
AfD reelege líderes e dribla protestos em congresso na Turíngia
Cerca de 31 mil manifestantes tentaram bloquear o evento, mas a cúpula do partido foi reconduzida e prometeu 'governar sozinho' em breve.
O partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD) reelegeu no sábado (4) os copresidentes Alice Weidel e Tino Chrupalla durante congresso federal em Erfurt, no estado da Turíngia, apesar da tentativa de bloqueio por milhares de manifestantes. A polícia estimou a presença de 31 mil pessoas nas ruas — número inferior ao anunciado pelos organizadores, que falaram em 50 mil —, mas as operações de segurança, incluindo barreiras e escoltas, garantiram que a maioria dos 600 delegados chegasse ao centro de exposições antes do amanhecer, permitindo o início pontual dos trabalhos. Weidel foi reconduzida com 81% dos votos, enquanto Chrupalla obteve 70,05%, refletindo fissuras internas.
No seu discurso, Weidel definiu o momento como ‘a última oportunidade para salvar o nosso país’ e reiterou a promessa de ‘deportar com rigor’, uma referência à política anti-imigração bandeira do partido. Já Chrupalla descreveu os manifestantes como ‘último recurso dos nossos rivais políticos’ e acusou as forças de esquerda de atuarem ‘de forma antidemocrática’. Em resposta, a aliança Widersetzen (Resistência), que congregou sindicatos, grupos antifascistas e partidos de esquerda, defendeu que o objetivo era barrar um partido que, na sua avaliação, promove ‘políticas fascistas’ de exclusão étnica — posição ecoada por setores da sociedade civil que apontam para os paralelos simbólicos com o congresso nazi realizado há um século na vizinha Weimar, coincidência que a AfD nega ter sido intencional.
O congresso ocorre num momento em que a AfD lidera sondagens nacionais com 29% das intenções de voto, à frente do bloco conservador do chanceler Friedrich Merz (22%). Com as eleições regionais de setembro na Saxónia-Anhalt e no Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, a legenda poderá alcançar pela primeira vez o governo de um Estado federado, cenário sem precedentes no pós-guerra. A agência de informação interna da Alemanha classificou o partido como extremista em maio de 2025, mas o crescimento eleitoral persiste, alimentado pelo descontentamento económico e pela crise migratória, sobretudo nos länder do leste.
Para analistas russos, citados pela imprensa de Moscovo, a ascensão da AfD demonstra a capacidade do partido de ‘formular claramente os interesses do povo alemão e da sua economia’, leitura que ecoa declarações de Vladimir Putin em 2026. Já na Europa Ocidental, em particular em França e Itália, o fenómeno é visto como uma ameaça direta ao consenso democrático europeu, enquanto em Lisboa e Brasília observadores notam semelhanças com o fortalecimento de discursos soberanistas locais e manifestam preocupação quanto ao impacto nas relações UE-Mercosul caso as posturas protecionistas e anti-imigração se consolidem em Berlim.
O congresso foi encerrado sem incidentes graves, embora tenha havido confrontos isolados com uso de gás lacrimogéneo e a detonação de pirotecnia contra um escritório do partido. O próximo teste para a AfD será nas urnas de Saxónia-Anhalt, a 6 de setembro, onde um eventual triunfo absoluto poderia romper o cordão sanitário mantido pelas demais forças políticas e remodelar o tabuleiro político alemão. Entretanto, o debate sobre a proibição da legenda permanece em aberto, com juristas e líderes partidários divididos sobre a eficácia de um processo que, segundo avaliações correntes em Berlim, poderia antes fortalecer a narrativa de vitimização da ultradireita.
| Imprensa russa e CEI | +0.60 | aligned |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.70 | critical |
| Imprensa europeia continental | −0.20 | neutral |
The AfD consolidates its position despite external pressure, showing that political dissent cannot be silenced by street protests.
Protests are equated to an attempt at censorship, inverting the relationship between majority and minority: the party's legitimacy is asserted by contrasting it with the alleged illegitimacy of the demonstrations.
No mention is made of the content of the protests or the accusations of extremism against the AfD, which are central in Atlantic accounts.
German democracy is under attack from a far-right party that seeks to normalize intolerance, but citizens take to the streets to defend liberal values.
The threat is universalized: the AfD is not just a German party but a danger to the entire Western democratic order, and the protests become a bulwark against authoritarianism.
The electoral legitimacy of the AfD and the fact that it has gained popular support are not acknowledged, focusing only on extremist aspects.
The radical right-wing party holds its congress amid protests, confirming its presence but also its controversial position in the German political system.
A detached tone is adopted, presenting facts without emphasis, but with an implicit judgment of normalization: the AfD is a political actor like others, but the protests highlight its divisive nature.
The reasons for the protests and the specific positions of the AfD are not explored, maintaining a superficial description.
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