
Moscovo reafirma compromisso com entendimentos do Alasca e rejeita soluções provisórias para a Ucrânia
Responsáveis russos reiteram a adesão aos acordos de Ancorage, mas acusam Washington de se afastar do espírito da cimeira e descartam ultimatos ou tréguas temporárias.
A liderança russa reafirmou esta semana, no fórum Primakov Readings em Moscovo, o compromisso com os entendimentos alcançados na cimeira de Ancorage entre Vladimir Putin e Donald Trump, em agosto de 2025, ao mesmo tempo que sinalizou impaciência com a ausência de resposta norte-americana e rejeitou qualquer solução interina para o conflito na Ucrânia. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, declarou que Moscovo permanece vinculada às propostas que, segundo a sua versão, foram apresentadas por Washington e aceites por Putin como um compromisso, mas que agora lhe são exigidas novas concessões. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, classificou como “construtiva” a postura dos enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, cuja visita a Moscovo está prevista sem data definida, e sublinhou que a Rússia não aceitará ultimatos ditados por terceiros.
Na perspetiva de Moscovo, os chamados “entendimentos de Ancorage” previam a retirada das forças ucranianas do restante Donbass não controlado pela Rússia em troca do congelamento das linhas de combate noutras frentes, abrindo caminho a negociações políticas mais amplas. Lavrov insistiu que a Rússia “nada cedeu” naquela ocasião e que a recusa em aceitar soluções temporárias se baseia na experiência do processo de Istambul, quando, segundo o ministro, Moscovo retirou tropas de Kiev como gesto de boa-fé e o acordo foi subsequentemente sabotado. O vice-ministro Serguei Riabkov acrescentou que Washington parece estar a afastar-se dos “entendimentos fundamentais” do Alasca e a aproximar-se das políticas anti-russas de aliados europeus como o Reino Unido e a França.
Do lado norte-americano, não há confirmação pública de que a cimeira de Ancorage tenha produzido um acordo vinculativo. Fontes em Washington, citadas pela imprensa britânica, descreveram os resultados como “desentendimentos de Ancorage”, e a administração Trump não se pronunciou formalmente sobre o conteúdo das propostas. Após o encontro do G7 em Évian, onde Trump se reuniu com Volodymyr Zelensky, o presidente francês Emmanuel Macron declarou que o espírito de Ancorage estava “enterrado” e os líderes do G7 acordaram reforçar a pressão sobre a economia de guerra russa, incluindo sanções energéticas. Kiev, por seu lado, mantém a recusa de ceder território e intensificou ataques com drones em profundidade no território russo, incluindo uma ofensiva contra uma refinaria em Moscovo, ações que Zelensky descreveu como pressão para forçar o diálogo.
O impasse diplomático é agravado pela deslocação do foco norte-americano para as negociações com o Irão, nas quais Witkoff e Kushner estão diretamente envolvidos. Moscovo interpreta esta pausa como um adiamento que beneficia o rearmamento ucraniano, enquanto analistas em Bruxelas observam que a Rússia enfrenta uma situação económica e militar crítica, com a intensificação dos ataques dentro do seu território. Apesar disso, o Kremlin insiste que qualquer negociação deve basear-se nos parâmetros de Istambul, nas modalidades de Ancorage e nas “realidades no terreno”, incluindo o reconhecimento das anexações territoriais consagradas na Constituição russa. O dossiê permanece num compasso de espera, com Moscovo a aguardar que os enviados norte-americanos retomem os contactos e clarifiquem a posição de Washington após a cimeira do G7.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Moscou insiste que os entendimentos de Anchorage entre Putin e Trump continuam sendo a única base para encerrar o conflito. A Rússia já fez compromissos e não aceitará novos ultimatos nem soluções temporárias. Ainda não está claro se Washington mudou de posição após a cúpula do G7, mas os enviados americanos serão ouvidos.
O apelo russo por conversações é visto como sinal de fraqueza: Putin está encurralado, com refinarias em chamas e pontes para territórios ocupados sob fogo. O espírito de Anchorage morreu, Trump teria regressado ao seio ocidental no G7, e para a Ucrânia e seus aliados é hora de explorar a vantagem e forçar o colapso, não de negociar.
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