
Irão executa dois homens por alegada filiação ao Estado Islâmico
As execuções, realizadas em segredo, inserem-se numa vaga de sentenças de morte que se intensificou após o início do conflito no Médio Oriente, segundo organizações de direitos humanos.
As autoridades iranianas executaram na manhã de terça-feira, 15 de julho, Mohiyodin Abdollahi e Hossein Palani, condenados por «rebelião armada contra a República Islâmica» e por integrarem uma alegada célula do grupo Estado Islâmico. De acordo com o poder judicial, os dois homens foram detidos em 2017, após um confronto na região montanhosa de Bamu, na fronteira com o Iraque, onde três membros da Guarda Revolucionária morreram. A sentença, confirmada pelo Supremo Tribunal, foi executada na prisão de Dizel Abad, em Kermanshah, sem que fosse permitida uma última visita das famílias, segundo a Rede de Direitos Humanos do Curdistão.
Na perspetiva do poder judicial iraniano, divulgada pela agência Mizan, a célula tinha como objetivo reconstruir a estrutura do grupo após o seu colapso no Iraque e na Síria, recrutar combatentes e planear operações em território iraniano. O tribunal assegura que os arguidos tiveram acesso a advogados e que as provas incluíram relatórios das forças de segurança e confissões. Organizações internacionais de direitos humanos, como a Amnistia Internacional, e entidades sediadas na diáspora iraniana contestam a transparência destes processos, sublinhando que os julgamentos em tribunais de segurança decorrem à porta fechada e que as confissões podem ser obtidas sob tortura.
A execução ocorre num contexto de aumento acentuado do número de sentenças de morte no Irão. Dados compilados pela Organização dos Direitos Humanos do Irão indicam que, só em junho de 2025, pelo menos 101 pessoas foram executadas, e que, desde o cessar-fogo de abril, as autoridades aceleraram a aplicação da pena capital. O relator especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU alertou que a execução está a ser usada como instrumento de repressão, sobretudo contra participantes nos protestos de dezembro de 2024. Observadores em Teerão notam que a lei de agravamento das penas por espionagem, aprovada após a guerra de doze dias com Israel no verão passado, forneceu cobertura legal para a aceleração dos processos.
A diplomacia europeia e o governo brasileiro, que historicamente se opõem à pena de morte, ainda não se pronunciaram sobre este caso específico, mas analistas em Brasília recordam que o Brasil mantém canais de diálogo com o Irão e costuma condenar o recurso à execução em fóruns multilaterais. O dossiê permanece sem verificação independente, e as próximas etapas incluem a monitorização por parte dos mecanismos da ONU e a eventual emissão de comunicados conjuntos por países lusófonos no Conselho de Direitos Humanos.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.80 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa iraniana e afins | +0.70 | aligned |
| Imprensa africana subsaariana | 0.00 | neutral |
O regime iraniano usa a luta contra o terrorismo como pretexto para eliminar dissidentes e violar direitos humanos.
Enfatiza as condições prisionais e a falta de transparência para minar a credibilidade das acusações e da sentença.
Omite detalhes da célula terrorista e a confirmação do Supremo Tribunal, que estão presentes nos relatos do regime.
A República Islâmica executou dois terroristas após um julgamento regular, defendendo a segurança nacional.
Enfatiza a regularidade judicial e a ameaça terrorista para apresentar a execução como um ato legítimo e necessário.
Silêncio sobre as condições prisionais e as acusações de violações de direitos humanos levantadas por fontes externas.
O Irã executou dois membros condenados do ISIS, de acordo com fontes oficiais.
Relata apenas os fatos declarados pelas autoridades iranianas, sem verificação independente ou comentário, criando um relato aparentemente objetivo.
Não inclui críticas de direitos humanos nem detalhes sobre as condições prisionais presentes em outros relatos.
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