. Nascido no bairro de Little Burgundy, começou a tocar piano aos cinco anos e partiu em 1963 para Porto Rico, onde foi diretor musical da banda de Kenny Hamilton. Regressou a Montreal no início dos anos 1980, precisamente quando o Festival Internacional de Jazz da cidade dava os primeiros passos. O cofundador do festival, André Ménard, contou à Radio-Canada que acompanharam o seu regresso e lhe davam palco sempre que ele quisesse, mas Jones «queria sempre chegar com algo diferente da última vez». A sua admiração por Oscar Peterson era total, e o último concerto de Peterson em Montreal, em 2004, foi partilhado com Jones, num gesto de passagem de testemunho que emocionou a plateia.
Enquanto Montreal se despedia de Jones, o folclore argentino recebia outro golpe. No domingo, 19 de julho, morreu Alberto José Ovando, barítono, bombista e quenista que integrou Los Fronterizos, agrupamento nascido em Salta em 1953 e convertido num dos pilares da música popular argentina. A formação, que contou com vozes como as de Gerardo López e César Isella, foi protagonista do chamado «boom do folclore» de meados do século XX e participou na histórica gravação da Misa Criolla, de Ariel Ramírez, em 1964. Nas redes sociais, os companheiros despediram-se de Ovando com uma mensagem que evocava «a sua voz, o seu compromisso e o seu imenso coração», enquanto admiradores partilhavam fotografias e zambas, num luto que, segundo observadores em Salta, reavivou a memória de uma época em que a música do norte argentino conquistou palcos como o Carnegie Hall.
Quase em simultâneo, o saxofonista norte-americano Plas Johnson morria aos 94 anos em Granada Hills, Los Angeles. O seu nome permanecerá indissociavelmente ligado ao solo de saxofone que abre o tema de A Pantera Cor-de-Rosa, composto por Henry Mancini em 1963. A banda sonora valeu uma nomeação aos Óscares, três Grammys e o 20.º lugar na lista do American Film Institute das melhores de sempre. Johnson, porém, foi muito mais do que esse solo: músico de estúdio incansável, gravou com Ella Fitzgerald, Frank Sinatra, Nat King Cole, B.B. King e Marvin Gaye, entre dezenas de outros. A imprensa norte-americana recordou-o como um artesão discreto cujo sopro ajudou a definir a textura sonora de uma era.
A coincidência destas três mortes num curto intervalo de dias sublinha o desaparecimento de uma geração de músicos que transitou entre os cabarés, os estúdios e os grandes festivais, construindo pontes entre a tradição e a modernidade. Em Montreal, a organização de arte pública MU confirmou que o mural dedicado a Oliver Jones em Little Burgundy está a ser restaurado, como se a cidade quisesse fixar a imagem do pianista no próprio bairro que o viu crescer. Em Salta, as redes sociais encheram-se de gravações antigas de Los Fronterizos, e a voz de Ovando voltou a soar nas zambas que embalaram gerações. E, em Los Angeles, o solo de A Pantera Cor-de-Rosa continuará a deslizar pelos altifalantes do mundo, um eco permanente de um músico que, seis dias antes de completar 95 anos, se despediu sem alarde.
| Imprensa russa e CEI | +0.10 | neutral |
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| Imprensa latino-americana | +0.40 | aligned |
| Imprensa atlântica / anglosfera | +0.80 | aligned |
A morte do pianista de jazz canadense Oliver Jones é registrada com detalhes biográficos precisos e honrarias oficiais. O foco está nos marcos de sua carreira, não nas emoções pessoais.
Ao confiar em fontes oficiais (CTV News, Ordem do Canadá) e uma lista cronológica de conquistas, o relatório estabelece um tom autoritário e neutro, evitando comentários subjetivos.
As homenagens emocionais de colegas e políticos de Montreal, que teriam introduzido um tom pessoal e celebratório, estão ausentes.
O folclore argentino está de luto pela perda de Alberto José Ovando, cuja voz e compromisso permanecerão na história. Também é relatada a morte de Plas Johnson, saxofonista da Pantera Cor-de-Rosa.
O uso de linguagem emocional ('de luto', 'profundo dolor') e homenagens da comunidade cria um sentimento de luto coletivo por Ovando, enquanto a reportagem factual sobre Johnson mantém o equilíbrio jornalístico.
A morte do pianista canadense Oliver Jones, que teria desviado o foco das figuras culturais latino-americanas, não é mencionada.
Oliver Jones foi um grande homem e um grande pianista, seu legado é imenso e Quebec se lembrará dele para sempre.
Ao coletar homenagens pessoais de figuras proeminentes (Gregory Charles, André Ménard) e usar linguagem superlativa, a cobertura humaniza Jones e o eleva a um status lendário, tornando a perda pessoal para o leitor.
As mortes de Plas Johnson e Alberto José Ovando, que teriam contextualizado a perda em uma onda mais ampla de mortes de músicos, são omitidas para manter o foco exclusivamente no herói local.
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