
Meteorito caído em Nova Jérsia revela moléculas orgânicas e água salgada, enquanto estudo reclassifica o asteroide que extinguiu os dinossauros
Análises de dois corpos celestes distintos, publicadas na Science Advances, reforçam a ligação entre condritos carbonáceos raros e a química prebiótica, ao mesmo tempo que uma investigação separada questiona o papel do impacto na evolução dos atuns.
Um fragmento de asteroide que perfurou o telhado de uma residência em Hillsborough, Nova Jérsia, em julho de 2024, revelou-se um dos meteoritos mais bem preservados para o estudo da química prebiótica. Os proprietários recolheram rapidamente 1,4 quilogramas de material, evitando a contaminação ambiental que costuma degradar este tipo de rocha. Publicada na revista Science Advances, a análise identificou aminoácidos, compostos de carbono e minerais formados por fluidos salinos — um ambiente aquoso primitivo nunca antes observado num corpo progenitor desta classe. Para os investigadores do Instituto SETI e do Museu de História Natural de Londres, a amostra oferece uma janela direta para os ingredientes que podem ter semeado a vida na Terra primitiva.
O meteorito de Hillsborough é classificado como condrito carbonáceo, uma categoria que representa apenas 5% dos espécimes recolhidos no planeta. A sua fragilidade torna excecional a recuperação de fragmentos com tão pouca alteração. A trajetória reconstruída a partir de registos de câmaras da American Meteor Society indica que o corpo se originou na região interna da cintura de asteroides, entre Marte e Júpiter. A presença de água salgada no seu passado sugere que o objeto fez parte de um protoplaneta onde reações químicas complexas ocorreram durante os primeiros milhões de anos do Sistema Solar.
Na mesma edição da Science Advances, uma equipa liderada pela Universidade de Paris divulgou a composição do asteroide que formou a cratera de Chicxulub e desencadeou a extinção do Cretácico-Paleogénico há 66 milhões de anos. Através da medição de isótopos de níquel em camadas de argila marinha depositadas após o impacto, os cientistas determinaram que o projétil de 10 a 15 quilómetros de diâmetro era uma condrita carbonácea da rara classe Ornans (CO). Este tipo de material, pobre em elementos voláteis como enxofre e carbono, é ainda mais escasso do que os condritos carbonáceos comuns. Na perspetiva de investigadores da Universidade da Colúmbia Britânica, o facto de um projétil tão invulgar ter atingido a Terra realça o acaso que selou o destino dos dinossauros não avianos.
Enquanto estes dois estudos sublinham o papel de meteoritos raros na história do planeta, uma investigação da Universidade de Yale, publicada nos Proceedings of the Royal Society B, contesta a ideia de que a extinção em massa tenha impulsionado diretamente a evolução dos atuns e de outros grandes predadores marinhos de sangue quente. Combinando dados genéticos e fósseis, a equipa concluiu que as características definidoras destes peixes — grande porte e endotermia — surgiram gradualmente ao longo de 50 milhões de anos, com pelo menos dois eventos de aquecimento corporal a ocorrer 10 a 15 milhões de anos após o impacto. O trabalho não encontrou correlação temporal entre a extinção e a diversificação dos escombrídeos.
Os próximos passos incluem a comparação dos minerais do meteorito de Hillsborough com as amostras recolhidas pelas missões Hayabusa2 e OSIRIS-REx nos asteroides Ryugu e Bennu, o que poderá esclarecer como os compostos prebióticos se distribuíram pelo Sistema Solar interior. No caso do impacto de Chicxulub, permanece em aberto a origem exata do asteroide, com hipóteses a apontar para as regiões exteriores da cintura de asteroides ou para as proximidades de Júpiter.
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A ciência revela a raridade do meteorito assassino e a presença de moléculas de vida em outro.
Baseia-se na autoridade da revista Science Advances e em técnicas analíticas avançadas para tornar as descobertas indiscutíveis.
Não menciona o estudo que desafia a ligação entre a extinção dos dinossauros e a evolução do atum.
A Universidade de Yale minimiza o papel do asteroide na evolução do atum.
Usa um estudo revisado por pares para desmantelar uma teoria de longa data, apresentando dados graduais.
Não faz menção às moléculas orgânicas encontradas no meteorito de Nova Jersey.
Um meteorito caído em uma casa se torna um tesouro científico inesperado.
Conta o evento através da experiência pessoal dos proprietários para tornar a ciência acessível e fascinante.
Não relata o estudo sobre a raridade do meteorito que matou os dinossauros nem a pesquisa sobre o atum.
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