
Irão insiste em controlar Ormuz e propõe taxa de passagem a Omã
Teerão quer um mecanismo conjunto com Mascate para supervisionar o estreito, mas avisa que agirá sozinho se necessário, enquanto o tráfego marítimo retoma e as negociações em Doha se aproximam.
O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, reiterou a determinação de Teerão em controlar o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, propondo um acordo com Omã para supervisionar a passagem de navios. A declaração, transmitida pela televisão estatal, surge numa altura em que o movimento de petroleiros e gaseiros regressa gradualmente à via estratégica, após semanas de perturbação causada por ataques a navios mercantes e retaliações militares entre o Irão e os Estados Unidos. Gharibabadi afirmou que o Irão avançará com os seus próprios planos caso Omã não demonstre interesse, sinalizando que a imposição de uma taxa de passagem poderá tornar-se unilateral.
Na perspetiva de Washington, a insistência iraniana representa uma tentativa de preservar uma vantagem estratégica que está a ser corroída por novas rotas marítimas e infraestruturas regionais. O Presidente Donald Trump declarou que “não haverá portagens” após o período de negociação, invocando a ameaça de ação militar renovada. Riade, através do seu ministro dos Negócios Estrangeiros, rejeitou qualquer “arranjo inovador”, defendendo que a gestão do estreito funcionava adequadamente antes do conflito. Omã, parte na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS), ocupa uma posição determinante: se aderir ao mecanismo, Teerão poderá apresentar a taxa como uma iniciativa bilateral dos Estados ribeirinhos; se resistir, a medida permanecerá como uma afirmação unilateral de poder.
A proposta iraniana é enquadrada por Teerão como uma compensação pelos serviços de segurança marítima, desminagem e proteção ambiental prestados numa das rotas comerciais mais congestionadas do mundo. Contudo, analistas em Brasília alertam que a monetização de um estreito natural criaria um precedente com implicações para outras passagens estratégicas, como Malaca, o Bósforo ou o Canal de Moçambique, vitais para as exportações do Brasil e dos países africanos lusófonos. O direito internacional, sob a UNCLOS, proíbe a cobrança de taxas pela simples passagem em trânsito, permitindo apenas o pagamento por serviços específicos prestados. O Irão nunca ratificou a convenção, e os Estados Unidos também não, embora tratem a liberdade de navegação como direito consuetudinário.
O contexto imediato é o de um cessar-fogo frágil e de conversações previstas para Doha esta semana, no âmbito de um memorando de entendimento que suspendeu as hostilidades. O documento prevê um período de 60 dias sem portagens e a negociação da “futura administração e serviços marítimos” do estreito. Enquanto o Irão nega encontros diretos com responsáveis norte-americanos, o tráfego comercial dá sinais de retoma, com superpetroleiros a cruzar a passagem e a utilizar um corredor alternativo junto à costa omanita. O desfecho das negociações definirá se o princípio da liberdade de navegação em Ormuz será reafirmado ou se um novo regime de taxas começará a reescrever as regras do comércio marítimo global.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O Irã está afirmando agressivamente o controle sobre o Estreito de Ormuz, usando ataques e ameaças para preservar sua alavancagem estratégica. Os Estados Unidos e seus aliados estão reagindo desenvolvendo corredores marítimos alternativos, mas as ações de Teerã aumentam as tensões e interrompem os fluxos globais de petróleo. A situação permanece volátil antes de novas negociações.
O corredor marítimo alternativo ao largo da costa de Omã, destinado a contornar as ameaças iranianas, está se mostrando arriscado após os recentes ataques. As conversações entre Irã e Omã sobre a gestão do estreito destacam a complexidade de proteger essa via navegável vital. O impasse entre Teerã e Washington continua a pôr em perigo a passagem segura.
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