
Acordo-quadro entre Israel e Líbano enfrenta rejeição do Hezbollah e críticas internas
Pacto mediado pelos EUA condiciona retirada israelita ao desarmamento do grupo xiita, mas líderes libaneses alertam para risco de divisão e ocupação prolongada.
A assinatura de um acordo-quadro trilateral entre Israel, Líbano e Estados Unidos, em Washington, a 26 de junho, foi imediatamente seguida por uma escalada de tensões no terreno e por uma forte rejeição do Hezbollah e de setores políticos libaneses. No domingo, as forças israelitas destruíram um túnel do Hezbollah com 200 metros em Majdal Zoun e realizaram ataques aéreos no sul do Líbano, incluindo Nabatieh, enquanto o grupo xiita denunciava violações do cessar-fogo e reservava-se o direito de resposta. O presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, aliado do Hezbollah, classificou o acordo como um “diktat” e advertiu que não será implementado.
Na perspetiva de Telavive, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu descreveu o entendimento como “histórico” e um golpe para o Irão, sublinhando que as tropas israelitas permanecerão na zona de segurança no sul do Líbano até que o Hezbollah seja desarmado. O ministro da Defesa, Israel Katz, ordenou que as forças se preparem para uma estadia prolongada. Do lado libanês, o presidente Joseph Aoun, em conversa com Donald Trump, manifestou esperança de que Washington pressione Israel a retirar, enquanto o governo de Beirute, liderado por Nawaf Salam, vê o acordo como um primeiro passo para restaurar a soberania. Contudo, o Hezbollah, que não participou nas negociações, rejeitou liminarmente o pacto, considerando-o uma “rendição” e declarando-o “nulo e sem efeito”. O líder Naim Qassem afirmou que condicionar a retirada israelita ao desarmamento da resistência ultrapassa “todas as linhas vermelhas”.
O acordo prevê que as Forças Armadas Libanesas assumam o controlo de “zonas-piloto” no sul, com a retirada progressiva das tropas israelitas à medida que for verificado o desarmamento de grupos armados não estatais — uma referência direta ao Hezbollah. Analistas em Beirute e Washington notam que esta condição cria um impasse estrutural, uma vez que o Hezbollah mantém a sua capacidade militar e rejeita qualquer desarmamento imposto. A guerra atual, iniciada a 2 de março quando o Hezbollah disparou contra Israel em solidariedade com o Irão, insere-se no conflito mais amplo entre Washington e Teerão. O Irão, que negociou um memorando de entendimento com os EUA, insiste em que um cessar-fogo no Líbano faça parte de qualquer acordo global, enquanto os EUA patrocinam conversações separadas entre os governos libanês e israelita. Observadores em Lisboa e Brasília acompanham o processo com atenção, dados os potenciais impactos na estabilidade do Mediterrâneo e no equilíbrio de forças no Médio Oriente.
As discussões entre as partes devem ser retomadas esta terça-feira, com a facilitação norte-americana, enquanto o Hezbollah afirma continuar a monitorizar as violações israelitas e a reservar-se o direito de defesa. Berri insiste que a única via realista para a retirada israelita passa pelas negociações entre Irão e EUA, e alerta para o risco de o acordo semear divisões internas no Líbano. A concretização do pacto dependerá da capacidade — ou vontade — de Beirute em impor o desarmamento do Hezbollah, num contexto de profunda fragmentação sectária e de um Estado que, segundo analistas regionais, não dispõe de meios para o fazer.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Uma operação cirúrgica destruiu um túnel do Hezbollah no sul do Líbano, eliminando uma ameaça direta à segurança israelense. Os Estados Unidos foram informados com antecedência, ressaltando um esforço coordenado e legítimo. O ataque demonstra a determinação de neutralizar infraestrutura terrorista, mesmo com as negociações diplomáticas em andamento.
O exército israelense atacou infraestrutura do Hezbollah no sul do Líbano poucos dias após um acordo de paz trilateral mediado pelos EUA. O momento levanta questões sobre a viabilidade do quadro diplomático. O ataque, embora visando um túnel, corre o risco de minar a frágil trégua.
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