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Economia e Mercadossegunda-feira, 6 de julho de 2026

Mercados latino-americanos divergem com plano argentino, alta de juros na Colômbia e estabilidade mexicana

Enquanto Buenos Aires sinaliza estratégia para dívida em dólar e Bogotá surpreende com aperto monetário, o peso mexicano mantém-se abaixo de 17,50 por unidade num cenário global de enfraquecimento da moeda americana.

O governo argentino prepara-se para apresentar nesta segunda-feira o plano de gestão dos vencimentos de dívida em dólar previstos para o biénio 2026-2027, num momento em que o dólar oficial atinge $1.510 para venda no Banco Nación e o paralelo (blue) se equipara ao mesmo patamar, reduzindo a brecha cambial a cerca de 2%. A cotação oficial acumulou semanas de alta, refletindo, segundo analistas em Buenos Aires, a menor oferta de divisas do setor agropecuário após o fim da safra grossa e a desaceleração na emissão de obrigações negociáveis. O Banco Central argentino, que já acumula compras líquidas superiores a US$11 mil milhões no ano, vê o mercado atento à sinalização do ministro da Economia, Luis Caputo, como próximo marco de credibilidade.

Em Bogotá, o peso colombiano acentuou a trajetória de valorização, com o dólar a abrir a semana em 3.330 pesos, uma queda de mais de mil pesos desde janeiro de 2025. A decisão da Junta do Banco de la República de subir a taxa de intervenção em 75 pontos base, para 12%, ampliou o diferencial de juros face à Reserva Federal e tornou os ativos em peso mais atrativos para o capital estrangeiro. A isto somou-se a divulgação de um dado de emprego nos Estados Unidos muito abaixo do esperado — apenas 57 mil novas folhas de pagamento em junho —, o que enfraqueceu o dólar globalmente. Observadores em Bogotá acrescentam que a chegada de um governo percebido como pró-mercado após as eleições presidenciais e o ritmo recorde de emissão de títulos de dívida interna (TES) também têm sustentado a procura pela moeda local, embora o espaço fiscal para novas colocações esteja a esgotar-se rapidamente.

Na Cidade do México, o peso opera com ligeira valorização, cotado a 17,45 por dólar, mantendo-se abaixo da barreira das 17,50 unidades. A moeda mexicana beneficia da expectativa de fluxos associados ao nearshoring e ao Mundial de Futebol de 2026, bem como da perspetiva de flexibilização das taxas pela Fed no final de 2025 e em 2026, o que tenderia a enfraquecer o dólar à escala global. As projeções de instituições financeiras e da Secretaria de Hacienda apontam, contudo, para um regresso a um intervalo entre 19,30 e 20,50 pesos por dólar no encerramento de 2026, o que sugere que a atual força do peso pode ser temporária.

O pano de fundo internacional é de um dólar sob pressão, com o índice da moeda americana a recuar após o fraco relatório de emprego nos EUA, enquanto o euro se mantém próximo de 1,14 dólares e o rublo russo ensaia uma ligeira recuperação face à moeda única europeia. O próximo marco factual a acompanhar será a apresentação do plano argentino para a dívida em dólar, que poderá influenciar as expectativas cambiais no Cone Sul, e a reação dos mercados emergentes à trajetória das taxas de juro americanas nas próximas reuniões da Fed.

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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Mercados latino-americanos divergem com plano argentino, alta de juros na Colômbia e estabilidade mexicana

Enquanto Buenos Aires sinaliza estratégia para dívida em dólar e Bogotá surpreende com aperto monetário, o peso mexicano mantém-se abaixo de 17,50 por unidade num cenário global de enfraquecimento da moeda americana.

O governo argentino prepara-se para apresentar nesta segunda-feira o plano de gestão dos vencimentos de dívida em dólar previstos para o biénio 2026-2027, num momento em que o dólar oficial atinge $1.510 para venda no Banco Nación e o paralelo (blue) se equipara ao mesmo patamar, reduzindo a brecha cambial a cerca de 2%. A cotação oficial acumulou semanas de alta, refletindo, segundo analistas em Buenos Aires, a menor oferta de divisas do setor agropecuário após o fim da safra grossa e a desaceleração na emissão de obrigações negociáveis. O Banco Central argentino, que já acumula compras líquidas superiores a US$11 mil milhões no ano, vê o mercado atento à sinalização do ministro da Economia, Luis Caputo, como próximo marco de credibilidade.

Em Bogotá, o peso colombiano acentuou a trajetória de valorização, com o dólar a abrir a semana em 3.330 pesos, uma queda de mais de mil pesos desde janeiro de 2025. A decisão da Junta do Banco de la República de subir a taxa de intervenção em 75 pontos base, para 12%, ampliou o diferencial de juros face à Reserva Federal e tornou os ativos em peso mais atrativos para o capital estrangeiro. A isto somou-se a divulgação de um dado de emprego nos Estados Unidos muito abaixo do esperado — apenas 57 mil novas folhas de pagamento em junho —, o que enfraqueceu o dólar globalmente. Observadores em Bogotá acrescentam que a chegada de um governo percebido como pró-mercado após as eleições presidenciais e o ritmo recorde de emissão de títulos de dívida interna (TES) também têm sustentado a procura pela moeda local, embora o espaço fiscal para novas colocações esteja a esgotar-se rapidamente.

Na Cidade do México, o peso opera com ligeira valorização, cotado a 17,45 por dólar, mantendo-se abaixo da barreira das 17,50 unidades. A moeda mexicana beneficia da expectativa de fluxos associados ao nearshoring e ao Mundial de Futebol de 2026, bem como da perspetiva de flexibilização das taxas pela Fed no final de 2025 e em 2026, o que tenderia a enfraquecer o dólar à escala global. As projeções de instituições financeiras e da Secretaria de Hacienda apontam, contudo, para um regresso a um intervalo entre 19,30 e 20,50 pesos por dólar no encerramento de 2026, o que sugere que a atual força do peso pode ser temporária.

O pano de fundo internacional é de um dólar sob pressão, com o índice da moeda americana a recuar após o fraco relatório de emprego nos EUA, enquanto o euro se mantém próximo de 1,14 dólares e o rublo russo ensaia uma ligeira recuperação face à moeda única europeia. O próximo marco factual a acompanhar será a apresentação do plano argentino para a dívida em dólar, que poderá influenciar as expectativas cambiais no Cone Sul, e a reação dos mercados emergentes à trajetória das taxas de juro americanas nas próximas reuniões da Fed.

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