
Irão executa jovem detido nos protestos de janeiro e acirra tensão com Ocidente
A execução de Mehdi Khaneki, acusado de terrorismo e ligações a Israel, ocorre em meio a denúncias de confissões forçadas e uma nova vaga de sentenças de morte contra manifestantes.
A República Islâmica do Irão executou na quarta-feira Mehdi Khaneki, um jovem detido no âmbito dos protestos nacionais de janeiro, segundo confirmou a agência noticiosa do poder judicial, Mizan. A execução, realizada na prisão de Ghezel Hesar, em Karaj, ocorre num contexto de intensificação da repressão judicial contra participantes nas manifestações que abalaram o país no início do ano. De acordo com as autoridades iranianas, Khaneki foi condenado por «ações operacionais a favor de Israel, dos Estados Unidos e de grupos hostis», bem como por fabrico e posse de armamento. A Mizan detalhou que, durante a detenção a 10 de fevereiro, foram apreendidos na sua residência cinco pistolas, dezenas de munições, granadas artesanais, explosivos e materiais para o fabrico de bombas.
Segundo a narrativa oficial veiculada pelo poder judicial e pela imprensa estatal, o condenado confessou ter aderido em 2023 a um «grupo terrorista» e ter recebido formação para o fabrico de engenhos explosivos, financiada através de criptomoedas. A acusação sustenta que as armas apreendidas foram utilizadas em disparos durante os «distúrbios» de janeiro, classificados pelas autoridades como uma «tentativa de golpe de Estado americano-sionista». O tribunal revolucionário de Karaj aplicou a pena capital com base na lei que agrava as penas por espionagem e colaboração com Israel, tendo o supremo tribunal confirmado a sentença. A família e o advogado de Khaneki não se pronunciaram publicamente, e o poder judicial não divulgou pormenores sobre o acesso a uma defesa independente.
Na perspetiva de organizações de direitos humanos sediadas no Ocidente e de grupos de oposição no exílio, o caso insere-se num padrão de julgamentos sumários e confissões obtidas sob tortura. O Conselho Nacional da Resistência do Irão, com sede em Paris, afirmou que Khaneki, um licenciado em Direito de 26 anos, foi submetido a meses de tortura física e psicológica e que dezenas de outros membros da Organização dos Mujahidin do Povo do Irão permanecem no corredor da morte. A Amnistia Internacional e a Repórter Especial da ONU para os Direitos Humanos no Irão já haviam manifestado alarme com a aceleração das execuções, que, segundo estimativas de ativistas, ultrapassam as cinco dezenas desde o início do conflito armado com os Estados Unidos e Israel, em fevereiro. Paralelamente, eclodiram greves de fome em várias prisões, incluindo Ghezel Hesar e Dastgerd, em Ispaão, onde mais de 70 detidos das manifestações de janeiro aguardam execução, de acordo com a Organização dos Direitos Humanos do Irão.
A execução de Khaneki coincide com uma escalada retórica entre Washington e Teerão. O presidente norte-americano, Donald Trump, reagiu nas redes sociais ameaçando bombardear pontes e centrais elétricas no Irão em resposta a qualquer ataque a navios no Estreito de Ormuz, ao mesmo tempo que criticou o que descreveu como o assassínio de «52 mil manifestantes» pelo governo iraniano. Observadores em Lisboa e Brasília notam que a deterioração da situação humanitária e o aumento das execuções podem dificultar os esforços diplomáticos de potências médias, como o Brasil, que tradicionalmente mantêm canais abertos com Teerão. O dossiê permanece em aberto, com a perspetiva de novas execuções e a pressão internacional a centrar-se na convocação de sessões extraordinárias do Conselho de Direitos Humanos da ONU.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.20 | neutral |
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| Imprensa iraniana e afins | +0.90 | aligned |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | 0.00 | neutral |
A República Islâmica executa um manifestante, acusando-o de terrorismo.
Relata a versão oficial, mas usa o termo 'manifestante' em vez de 'terrorista', criando uma tensão entre a narrativa estatal e o reconhecimento da dissidência.
Omite a narrativa do regime de um 'golpe' e 'conspiração americano-sionista', bem como os detalhes do arsenal de armas e das confissões.
A República Islâmica executa um terrorista que ameaçava a segurança nacional, desmascarando a conspiração americano-sionista.
Usa linguagem de guerra e ameaça (golpe, terrorista, armas) para legitimar a execução como um ato de defesa, e repete as acusações sem contraponto.
Omite qualquer referência a Khanaki ser um manifestante ou as protestos serem motivados por demandas econômicas. Não menciona críticas internacionais ou dúvidas sobre a imparcialidade do julgamento.
O Irã executa um manifestante, enquanto os protestos antigovernamentais continuam a ser reprimidos.
Relata os fatos de forma distante, mas escolhe enfatizar a natureza de protesto da ação, contrastando-a com a definição de terrorismo do regime.
Omite os detalhes das armas e as acusações de conluio com Israel, bem como a retórica do golpe. Não menciona a reação internacional.
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