
Senadores dos EUA anunciam acordo com Casa Branca para sancionar compradores de petróleo russo
Projeto bipartidário prevê tarifas de até 500% sobre importações de países que adquiram energia da Rússia, com aval de Trump para avançar no Congresso.
Quatro senadores norte-americanos anunciaram nesta sexta-feira ter chegado a um acordo com a administração de Donald Trump para destravar um projeto de lei que impõe sanções a países que comprem petróleo e gás natural da Rússia. A iniciativa, liderada pelos republicanos Lindsey Graham e Roger Wicker e pelos democratas Richard Blumenthal e Jeanne Shaheen, concede ao presidente a autoridade para aplicar tarifas de até 500% sobre importações provenientes de nações que mantenham esse comércio energético. O anúncio foi feito durante uma visita de Graham a Kiev, onde se reuniu com o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, e sinaliza uma mudança na postura do Executivo, que até então bloqueava o avanço da proposta.
Segundo fontes em Washington, o projeto reflete uma estratégia bipartidária para aumentar a pressão económica sobre Moscovo, num momento em que as negociações de paz continuam sem progressos visíveis. Na perspetiva dos senadores, a medida cria “ferramentas para extrair um custo elevado” de quem alimenta a “máquina de guerra” russa. Em Kiev, o gesto foi interpretado como um reforço da posição ucraniana no campo de batalha e na diplomacia. Zelenskyy agradeceu o apoio e sublinhou a importância de sanções de longo prazo. Já em Moscovo, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Maria Zakharova, afirmou que a Rússia “já se adaptou a qualquer pressão”, minimizando o impacto potencial das novas restrições.
A arquitetura do projeto concede ampla discricionariedade ao presidente: as sanções não são automáticas, mas dependem de uma avaliação da Casa Branca sobre a seriedade da Rússia em pôr fim ao conflito. Analistas em Bruxelas notam que essa flexibilidade foi uma exigência da administração Trump, que procura equilibrar a pressão sobre Moscovo com a estabilidade dos mercados energéticos globais. O contexto imediato favorece a iniciativa: a diminuição das tensões com o Irão contribuiu para uma descida dos preços do petróleo, tornando politicamente mais viável a imposição de tarifas sem provocar um choque inflacionário. Os principais alvos seriam a China e a Índia, que juntas absorvem cerca de metade das exportações russas de crude, além da Turquia e de eventuais reexportadores para a Europa.
O projeto conta com amplo apoio no Senado — mais de 80 senadores já se manifestaram favoravelmente — e deverá ser formalmente apresentado nos próximos dias, assim que o Congresso retomar os trabalhos. A Casa Branca não comentou oficialmente o anúncio, mas a declaração conjunta dos quatro senadores indica que o caminho legislativo está desimpedido. A expectativa em Washington é que a votação ocorra ainda nas próximas semanas, consolidando um novo instrumento de pressão económica que, na prática, dependerá da vontade política do ocupante da Sala Oval para ser acionado.
| Imprensa russa e CEI | −0.80 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | +0.70 | aligned |
| Imprensa europeia continental | +0.20 | neutral |
| Imprensa latino-americana | −0.20 | neutral |
A Rússia denuncia as sanções como um ato de agressão econômica por parte dos Estados Unidos, que buscam estrangular a economia russa.
Ao rotular repetidamente as sanções como 'esmagadoras' e destacar a designação terrorista do autor, a narrativa apresenta a ação dos EUA como ilegítima e hostil, apelando a um sentimento de vitimização e orgulho nacional.
O bloco russo omite a natureza bipartidária do projeto de lei e o objetivo declarado de encerrar a guerra na Ucrânia, apresentando as sanções como agressão unilateral.
Os Estados Unidos e seus aliados estão tomando medidas decisivas para acabar com a guerra na Ucrânia, impondo altos custos às receitas energéticas da Rússia.
Ao enfatizar o apoio bipartidário e o objetivo de paz, a narrativa apresenta as sanções como uma ferramenta necessária e medida, minimizando quaisquer consequências negativas potenciais para os mercados globais de energia.
O bloco atlântico omite o valor específico da tarifa de 500% e a designação terrorista do senador Graham pelo governo russo.
A Ucrânia e seus parceiros europeus acolhem as sanções dos EUA como um passo crucial para cortar o financiamento da guerra russa e forçar uma solução diplomática.
Ao citar o anúncio do senador Graham em Kiev e destacar a autoridade dada ao presidente, a narrativa apresenta o acordo como uma conquista concreta que em breve se tornará lei, criando um senso de inevitabilidade.
O bloco europeu continental omite o enquadramento russo das sanções como um ato de agressão e a designação de Graham como terrorista.
O Brasil e outros países latino-americanos observam com cautela as novas sanções dos EUA, notando a inconsistência das reviravoltas políticas de Trump.
Ao destacar que as sanções estavam bloqueadas por Trump, a narrativa sugere que a decisão é mais um movimento político do que uma estratégia coerente, gerando ceticismo.
O bloco latino-americano omite o apoio bipartidário ao projeto de lei e a taxa tarifária específica de 500%, concentrando-se no bloqueio anterior de Trump.
Amplie o olhar
Tensão renovada entre EUA e Irão agita mercados petrolíferos e pressiona preços dos combustíveis
4 idiomas · 10 veículos
De TechnologyOpenAI lança agente de trabalho autónomo e anuncia o fim do navegador Atlas
7 idiomas · 7 veículos
De Science & HealthA arte mais antiga e os vestígios da violência: o que revelam novos achados
5 idiomas · 6 veículos