
Moldávia nomeia investidor Vasile Tofan como premiê com meta de adesão à UE até 2028
Após demissão inesperada do antecessor, novo primeiro-ministro promete restaurar confiança e acelerar integração europeia em meio a escândalos de corrupção.
A presidente da Moldávia, Maia Sandu, nomeou no sábado o empresário e investidor Vasile Tofan como candidato a primeiro-ministro, depois da demissão surpresa de Alexandru Munteanu a 3 de julho. Tofan, de 44 anos, afirmou em conferência de imprensa que a sua principal meta é assinar o acordo de adesão à União Europeia até ao final de 2028, um objetivo que classificou como “ambicioso mas realista”. O novo chefe de governo terá agora 15 dias para apresentar ao Parlamento a composição do executivo e o seu programa, devendo obter um voto de confiança da maioria controlada pelo Partido da Ação e Solidariedade (PAS), força política de Sandu.
Na perspetiva de Chisinau, a escolha de Tofan procura responder a uma crise de confiança agravada por sucessivos escândalos. O antecessor Munteanu deixou o cargo alegando não poder continuar “de acordo com as suas convicções”, num momento em que investigações jornalísticas expunham a contratação de familiares da presidente para cargos públicos e a utilização de diplomas falsos por responsáveis da aviação civil. A oposição moldava sustenta que a demissão está diretamente ligada a essas revelações, enquanto Sandu negou envolvimento e agradeceu a Munteanu pelas “reformas difíceis mas necessárias”. Tofan, por seu lado, anunciou três prioridades: restaurar a confiança dos cidadãos, reativar o otimismo empresarial e construir uma equipa profissional para acelerar a integração europeia.
Tofan é sócio sénior do fundo Horizon Capital, que gere ativos superiores a 1,6 mil milhões de dólares e tem forte presença na Ucrânia e na Moldávia. Em 2025, fundou o movimento cívico “Europa 2028”, que reúne empresários em torno da meta de adesão à UE. A imprensa russa sublinha que o novo premiê residia em Kiev e que o seu fundo investiu mais de 700 milhões de dólares em projetos ucranianos, o que, na leitura de Moscovo, reforça o alinhamento de Chisinau com o Ocidente. Diplomatas europeus, contudo, recordam que a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, indicou em novembro de 2025 que a Moldávia, a Ucrânia, a Albânia e o Montenegro poderão concluir o processo de adesão até 2030, e que não existem atalhos para o clube comunitário.
A Moldávia, país encravado entre a Ucrânia e a Roménia, com uma maioria de língua romena e uma significativa minoria russófona, tem oscilado historicamente entre a esfera de influência europeia e a russa. Em outubro de 2024, um referendo constitucional sobre a adesão à UE coincidiu com as eleições presidenciais, nas quais Sandu foi reeleita com o apoio de Tofan. As negociações formais de adesão foram abertas em junho de 2024, mas o primeiro e mais exigente capítulo — que abrange o Estado de direito, a reforma judicial e o controlo financeiro — só será encerrado no final do processo. Observadores em Bruxelas notam que o novo governo terá de cumprir até agosto um conjunto de compromissos com a UE, enquanto a oposição interna e a desconfiança popular testam a margem de manobra do executivo. O voto parlamentar de investidura deverá ocorrer nas próximas semanas, sem obstáculos de monta dada a maioria do PAS.
| Imprensa russa e CEI | −0.30 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | −0.20 | neutral |
| Imprensa do Sudeste Asiático | 0.00 | neutral |
A Rússia projeta a nomeação de Tofan como uma interferência ucraniana, enfatizando sua residência e os investimentos da Horizon Capital na Ucrânia.
Ao destacar repetidamente a residência ucraniana de Tofan e os 700 milhões de dólares investidos na Ucrânia, insinua-se uma falta de independência e influência estrangeira sobre o novo governo moldavo.
O escândalo de corrupção que levou à renúncia do primeiro-ministro anterior é omitido, o que teria mostrado problemas internos do governo.
A Europa universaliza a crise política da Moldávia como um problema de corrupção, ligando a renúncia a um escândalo familiar.
Ao incluir o detalhe do escândalo de corrupção envolvendo a prima da presidente, a cobertura sugere que a nomeação de Tofan é uma reação a uma crise de confiança, não apenas uma escolha técnica.
O sudeste asiático relata a notícia de forma imparcial, sem tomar partido.
Ao limitar-se aos fatos básicos e declarações oficiais, a cobertura evita qualquer interpretação ou julgamento.
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