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Mídia e Entretenimentodomingo, 28 de junho de 2026

Mel Brooks: um século de riso e irreverência que desarmou ditadores

Aos 100 anos, o autor de filmes como 'Os Produtores' e 'O Jovem Frankenstein' mantém-se ativo e doa o seu legado ao arquivo nacional da comédia.

Na noite de domingo, mais de 4 mil pessoas reuniram-se na Piazza Maggiore, em Bolonha, para cantar os parabéns a Mel Brooks. O cineasta, a poucos dias de completar 100 anos, assistia a milhares de quilómetros de distância, em Santa Monica, Califórnia, e respondeu com um vídeo de agradecimento. O coro espontâneo antecedeu a projeção de “O Jovem Frankenstein” (1974), que encerrou a 40ª edição do festival Cinema Ritrovato. O episódio sublinha a capacidade de Brooks para congregar públicos de diferentes gerações em torno de um humor que nunca perdeu a sua acutilância.

Melvin James Kaminsky nasceu em Brooklyn, Nova Iorque, a 28 de junho de 1926. O mais novo de quatro irmãos, perdeu o pai aos dois anos e cresceu no seio de uma família judia durante a Grande Depressão. Convocado para a Segunda Guerra Mundial, desativou minas terrestres na frente europeia — experiência que, mais tarde, descreveria como transformadora. Foi, porém, nos palcos dos resorts de Catskills que descobriu a sua verdadeira vocação. Contratado com outros aspirantes a cómicos pelo veterano Sid Caesar, tornou-se argumentista do programa televisivo “Your Show of Shows”. Foi lá que conheceu Carl Reiner, com quem criou a mítica personagem do “Homem com 2000 Anos de Idade”, um exercício de improvisação que aplicava uma lógica delirante aos grandes acontecimentos da História.

Essa mistura de erudição e absurdo acompanhou-o na transição para o cinema. O primeiro filme que escreveu e realizou, “Os Produtores” (1967), valeu-lhe o Óscar de melhor argumento original. A história de dois vigaristas que pretendem lucrar com um fracasso teatral — um musical sobre Adolf Hitler — chocou parte do público, mas conquistou a crítica e abriu caminho para uma carreira assente na paródia. Seguiram-se títulos como “Balbúrdia no Oeste” (1974), “O Jovem Frankenstein” (1974) e “Spaceballs” (1987), onde Brooks dissecava os códigos do western, do terror e da ficção científica. Produtores mexicanos como Alejandro Gou sublinham a sua singularidade: “Mel Brooks é um homem à altura das suas criações. Desafia as regras do que parece imposto na comédia”. O seu humor, muitas vezes descrito como ácido e farsesco, nunca perdeu de vista a condição humana — mesmo quando a matéria-prima era um ditador.

O reconhecimento da indústria acompanhou a devoção do público. Brooks é um dos raros artistas a ostentar um EGOT (Emmy, Grammy, Óscar e Tony), coroação de uma versatilidade que o levou a vencer em todos os principais palcos do entretenimento norte-americano. Em 2021, publicou a autobiografia “Tudo sobre Mim!”, onde confessou ser um introvertido que sempre preferiu círculos restritos de conversa sem egos. Aos 100 anos, mantém-se ativo: doou milhares de documentos ao National Comedy Center, empresta a voz a uma personagem do filme de animação “The Land of Sometimes” e prepara a sequela de “Spaceballs”, com estreia prevista para 2027.

Questionado sobre a longevidade, a sua resposta foi simples: “Rir mantém-nos saudáveis e felizes”. Uma filosofia que, como a multidão na Piazza Maggiore demonstrou, continua a ecoar muito para além dos ecrãs.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Imprensa atlântica / anglosferaImprensa indiana e sul-asiática
Imprensa atlântica / anglosfera/ Progressista
IroniaDistanciamento

Mel Brooks é retratado como um artista gogoliano cuja comédia absurda mergulha na condição humana. Suas repetidas referências às 'Almas Mortas' de Gógol revelam um maximalista sentimental no cerne. A análise revela uma herança literária séria por trás das paródias.

Imprensa indiana e sul-asiática
TriunfoSchadenfreudeIronia

Mel Brooks é celebrado por usar a comédia como arma contra a tirania, especialmente transformando Hitler em motivo de riso. Sua crença de que a sátira pode quebrar o poder de um ditador é apresentada como uma forma resiliente de resistência. A história enquadra sua carreira centenária como uma lição sobre a força política do humor.

