
Infraestrutura de IA e novos modelos de remuneração redefinem negócios, enquanto Suécia aperta crédito ao consumo
Empresas adaptam-se à exigência de armazenamento e computação para inteligência artificial, consultoras partilham riscos com clientes, e novas regras de crédito online entram em vigor em 2026.
A adoção da inteligência artificial generativa está a pressionar as infraestruturas tecnológicas das empresas, com a procura por capacidade de armazenamento e processamento a crescer a um ritmo que ultrapassa a simples atualização de servidores. Dados da Seagate indicam que o volume global de informação deverá atingir 527 zettabytes em 2029, e inquéritos do setor mostram que quase dois terços das empresas preveem duplicar as suas necessidades de armazenamento na nuvem nos próximos três anos. A transição de projetos-piloto para sistemas de produção exige ambientes dimensionados para cargas de trabalho de IA, equilibrando capacidade de GPU, latência de rede e eficiência energética. No setor tecnológico asiático, sublinha-se que a vantagem competitiva já não reside apenas na potência de cálculo, mas na capacidade de gerir o valor dos dados ao longo do seu ciclo de vida, com soluções como a plataforma Mozaic 4+ a prometer ganhos de eficiência de infraestrutura na ordem dos 47% em implantações de grande escala.
Esta transformação está a alterar também o modelo de negócio das consultoras. Em resposta à incerteza sobre o retorno dos investimentos em IA, clientes nos Estados Unidos e na Europa exigem que firmas como BCG, Accenture e McKinsey partilhem o risco, migrando de honorários fixos para acordos baseados em resultados. Cerca de três quartos dos maiores projetos de IA da BCG já operam com remuneração variável, enquanto a Accenture adapta contratos em áreas específicas. A pressão, segundo responsáveis do setor, decorre da natureza mutável da tecnologia e do risco elevado das transformações. Para as consultoras, isto implica repensar a economia tradicional dos projetos: equipas mais pequenas e capacitadas por IA podem entregar o mesmo trabalho em menos tempo, o que leva os clientes a esperar reduções de preço.
No norte da Europa, a Finansinspektionen sueca propôs novas orientações para o crédito ao consumo online, que entrarão em vigor a 20 de novembro de 2026. As regras, que decorrem da diretiva europeia sobre crédito aos consumidores, obrigam as empresas a recolher informações detalhadas sobre rendimentos, despesas e endividamento dos clientes antes de concederem qualquer crédito, incluindo compras de pequeno montante e sem juros. A associação setorial Swefintech alerta que a ausência de um registo nacional de dívidas na Suécia dificulta a obtenção desses dados, e que a medida poderá excluir consumidores com baixos rendimentos ou pensões reduzidas. A autoridade de supervisão reconhece que poderão ser aprovados menos créditos, mas considera a restrição justificada para prevenir o sobre-endividamento.
Para os países lusófonos, os desenvolvimentos trazem leituras distintas. Em Portugal, a transposição da mesma diretiva europeia deverá impor exigências semelhantes às instituições de crédito, num contexto em que o endividamento das famílias permanece uma preocupação. No Brasil, onde o crédito digital e as fintechs têm crescido rapidamente, o debate sobre a partilha de dados e a prevenção do superendividamento ganha relevância, embora o quadro regulatório seja diferente. Já no campo da infraestrutura de IA, empresas brasileiras e portuguesas enfrentam o mesmo desafio de dimensionar os seus ambientes tecnológicos para suportar a nova geração de aplicações, com a necessidade de investimentos em armazenamento e computação que não comprometam a eficiência operacional.
O próximo marco factual será a entrada em vigor das novas regras suecas em novembro de 2026, enquanto a adoção de modelos de remuneração variável nas consultoras e os investimentos em infraestrutura de IA continuarão a evoluir ao longo dos próximos trimestres, sem um ponto único de viragem.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A IA passou rapidamente de experimento a tecnologia crítica para os negócios em todos os setores. Os ambientes de servidores tradicionais não são construídos para cargas de trabalho de IA, então a infraestrutura agora determina quais empresas terão sucesso. Empresas de finanças, indústria e setor público estão investindo pesadamente para se atualizar.
Na era da IA, o verdadeiro desafio não é o poder de computação, mas gerenciar o valor dos dados. A infraestrutura de armazenamento tornou-se a base crítica, exigindo maior eficiência, menor consumo de energia e melhor gestão de custos. A concorrência está mudando da computação bruta para a gestão inteligente de dados.
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