
Irão reivindica destruição de sistemas antimíssil dos EUA na Jordânia, Kuwait e Catar
A Guarda Revolucionária iraniana afirma ter atingido radares THAAD, baterias Patriot e depósitos de combustível, em retaliação por bombardeamentos americanos que mataram 168 crianças em fevereiro.
O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC) do Irão anunciou esta quinta-feira uma série de ataques com mísseis e drones contra bases militares dos Estados Unidos na Jordânia, no Kuwait e no Catar. Segundo comunicados difundidos pela agência Fars e pela televisão estatal iraniana, foram destruídos um radar do sistema antimíssil THAAD, uma bateria do sistema Patriot e um radar de defesa antiaérea C-RAM em território jordano, além de depósitos de combustível, um hangar de manutenção de helicópteros e um armazém de equipamento aeronáutico. No Kuwait, os projéteis atingiram reservatórios de combustível na base aérea de Ali Al Salem e um depósito de munições na base de Arifjan; no Catar, foram alvejados armazéns de munições na capital Doha. As ações ocorrem enquanto o Comando Central dos EUA (CENTCOM) confirmou uma nova vaga de bombardeamentos contra o Irão, a décima segunda noite consecutiva de ataques a posições navais, depósitos de mísseis e infraestruturas de defesa aérea iranianas.
Na perspetiva de Teerão, os ataques constituem uma retaliação legítima contra “o exército americano matador de crianças”, em referência à morte de 168 alunos em Minab, a 28 de fevereiro de 2026, no primeiro dia da guerra. O IRGC dirigiu-se diretamente ao povo jordano para argumentar que as bases americanas violam a soberania dos países anfitriões, uma vez que estão fora do controlo das autoridades locais e são usadas para lançar operações contra o Irão. “É a América que viola a vossa integridade territorial, não nós”, lê-se no comunicado, que classifica os alvos como “territórios ocupados pelo exército americano”. Washington, por seu lado, justifica a campanha de bombardeamentos como necessária para “reduzir a capacidade do Irão de atacar marinheiros civis e navios comerciais” no Estreito de Ormuz, e acusa o IRGC de ter iniciado as hostilidades com ataques a embarcações naquela via marítima.
A escalada, que analistas em Moscovo descrevem como a mais grave desde a invasão do Iraque em 2003, alastrou a vários países do Golfo Pérsico que albergam forças americanas — incluindo Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita — e a Israel, alvo de ataques massivos do IRGC em março passado. Observadores em Brasília sublinham o risco de disrupção do fornecimento global de energia e de um conflito regional alargado, enquanto círculos diplomáticos em Lisboa manifestam preocupação com o custo humanitário e com o colapso do Memorando de Entendimento de Islamabade, acordo de cessar-fogo de 60 dias assinado em junho de 2026. Ambas as partes se acusam mutuamente de violar a trégua: os EUA notificaram o Congresso da retoma das hostilidades, e o Irão insiste que os seus ataques são “direito legal, religioso e lógico” de resposta à agressão.
O conflito atual teve início com uma operação militar conjunta dos EUA e de Israel contra o Irão em 28 de fevereiro de 2026, que atingiu instalações nucleares e infraestruturas militares em cidades como Teerão e Isfahan. Desde então, o ciclo de retaliações mútuas intensificou-se, com o Irão a visar sistematicamente bases americanas na região. O dossiê diplomático permanece bloqueado: não há qualquer iniciativa de mediação ativa e as partes rejeitam negociações sob as condições atuais. A continuação dos ataques noturnos americanos e das contrarrespostas iranianas é o próximo passo factual esperado, enquanto a comunidade internacional se limita a apelos por contenção.
| Imprensa iraniana e afins | +1.00 | aligned |
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| Imprensa russa e CEI | 0.00 | neutral |
| Imprensa indiana e sul-asiática | 0.00 | neutral |
Os Guardiões da Revolução falam em nome do Irã, reivindicando o direito legal e moral de punir o exército americano assassino de crianças.
A narrativa moraliza a ofensiva, apresentando o ataque como um castigo justo e proporcional, não como agressão.
Omite o contexto dos ataques americanos anteriores e concomitantes ao Irã, que justificariam uma leitura simétrica da escalada.
A Rússia relata as reivindicações iranianas e as contramedidas dos EUA, mantendo uma posição de observador informado.
A técnica de equilibrar fontes cria uma impressão de objetividade, enquanto a inclusão de ações dos EUA sugere simetria no conflito.
Omite a caracterização moral do ataque iraniano, reduzindo a narrativa a uma crônica de eventos.
A Índia relata a reivindicação iraniana sem comentários, adotando um tom de crônica jornalística distante.
A abstenção avaliativa evita tomar partido, apresentando a notícia como uma mera afirmação não verificada.
Omite qualquer contexto de escalada ou ações dos EUA, isolando a reivindicação do quadro mais amplo.
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