
Líder supremo do Irão critica Trump e revela reservas sobre acordo de paz
Mojtaba Khamenei autorizou memorando apesar de 'opinião diferente', acusando Washington de agir por desespero, enquanto Teerão e EUA iniciam tréguas e negociações.
O líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, quebrou o silêncio esta quinta-feira para confirmar que autorizou o memorando de entendimento assinado com os Estados Unidos, mas fê-lo com críticas acesas a Donald Trump e deixando claras as suas reservas. Numa mensagem lida pela televisão estatal e publicada nas redes sociais, Khamenei afirmou que o presidente norte-americano agiu «por desespero, utilizando todo o tipo de pressão e influência» para selar o pacto. O ayatollah, que não é visto em público desde os bombardeamentos de 28 de fevereiro que vitimaram o seu pai e antecessor, Ali Khamenei, revelou ter inicialmente uma «opinião diferente», mas cedeu após garantias do presidente Masoud Pezeshkian e do Conselho Supremo de Segurança Nacional de que os direitos do povo iraniano e os interesses da «Frente de Resistência» seriam salvaguardados. Sublinhou ainda que as futuras negociações presenciais «não significarão aceitar a posição do inimigo» e que Teerão rejeitará exigências excessivas.
O memorando, assinado remotamente por Trump e Pezeshkian com mediação do Paquistão, pôs fim imediato às hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano, e determinou o levantamento do bloqueio naval norte-americano ao estreito de Ormuz. Nas horas seguintes, o vice-presidente JD Vance anunciou que mais de 12,5 milhões de barris de petróleo transitaram pela via marítima estratégica, e o Pentágono confirmou a suspensão das operações de interdição. O acordo prevê ainda o descongelamento de ativos, um fundo de reconstrução de 300 mil milhões de dólares e o compromisso iraniano de não produzir nem adquirir armas nucleares, abrindo um período de 60 dias para negociar um tratado definitivo, com conversações presenciais agendadas para 19 de junho na Suíça.
A reação internacional combina alívio com ceticismo. Em Paris, o presidente Emmanuel Macron, que testemunhou a assinatura digital durante a cimeira do G7, confessou «não acreditar» que a guerra esteja totalmente encerrada. Em Teerão, cidadãos como a psicóloga Mina, de 54 anos, temem que a trégua não resista além dos 60 dias. Trump, por seu lado, advertiu que os Estados Unidos estão prontos a «lançar bombas novamente» se o Irão não cumprir o acordado. Para os mercados, o regresso dos petroleiros ao Golfo Pérsico trouxe alívio imediato: o barril de Brent recuou para valores próximos dos 79 dólares, uma descida semanal de quase 10%. Observadores em Brasília e em Lisboa notam que a estabilização do preço do crude interessa diretamente a economias importadoras como a brasileira e a portuguesa, enquanto os países africanos lusófonos, vulneráveis à volatilidade energética, acompanham com prudência a evolução do cessar-fogo.
Analistas em Teerão interpretam a intervenção de Khamenei como um exercício de distanciamento político semelhante ao do seu pai: se as negociações fracassarem, a responsabilidade recairá sobre Pezeshkian; se resultarem em vantagens para o Irão, o líder supremo poderá reivindicar o mérito. A própria sucessão dinástica — inédita desde a revolução de 1979 — já suscitava debates sobre a deriva hereditária do regime, e a ausência prolongada de Mojtaba Khamenei alimenta especulações sobre a sua capacidade de consolidar o poder. O acordo interino, embora tenha reaberto rotas comerciais vitais e aliviado sanções, deixa por resolver o cerne do programa nuclear iraniano e a desconfiança mútua. A fragilidade do entendimento é agravada pelas contínuas tensões no sul do Líbano, onde Teerão denunciou dezenas de violações israelitas da trégua. O mundo observa agora se os 60 dias de negociações conseguirão transformar um memorando de circunstância numa paz duradoura.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O relato afirma de forma neutra que o Líder Supremo iraniano aprovou o memorando com os EUA apesar de sua opinião diferente, após receber garantias de que os direitos do Irã e os interesses da Frente de Resistência seriam protegidos. A decisão é apresentada como um passo pragmático tomado sob garantias específicas.
O relato russo observa que o Líder Supremo permitiu a assinatura do memorando apesar de sua opinião diferente, enfatizando que o presidente dos EUA agiu por desespero e usou várias formas de pressão. O acordo é enquadrado como um movimento cauteloso do Irã, com a aprovação do líder condicionada a garantias do presidente e do conselho de segurança.
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