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Economia e Mercadossábado, 11 de julho de 2026

Inflação abaixo do esperado no Brasil impulsiona Bolsa e reforça aposta em corte de juros

O IPCA de junho subiu apenas 0,16%, metade do previsto, levando o Ibovespa a disparar 2,97% e as taxas futuras a recuarem, enquanto cresce a probabilidade de redução da Selic em agosto.

O índice oficial de inflação brasileiro registou em junho a menor variação mensal desde outubro, ao subir 0,16%, muito abaixo da mediana das projeções de mercado (0,31%). O dado, divulgado na sexta-feira, fez o Ibovespa encerrar com alta de 2,97%, a maior num único dia desde março, atingindo os 177.866 pontos, o patamar mais elevado desde meados de maio. O dólar à vista cedeu 0,31%, para R$ 5,108, e as taxas dos contratos de DI recuaram cerca de 20 pontos-base nos vencimentos mais longos, refletindo a imediata reavaliação das expectativas para a política monetária.

A composição do IPCA revelou uma desaceleração disseminada. Os preços da alimentação no domicílio caíram 0,39%, com recuos expressivos no café, nas frutas e nas carnes, enquanto a inflação de serviços subjacentes, métrica acompanhada de perto pelo Banco Central, passou de 0,40% para 0,22%, segundo cálculos da Suno Research. Apesar do alívio, o acumulado em doze meses permaneceu em 4,64%, acima do teto da meta de 4,5%, e a habitação continuou a pressionar, com a energia elétrica em alta. A leitura geral, porém, fortaleceu a perceção de que o Comité de Política Monetária (Copom) tem espaço para retomar o ciclo de cortes.

Na perspetiva de analistas em São Paulo, o resultado retira pressão de curto prazo e torna “certo” um corte de 25 pontos-base na reunião de 5 de agosto, como afirmou José Faria Júnior, da Wagner Investimentos. A precificação no mercado de opções da B3 saltou de 27,5% para mais de 80% de probabilidade de redução da Selic, atualmente em 14,25%. Contudo, economistas alertam para riscos que podem interromper a trajetória: a chegada do El Niño tende a pressionar os alimentos entre agosto e setembro, a retomada do conflito entre Estados Unidos e Irão mantém o petróleo volátil — o Brent caiu 0,38% no dia, mas acumulou alta de 5,39% na semana — e as medidas de estímulo fiscal do governo Lula ainda não se refletiram plenamente nos preços.

Enquanto o mercado brasileiro reagia à dinâmica doméstica, outras praças emergentes apresentaram movimentos distintos. Na Índia, o Sensex subiu 1,1% na sexta-feira impulsionado pelo setor de tecnologia, mas encerrou a semana com perda marginal de 0,3%, num ambiente de volatilidade geopolítica. Já a Indonésia viu o IHSG acumular ganho de 0,83% na semana, com volume financeiro em alta. O real beneficiou-se ainda do apetite global por risco, apesar das tensões no Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial. O próximo marco factual será a decisão do Copom em agosto, que dependerá dos indicadores de atividade e inflação até lá, num contexto em que o Banco Central projeta a inflação ainda acima do teto em 2026.

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sábado, 11 de julho de 2026

Inflação abaixo do esperado no Brasil impulsiona Bolsa e reforça aposta em corte de juros

O IPCA de junho subiu apenas 0,16%, metade do previsto, levando o Ibovespa a disparar 2,97% e as taxas futuras a recuarem, enquanto cresce a probabilidade de redução da Selic em agosto.

O índice oficial de inflação brasileiro registou em junho a menor variação mensal desde outubro, ao subir 0,16%, muito abaixo da mediana das projeções de mercado (0,31%). O dado, divulgado na sexta-feira, fez o Ibovespa encerrar com alta de 2,97%, a maior num único dia desde março, atingindo os 177.866 pontos, o patamar mais elevado desde meados de maio. O dólar à vista cedeu 0,31%, para R$ 5,108, e as taxas dos contratos de DI recuaram cerca de 20 pontos-base nos vencimentos mais longos, refletindo a imediata reavaliação das expectativas para a política monetária.

A composição do IPCA revelou uma desaceleração disseminada. Os preços da alimentação no domicílio caíram 0,39%, com recuos expressivos no café, nas frutas e nas carnes, enquanto a inflação de serviços subjacentes, métrica acompanhada de perto pelo Banco Central, passou de 0,40% para 0,22%, segundo cálculos da Suno Research. Apesar do alívio, o acumulado em doze meses permaneceu em 4,64%, acima do teto da meta de 4,5%, e a habitação continuou a pressionar, com a energia elétrica em alta. A leitura geral, porém, fortaleceu a perceção de que o Comité de Política Monetária (Copom) tem espaço para retomar o ciclo de cortes.

Na perspetiva de analistas em São Paulo, o resultado retira pressão de curto prazo e torna “certo” um corte de 25 pontos-base na reunião de 5 de agosto, como afirmou José Faria Júnior, da Wagner Investimentos. A precificação no mercado de opções da B3 saltou de 27,5% para mais de 80% de probabilidade de redução da Selic, atualmente em 14,25%. Contudo, economistas alertam para riscos que podem interromper a trajetória: a chegada do El Niño tende a pressionar os alimentos entre agosto e setembro, a retomada do conflito entre Estados Unidos e Irão mantém o petróleo volátil — o Brent caiu 0,38% no dia, mas acumulou alta de 5,39% na semana — e as medidas de estímulo fiscal do governo Lula ainda não se refletiram plenamente nos preços.

Enquanto o mercado brasileiro reagia à dinâmica doméstica, outras praças emergentes apresentaram movimentos distintos. Na Índia, o Sensex subiu 1,1% na sexta-feira impulsionado pelo setor de tecnologia, mas encerrou a semana com perda marginal de 0,3%, num ambiente de volatilidade geopolítica. Já a Indonésia viu o IHSG acumular ganho de 0,83% na semana, com volume financeiro em alta. O real beneficiou-se ainda do apetite global por risco, apesar das tensões no Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial. O próximo marco factual será a decisão do Copom em agosto, que dependerá dos indicadores de atividade e inflação até lá, num contexto em que o Banco Central projeta a inflação ainda acima do teto em 2026.

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