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domingo, 28 de junho de 2026

Mel Brooks: um século de riso e irreverência que desarmou ditadores

Aos 100 anos, o autor de filmes como 'Os Produtores' e 'O Jovem Frankenstein' mantém-se ativo e doa o seu legado ao arquivo nacional da comédia.

Na noite de domingo, mais de 4 mil pessoas reuniram-se na Piazza Maggiore, em Bolonha, para cantar os parabéns a Mel Brooks. O cineasta, a poucos dias de completar 100 anos, assistia a milhares de quilómetros de distância, em Santa Monica, Califórnia, e respondeu com um vídeo de agradecimento. O coro espontâneo antecedeu a projeção de “O Jovem Frankenstein” (1974), que encerrou a 40ª edição do festival Cinema Ritrovato. O episódio sublinha a capacidade de Brooks para congregar públicos de diferentes gerações em torno de um humor que nunca perdeu a sua acutilância.

Melvin James Kaminsky nasceu em Brooklyn, Nova Iorque, a 28 de junho de 1926. O mais novo de quatro irmãos, perdeu o pai aos dois anos e cresceu no seio de uma família judia durante a Grande Depressão. Convocado para a Segunda Guerra Mundial, desativou minas terrestres na frente europeia — experiência que, mais tarde, descreveria como transformadora. Foi, porém, nos palcos dos resorts de Catskills que descobriu a sua verdadeira vocação. Contratado com outros aspirantes a cómicos pelo veterano Sid Caesar, tornou-se argumentista do programa televisivo “Your Show of Shows”. Foi lá que conheceu Carl Reiner, com quem criou a mítica personagem do “Homem com 2000 Anos de Idade”, um exercício de improvisação que aplicava uma lógica delirante aos grandes acontecimentos da História.

Essa mistura de erudição e absurdo acompanhou-o na transição para o cinema. O primeiro filme que escreveu e realizou, “Os Produtores” (1967), valeu-lhe o Óscar de melhor argumento original. A história de dois vigaristas que pretendem lucrar com um fracasso teatral — um musical sobre Adolf Hitler — chocou parte do público, mas conquistou a crítica e abriu caminho para uma carreira assente na paródia. Seguiram-se títulos como “Balbúrdia no Oeste” (1974), “O Jovem Frankenstein” (1974) e “Spaceballs” (1987), onde Brooks dissecava os códigos do western, do terror e da ficção científica. Produtores mexicanos como Alejandro Gou sublinham a sua singularidade: “Mel Brooks é um homem à altura das suas criações. Desafia as regras do que parece imposto na comédia”. O seu humor, muitas vezes descrito como ácido e farsesco, nunca perdeu de vista a condição humana — mesmo quando a matéria-prima era um ditador.

O reconhecimento da indústria acompanhou a devoção do público. Brooks é um dos raros artistas a ostentar um EGOT (Emmy, Grammy, Óscar e Tony), coroação de uma versatilidade que o levou a vencer em todos os principais palcos do entretenimento norte-americano. Em 2021, publicou a autobiografia “Tudo sobre Mim!”, onde confessou ser um introvertido que sempre preferiu círculos restritos de conversa sem egos. Aos 100 anos, mantém-se ativo: doou milhares de documentos ao National Comedy Center, empresta a voz a uma personagem do filme de animação “The Land of Sometimes” e prepara a sequela de “Spaceballs”, com estreia prevista para 2027.

Questionado sobre a longevidade, a sua resposta foi simples: “Rir mantém-nos saudáveis e felizes”. Uma filosofia que, como a multidão na Piazza Maggiore demonstrou, continua a ecoar muito para além dos ecrãs.

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IroniaDistanciamento

Mel Brooks é retratado como um artista gogoliano cuja comédia absurda mergulha na condição humana. Suas repetidas referências às 'Almas Mortas' de Gógol revelam um maximalista sentimental no cerne. A análise revela uma herança literária séria por trás das paródias.

Imprensa indiana e sul-asiática
TriunfoSchadenfreudeIronia

Mel Brooks é celebrado por usar a comédia como arma contra a tirania, especialmente transformando Hitler em motivo de riso. Sua crença de que a sátira pode quebrar o poder de um ditador é apresentada como uma forma resiliente de resistência. A história enquadra sua carreira centenária como uma lição sobre a força política do humor.

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