
Irã cai no Mundial 2026 com empate agónico entre Áustria e Argélia
Seleção iraniana deixa o torneio invicta, mas com três empates e fortes queixas de tratamento injusto devido a restrições de viagem impostas pelos Estados Unidos.
A eliminação do Irã da Copa do Mundo de 2026 consumou-se de forma cruel, num desfecho que só se definiu no último lance da fase de grupos. A equipa asiática dependia de um vencedor no duelo entre Áustria e Argélia, em Kansas City, para avançar como um dos oito melhores terceiros colocados. Aos 90+3 minutos, um golo de Mahrez colocou a Argélia em vantagem por 3-2 e, por instantes, carimbou a classificação iraniana. Contudo, na jogada seguinte, Kalajdzic cabeceou para o empate austríaco (3-3), resultado que eliminou o Irã por diferença de golos, apesar de a seleção ter terminado a competição sem derrotas.
A campanha do Team Melli no Grupo G foi pautada por três empates: 0-0 com a Bélgica, 2-2 com a Nova Zelândia e 1-1 com o Egito. Neste último jogo, em Seattle, um golo de Khalilzadeh nos descontos foi anulado pelo VAR por um fora de jogo milimétrico — a decisão recaiu sobre a posição de um dedo do pé — e Taremi desperdiçou uma grande penalidade. Ainda assim, o Irã manteve-se vivo até ao apito final da jornada de sábado, quando a conjugação de resultados noutros grupos lhe foi adversa: a Croácia venceu o Gana, a RD Congo bateu o Uzbequistão e, por fim, o empate entre austríacos e argelinos selou o destino iraniano.
Fora das quatro linhas, a participação iraniana foi fortemente condicionada pelo conflito militar entre o Irã e os Estados Unidos, um dos países anfitriões. A base de estágio prevista para Tucson, no Arizona, foi transferida para Tijuana, no México, depois de o governo norte-americano ter negado vistos a vários membros da comitiva. Durante o torneio, a equipa só podia entrar nos EUA na véspera de cada partida e era obrigada a regressar ao México imediatamente após o apito final, um regime que só foi ligeiramente flexibilizado antes do jogo com o Egito. O capitão Mehdi Taremi classificou o Mundial como “um desastre” e acusou a FIFA de não resolver os problemas, enquanto o selecionador Amir Ghalenoei descreveu o Irã como “a equipa mais oprimida de toda a Copa”.
Na imprensa iraniana, a eliminação foi recebida com acusações de “conspiração” e pedidos de investigação ao jogo Áustria-Argélia, que alguns veículos compararam ao “Jogo da Vergonha” de 1982. Já em Tijuana, a relação com a população local tornou-se um capítulo à parte: os jogadores deixaram mensagens de agradecimento nos balneários e nas redes sociais, e o defesa Ramin Rezaeian publicou um vídeo em lágrimas, lamentando a falta de sorte. “A amizade não precisa de tradução”, escreveu a federação iraniana, num gesto que ecoou com particular intensidade na América Latina. Observadores em Lisboa e no Rio de Janeiro notam que, desportivamente, o Irã sai de cabeça erguida, mas a sucessão de obstáculos extrafutebolísticos mancha a imagem do torneio.
Com a eliminação, o Irã regressou a casa a partir de Tijuana na segunda-feira, enquanto Bélgica e Egito seguem para os dezasseis-avos de final como representantes do Grupo G. A Áustria, que beneficiou do empate dramático, enfrentará a Espanha em Los Angeles, e a Argélia medirá forças com a Suíça em Vancouver. O desfecho relança o debate sobre a capacidade da FIFA de garantir condições equitativas quando tensões geopolíticas interferem no calendário desportivo.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O Irã sai da Copa do Mundo invicto, mas o empate entre Áustria e Argélia o elimina. O foco está no resultado da partida e nas estatísticas do grupo, com tom neutro e analítico.
O Irã sai da Copa do Mundo invicto, mas sua eliminação é lida à luz das tensões geopolíticas com os Estados Unidos. O evento esportivo torna-se um pretexto para discutir o isolamento internacional do país.
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