
Israel confirma eleições para 27 de outubro de 2026; Netanyahu busca novo mandato
Com bloco governista em queda nas sondagens e país dividido após guerras e reformas, eleição é vista como referendo sobre liderança do primeiro-ministro.
Nesta segunda-feira, o Parlamento israelita confirmou que as eleições legislativas serão realizadas em 27 de outubro de 2026, data já prevista na lei, após a atual coligação governativa, liderada por Benjamin Netanyahu, ter assegurado a conclusão do mandato da 25.ª Knesset, que termina a 17 de julho. Trata-se da primeira vez desde 1988 que o Parlamento completa um mandato de quatro anos e do primeiro governo a fazê-lo em mais de cinco décadas, um feito inédito num país habituado a sucessivas dissoluções antecipadas.
Netanyahu, o primeiro-ministro mais longevo da história de Israel, anunciou a intenção de concorrer a um novo mandato, apesar de estar envolvido num processo judicial por corrupção e de enfrentar críticas cerradas pelos fracassos de segurança do ataque do Hamas a 7 de outubro de 2023. O seu governo, descrito como o mais à direita do país, acelerou a aprovação de legislação para fortalecer a sua base ultraortodoxa e de colonatos, ao mesmo tempo que Netanyahu apela a uma «ampla unidade nacional» para pacificar o país e consolidar os ganhos militares contra o Irão e os seus aliados. Na perspetiva de analistas em Jerusalém, a estratégia visa deslocar o debate da crise securitária para uma narrativa de vitória regional.
No entanto, as sondagens recentes indicam uma queda de popularidade do bloco governista. De acordo com pesquisas dos canais Kan e Channel 13, o partido Yashar, do antigo chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot, surge como a maior força política, com 24 lugares, à frente do Likud, de Netanyahu, com 23. A oposição, que inclui ainda a aliança «Juntos» (Behayad), dos ex-primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid, e o partido nacionalista laico Yisrael Beytenu, de Avigdor Lieberman, poderia alcançar uma maioria de 68 dos 120 assentos, mas apenas se incluísse os partidos árabes, uma hipótese rejeitada por Bennett e Eisenkot. Caso contrário, a margem desce para 58 lugares, insuficiente para formar governo.
A campanha será dominada por clivagens profundas. A isenção do serviço militar para os ultraortodoxos (haredim), que gerou atritos na coligação e protestos de reservistas; a reforma judicial, que provocou manifestações em massa antes da guerra; e o desfecho do conflito com o Irão, que uma sondagem da Universidade Hebraica de Jerusalém mostrou ser visto por 92% dos israelitas como uma derrota para Israel, são temas centrais. A imprensa árabe sublinha que o escrutínio ocorre num momento de fragilidade regional para Netanyahu, enquanto veículos franceses e russos destacam que o líder israelita tenta sobreviver politicamente apesar do desgaste. No Brasil, a cobertura do Valor Econômico e do UOL enfatiza a raridade de um governo completar o mandato e o teste que as urnas representarão para a sobrevivência política do primeiro-ministro.
Com a dissolução formal da Knesset prevista para 17 de julho, inicia-se o período eleitoral, durante o qual o governo fica limitado a medidas urgentes. As listas de candidatos devem ser entregues até 7 de setembro. O cenário político permanece volátil, com possíveis realinhamentos entre partidos de direita que podem alterar o equilíbrio de forças. A votação é vista como um momento definidor para a trajetória de Israel, com repercussões diretas na segurança do Oriente Médio e no futuro das relações com os Estados Unidos e os vizinhos árabes.
| Imprensa israelense | +0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.50 | critical |
| Imprensa chinesa | −0.40 | critical |
The Netanyahu government celebrates completing a full term, a historic event that demonstrates the solidity of Israeli leadership despite challenges. The coalition prepares to compete for a new mandate, focusing on stability and experience.
Emphasizing the rarity of the full term serves to normalize Netanyahu's continued rule, turning an administrative fact into a political success.
The war in Gaza and the perception of political crisis that dominate Arab and Chinese coverage are absent or minimized.
Netanyahu faces the election burdened by war and political crisis: the voters' choice is presented as a judgment on his handling of the conflict and the country's stability.
Using the term 'referendum' turns a routine electoral deadline into a personalized vote of confidence, potentially delegitimizing a Netanyahu victory as the product of exceptional circumstances.
The historic milestone of an Israeli government finishing a full term for the first time in decades is entirely absent or downplayed.
The Israeli elections are a test for Netanyahu, with most voters desiring change. Chinese coverage observes from a distance, highlighting internal contradictions in Israeli politics.
Citing polls showing desire for change allows presenting the challenge to Netanyahu as objective and widely shared, without taking an explicit stance.
The historic milestone of a full government term and internal stability dynamics are almost entirely overlooked.
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