
Lua de Fresa de junho será a mais baixa no céu do hemisfério norte até 2043
Fenómeno astronómico atinge o pico a 30 de junho, com a lua cheia a surgir mais pequena e próxima do horizonte no norte, enquanto no hemisfério sul estará excecionalmente alta.
A lua cheia de 30 de junho de 2026, conhecida como Lua de Fresa, será a mais baixa a cruzar o céu noturno do hemisfério norte até 2043. O satélite atinge a fase plena às 20h57 em Brasília e às 00h57 em Lisboa (já na madrugada do dia 30), mas o dado que altera a experiência de observação é a combinação de dois fatores cíclicos: a lua encontra-se próxima do apogeu, o ponto mais distante da Terra na sua órbita, e o plano orbital coloca-a numa trajetória excecionalmente rente ao horizonte para quem observa a norte da linha do Equador. O resultado é uma lua cheia visualmente mais pequena e menos brilhante — uma microlua — que, devido à ilusão lunar, pode parecer maior quando está perto do horizonte, sobretudo ao nascer e ao pôr do sol.
A designação Lua de Fresa não descreve a cor do satélite, mas sim a época de colheita dos morangos silvestres, segundo as tradições dos povos algonquinos da América do Norte. O tom alaranjado ou avermelhado que por vezes se observa deve-se à dispersão da luz pela atmosfera terrestre quando a lua está baixa no horizonte. Em 2026, a lua cheia de junho ocorre na constelação de Sagitário, próxima do centro da Via Láctea, o que acentua a sua baixa altitude no hemisfério norte. Em contrapartida, nos países do hemisfério sul — incluindo o Brasil, Angola e Moçambique — a lua percorrerá um arco muito elevado no céu, a maior altitude dos últimos anos, por ser a primeira lua cheia após o solstício de inverno austral.
A coincidência com o Dia Internacional dos Asteroides, a 30 de junho, levou o Grupo de Astronomia do Dubai a organizar uma sessão pública de observação com telescópios e uma exposição de meteoritos, aproveitando a microlua de morango para divulgar a ciência planetária. A data evoca o evento de Tunguska, de 1908, e é assinalada pelas Nações Unidas para sensibilizar para a monitorização de objetos próximos da Terra. Agências espaciais confirmam que não há qualquer asteroide conhecido com risco significativo de colisão no futuro previsível. No hemisfério norte, a observação será mais dramática ao pôr do sol de 30 de junho, com a lua a emergir junto ao horizonte; no hemisfério sul, o espetáculo estará na altura invulgar que o satélite atinge no céu.
Para os observadores em Portugal, a lua nasce a leste pouco depois do pôr do sol e permanece baixa durante toda a noite, um efeito que não se repetirá com esta intensidade durante quase duas décadas. No Brasil, a lua estará visível a grande altitude a partir do início da noite de 29 de junho, mantendo-se praticamente cheia também na noite de 30. O próximo marco factual é a própria noite de 30 de junho, quando o ciclo orbital de 18,6 anos atinge este extremo, oferecendo a última oportunidade até 2043 de observar uma lua cheia de verão tão rente ao horizonte no hemisfério norte.
| Imprensa latino-americana | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
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