
San Fermín: cornada no rosto, um folião detido e o centenário de Hemingway
No quinto encierro, um corredor foi colhido no rosto e doze outros ficaram feridos, enquanto um folião era detido por tocar num touro e a praça de touros vivia uma tarde de extrema dureza.
O touro negro separou-se da manada logo nos primeiros metros do percurso de 875 metros, arremetendo contra um grupo de corredores que se comprimia nas ruas estreitas de Pamplona. O corno atingiu em cheio o lado do rosto de uma mulher, num golpe que lhe provocou um ferimento penetrante. Foi o momento mais grave de um encierro caótico, o quinto das festas de San Fermín, que terminou com 13 pessoas assistidas — uma cornada facial e uma dúzia de contusões, hematomas cranianos e fraturas, segundo o Hospital Universitário de Navarra. Os corpos caíam sobre os paralelepípedos, provocando amontoados, enquanto muitos corredores pareciam alheios aos animais que lhes roçavam as costas. A última morte nos encierros de Pamplona ocorreu em 2009, mas as colhidas e fraturas são frequentes, em parte devido à afluência de novatos e turistas estrangeiros que se juntam aos locais experientes.
A jornada matinal ficou também marcada pela intervenção da polícia municipal, que identificou e sancionou um corredor norte-americano, Lacey Mrzena, conhecido nas redes como “Joker” por se fantasiar do vilão da Batman. Mrzena foi filmado a gravar com o telemóvel e a tocar num dos touros durante a corrida, infrações que violam a normativa local e podem implicar multas até 6.000 euros. Horas antes, já tinha sido derrubado por uma vaca noutro evento da festa. A sua detenção na praça de touros, partilhada pelas autoridades nas redes sociais, reacendeu o debate sobre a presença de turistas imprudentes num ritual que, para os locais, exige respeito e conhecimento. O corredor donostiarra Teo Lázaro, comentador da RTVE, foi taxativo: “Este jovem não deveria estar no encierro. É facilmente localizável e já anda a fazer o índio há vários dias”.
À tarde, a mesma praça foi palco de uma corrida que, na opinião de críticos espanhóis, ficará como uma das mais ásperas da temporada. Os touros de José Escolar, descritos como “montaraces” e “pré-históricos”, não exibiram bravura nem casta nobre, mas um instinto carnívoro que transformou a lide num exercício de sobrevivência. O mexicano Isaac Fonseca conseguiu arrancar uma orelha ao sexto touro, num esforço que lhe valeu o reconhecimento do público. Já o colombiano Juan de Castilla foi violentamente colhido pelo quinto animal, sofrendo uma fratura no pé, e abandonou a arena entre ovações, com um fio de sangue na têmpora. Antonio Ferrera, o terceiro matador, enfrentou um lote infernal e só conseguiu matar o seu primeiro oponente após dois avisos, num trâmite que a crítica local considerou “uma proeza”. A própria morte dos animais foi difícil: um deles, ao sentir o aço, fugiu para as tábuas como uma exalação.
Este ano, o festival assinala o centenário da publicação de “O Sol Também se Levanta” (título original “The Sun Also Rises”, traduzido em espanhol como “Fiesta”), o romance de Ernest Hemingway que catapultou Pamplona para o imaginário global. A obra, que definiu a “geração perdida” e se tornou um pilar do cânone literário norte-americano, continua a atrair milhares de estrangeiros, sobretudo norte-americanos — em 2022, representavam 16% dos corredores, o maior grupo forasteiro e quatro vezes mais do que os franceses. Bill Hillmann, um escritor de Chicago que já foi colhido três vezes, regressou este ano por considerar a efeméride irresistível. “Quando acabei o livro, ia ser escritor e corredor de touros”, recordou, resumindo o fascínio que leva tantos a arriscar a vida nas ruas de Pamplona. No final do sábado, a imagem do corno negro a abrir caminho entre a multidão permanecia como um lembrete silencioso da linha ténue entre a coragem e a temeridade.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | −0.80 | critical |
| Imprensa europeia continental | −0.30 | critical |
A corrida de touros de San Fermín é um evento perigoso que causou ferimentos.
Ao citar o número de feridos e descrever o caos, o relatório apresenta o evento como um incidente de segurança que fala por si.
O relatório omite qualquer referência ao caso de estupro coletivo de 2016 (La Manada) associado ao festival.
O festival de San Fermín é um local de violência sexual sistêmica, exemplificado pelo caso La Manada.
Ao projetar o caso de estupro de 2016 no festival atual, a narrativa transforma a corrida de touros em um símbolo de violência patriarcal, em vez de um evento independente.
O relatório omite os detalhes da corrida de touros (chifradas, feridos, caos da multidão) para se concentrar exclusivamente no caso de agressão sexual.
A corrida de touros de San Fermín foi perigosamente caótica devido a um touro rebelde, e a tourada subsequente foi artisticamente decepcionante.
Ao fornecer descrições detalhadas e internas do comportamento do touro e do desempenho dos matadores, o relatório estabelece autoridade e enquadra o evento como uma questão de crítica técnica e cultural.
O relatório omite qualquer referência ao caso de agressão sexual La Manada de 2016 e à crítica social mais ampla sobre violência de gênero.
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