
Irã anuncia taxas no Estreito de Ormuz e prevê tratamento especial a aliados
Após acordo inicial com os EUA, Teerã cobrará ‘taxas de serviço’ pela passagem de navios e diferencia países que o apoiaram, mas Washington rejeita a medida e as negociações seguem travadas.
O Irã confirmou neste sábado (4 de julho) que passará a cobrar taxas de serviço a todos os navios que transitarem pelo Estreito de Ormuz, embora assegure que os países classificados como “amigos” receberão tratamento especial. A declaração foi feita pelo embaixador iraniano em Pequim, Abdolreza Rahmani Fazli, durante o Fórum Mundial da Paz, e ocorre duas semanas após a assinatura de um memorando de entendimento com os Estados Unidos que estabeleceu um período de 60 dias de trânsito gratuito. Segundo o diplomata, a cobrança é necessária para garantir a segurança da passagem, supervisionar o tráfego e gerir as consequências ambientais do elevado número de embarcações, mas não constitui um “pedágio”.
A posição de Teerã reacende a disputa sobre o controle do estratégico canal por onde transita um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito do mundo. O governo iraniano sustenta que o estreito está integrado às suas águas territoriais e que as novas taxas são um direito soberano, enquanto Washington as rejeita formalmente. Paralelamente, o Irã advertiu a França e o Reino Unido de que qualquer operação de desminagem na zona deve ser conduzida exclusivamente por suas forças, afastando a iniciativa europeia de restabelecer a livre navegação. Em Bruxelas, analistas avaliam que a imposição unilateral de encargos pode colidir com o direito marítimo internacional, e nota-se que Omã — corresponsável pela segurança aquela área — coopera com Teerã em novos arranjos, mas também mantém acordos com potências ocidentais.
Os efeitos da incerteza já são visíveis no terreno: dados das empresas de rastreamento marítimo indicam que pelo menos oito navios tentaram cruzar o estreito nas últimas 72 horas e recuaram ou desviaram, e o tráfego total permanece muito abaixo dos níveis anteriores ao conflito. Cerca de 600 embarcações e 11 mil tripulantes continuam retidos, segundo a Organização Marítima Internacional (IMO), cuja tentativa de abrir um corredor de saída foi suspensa após ataques iranianos. A indefinição sobre as taxas e a falta de garantias de passagem segura elevam os custos logísticos e pressionam os já voláteis mercados globais de energia, com reflexos diretos nos preços dos combustíveis em economias importadoras, incluindo o Brasil e os países lusófonos africanos.
O impasse atual decorre e do frágil acordo de 17 de junho, que congelou as hostilidades iniciadas em 28 de fevereiro com a ofensiva conjunta de Israel e dos EUA contra o Irã. O memorando previa liberação de fundos iranianos congelados e o início da desminagem do estreito, mas fontes diplomáticas em Doha relatam que as negociações desta semana terminaram sem progressos em nenhum dos dois pontos. Enquanto o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, promete um alívio económico com a chegada de divisas estrangeiras, setores das Guardas Revolucionárias defendem manter o controlo total sobre o canal, mesmo ao preço de sacrificar os ativos financeiros no exterior. Na expectativa de um novo ciclo de conversações, o destino do estreito continua subordinado a um jogo de força entre as facções internas do regime e a pressão externa.
| Imprensa europeia continental | −0.60 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
| Imprensa chinesa | +0.10 | neutral |
Iran risks everything by not ceding control of Hormuz, breaking the deal with the US and hopes for sanctions relief.
The bloc emphasizes high stakes and taboo-breaking, portraying Iranian intransigence as a direct threat to regional stability and Western interests.
It omits the recovery of tanker traffic and the special conditions for 'friendly' countries announced by Iran.
Tanker traffic is recovering, with vessels taking routes near Oman and towards Iran.
The bloc limits itself to describing observable facts and numerical data, avoiding interpretations or judgments.
It does not mention Iran's announcement of paid transits and special conditions, nor long-term strategic implications.
Iran's control over the Strait remains firm, while negotiations with the US are deadlocked.
The bloc adopts an analytical tone, assessing both sides' positions and highlighting the lack of concrete progress.
It does not cover the tanker U-turns or the traffic recovery observed by Atlantic sources.
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