
Justiça espanhola confirma julgamento de Begoña Gómez por tráfico de influências e peculato
Tribunal de Madrid mantém acusações contra a mulher do primeiro-ministro Pedro Sánchez, mas retira proibição de saída do país e crime de corrupção.
A Audiência Provincial de Madrid confirmou esta quinta-feira que Begoña Gómez, mulher do presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, será julgada por um júri popular pelos crimes de tráfico de influências e peculato. A mesma instância revogou a proibição de saída do país, a entrega do passaporte e as comparências quinzenais em tribunal que lhe haviam sido impostas, e arquivou a acusação de corrupção nos negócios por falta de indícios suficientemente verosímeis. A data do julgamento ainda não foi fixada.
A investigação, conduzida durante dois anos pelo juiz Juan Carlos Peinado, teve origem numa denúncia de uma organização anticorrupção ligada à extrema-direita, que acusava Gómez de se ter aproveitado da posição de cônjuge do primeiro-ministro para obter a codireção de uma cátedra na Universidade Complutense de Madrid e para angariar financiamento. A acusação de peculato decorre da alegada utilização indevida de um software criado para a universidade e do recurso a uma assistente do gabinete do primeiro-ministro para tarefas académicas. A defesa de Gómez, que se declara inocente, recorreu da decisão de primeira instância, e o próprio Ministério Público espanhol pediu o arquivamento do caso. O gabinete de Sánchez reagiu afirmando que “Begoña Gómez é inocente” e que o processo tem “motivação política”, baseado em “falsas alegações” de uma organização de direita.
A decisão insere-se numa sequência de reveses judiciais que atingem o círculo próximo do primeiro-ministro socialista. Na terça-feira, o irmão de Sánchez, David, foi condenado a nove anos de inabilitação para cargos públicos por ter usado a influência do irmão para obter um posto na administração. Dois antigos colaboradores próximos, o secretário de Organização do PSOE, Santos Cerdán, e o ex-ministro dos Transportes, José Luis Ábalos, estão também envolvidos em processos de corrupção — Ábalos foi condenado a 24 anos de prisão. Na perspetiva da oposição de direita, estes casos fragilizam a legitimidade do executivo minoritário e justificam a demissão de Sánchez e a convocação de eleições antecipadas, exigência que o chefe de Governo rejeita. Dados do Conselho Geral do Poder Judiciário espanhol, repercutidos pela imprensa brasileira, indicam que os júris populares em Espanha proferem sentenças condenatórias em cerca de 90% dos casos, o que, segundo analistas em Madrid, acrescenta pressão sobre a defesa.
O processo contra Gómez levou Sánchez a ponderar publicamente a renúncia em abril de 2024, quando a investigação foi aberta. O levantamento das medidas cautelares permite agora que a mulher do primeiro-ministro viaje — na semana passada, não pôde acompanhar o marido à cimeira da NATO em Ancara, mas obteve autorização judicial para ir a Londres, à graduação da filha. O tribunal determinou que ambas as arguidas permaneçam localizáveis, mas considerou não existir risco real de fuga. O caso prossegue sem data marcada, enquanto o Governo de minoria de Sánchez enfrenta um cenário de desgaste institucional que, na leitura de observadores em Lisboa, testa a resiliência do sistema político espanhol num momento de fragmentação parlamentar.
| Imprensa europeia continental | −0.20 | neutral |
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| Imprensa árabe Levante-Magrebe | 0.00 | neutral |
| Imprensa latino-americana | −0.50 | critical |
O tribunal de Madrid confirma o julgamento, mas o Tribunal de Justiça da UE legitima a lei de amnistia que permitiu a Sánchez permanecer no cargo.
Ao justapor duas decisões independentes, a narrativa cria uma impressão de equilíbrio entre a justiça interna e o aval europeu, suavizando o impacto político do julgamento.
A suspensão das atividades oficiais de Sánchez no início da investigação não é mencionada.
A esposa do primeiro-ministro será julgada, mas o próprio primeiro-ministro já sofreu as consequências ao suspender as suas atividades.
Ao enfatizar a reação de Sánchez, o foco desloca-se da suposta culpa da sua esposa para uma narrativa de perseguição política contra o primeiro-ministro.
A aprovação pelo Tribunal de Justiça da UE da lei de amnistia, que permitiu a Sánchez permanecer no cargo, não é mencionada.
O governo espanhol sofre mais um revés: a esposa do primeiro-ministro vai a julgamento por corrupção, enquanto as investigações se multiplicam.
Ao acumular casos de corrupção e escândalos, pinta-se um quadro de crise sistémica, implicando que o governo está a perder o controlo.
A aprovação pelo Tribunal de Justiça da UE da lei de amnistia e o facto de a acusação de corrupção ter sido retirada não são destacados.
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