
Acordo entre Trump e Irão derruba petróleo para mínimos da guerra e abre caminho para negociações finais
Assinatura do memorando em Versalhes põe fim a quatro meses de conflito, reabre o Estreito de Ormuz e alivia sanções, mas 60 dias de conversações decisivas ainda estão por vir.
A assinatura do acordo preliminar entre os Estados Unidos e o Irão, na noite de quarta-feira no Palácio de Versalhes, desencadeou uma queda acentuada dos preços do petróleo para os níveis mais baixos desde o início da guerra, há quatro meses. Donald Trump rubricou o memorando de 14 pontos durante um jantar à luz de velas com Emmanuel Macron, à margem da cimeira do G7, enquanto o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, fez o mesmo em Teerão. O documento prevê o cessar-fogo, a reabertura do Estreito de Ormuz e a suspensão das sanções norte-americanas ao petróleo iraniano, dando início a um período de negociação de 60 dias para um acordo definitivo, com início previsto na Suíça. A reação dos mercados foi imediata: o Brent recuou para a casa dos 78 dólares e o WTI para perto dos 75 dólares, enquanto Wall Street registava ganhos moderados, contidos pela perspetiva de subida de juros por parte da Reserva Federal.
Na perspetiva de Washington, Trump apressou-se a defender o entendimento, classificando os críticos como “tolos” e destacando máximos históricos em Wall Street e a queda dos preços da gasolina abaixo dos quatro dólares. Em Teerão, o tom foi de triunfo: o presidente do Parlamento, Mohammad Ghalibaf, descreveu o acordo como uma “derrota recorde” para os EUA, afirmando que o Irão conseguiu “o que queria, várias vezes”. A diplomacia francesa colheu os louros do protagonismo, com Macron a gritar “bravo” no momento da assinatura, num gesto que evocou o Tratado de Versalhes de 1919. Para o mundo lusófono, a notícia tem leituras distintas: em Brasília, a queda do crude pode aliviar a pressão sobre a política de preços da Petrobras e conter a inflação dos combustíveis, enquanto em Luanda, a redução das cotações representa um risco para as receitas fiscais de Angola, fortemente dependentes do petróleo.
O alívio nos mercados energéticos é proporcional à dimensão da crise que o conflito provocou. O bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial, gerou a maior disrupção de oferta da história. Com a reabertura da via, navios-tanque que transportavam perto de 10 milhões de barris começaram a movimentar-se, e o Kuwait anunciou o aumento da produção. Contudo, o memorando é apenas um passo intermédio. As negociações que se iniciam esta sexta-feira nos Alpes suíços prometem ser espinhosas, já que o texto final terá de detalhar o levantamento das sanções, o regime de trânsito no estreito e garantias de segurança. Analistas em Lisboa notam que a trégua frágil poderá ser posta à prova por declarações beligerantes — Trump avisou que as bombas cairão “na cabeça” dos iranianos se não se “comportarem”.
O horizonte permanece incerto. Os mercados já incorporam um regresso mais rápido do que o esperado dos barris iranianos, mas a Reserva Federal norte-americana lançou uma sombra sobre o otimismo ao elevar as projeções de inflação e sinalizar taxas de juro mais altas, fortalecendo o dólar para máximos de um ano. Esse aperto monetário pode travar o ímpeto das bolsas e encarecer as importações de energia para economias emergentes. Para o Brasil, a combinação de petróleo mais barato e dólar forte cria um cenário ambivalente: favorece o controlo da inflação, mas pressiona o real e os custos de bens importados. Em Portugal, a descida dos preços dos combustíveis poderá dar algum fôlego aos consumidores, embora a política monetária da Fed continue a ditar o rumo dos mercados globais. A paz no Médio Oriente depende agora de dois meses de diplomacia intensa, com o mundo a observar se o frágil memorando resistirá à desconfiança mútua.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
2 grupos editoriais · 1 idiomas
A assinatura do acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã trouxe alívio imediato aos mercados de petróleo, com preços em queda e gasolina americana abaixo de 4 dólares. Trump comemorou a reação do mercado e chamou os críticos de 'tolos', mas analistas alertam que as negociações de 60 dias para um acordo final permanecem espinhosas, enquanto as perspectivas de juros do Fed esfriam o entusiasmo acionário.
A mídia estatal iraniana proclamou que Teerã 'conseguiu o que queria, várias vezes', enquadrando o cessar-fogo como uma vitória diplomática. A assinatura em Versalhes, após as ameaças de bombardeio de Trump, foi recebida com ceticismo sobre os detalhes do acordo de 14 pontos, permanecendo dúvidas se ele realmente restringe o Irã.
Artigos relacionados
EUA vencem Austrália por 2-0 e carimbam vaga nos 16avos de final do Mundial 2026
10 idiomas · 56 veículos
Crime e DesastresColisão de trens em Bedford, Inglaterra, deixa um morto e 89 feridos
11 idiomas · 39 veículos
Mídia e EntretenimentoO beijo de Messi, a notícia falsa e o 'quilombo' que Jorge armou
8 idiomas · 28 veículos