
Índia aprova megacompra militar de 52 mil milhões de rupias e estreita aliança com Japão
Decisão do Conselho de Aquisições de Defesa inclui mísseis, drones kamikaze e sistemas antiaéreos, enquanto parceria com Tóquio avança na coprodução do sistema naval UNICORN e provoca reação de Pequim.
O Conselho de Aquisições de Defesa (DAC) da Índia aprovou, a 3 de julho, propostas de aquisição de equipamento militar no valor de cerca de 52 mil milhões de rupias (aproximadamente 5,5 mil milhões de dólares), segundo comunicado do Ministério da Defesa indiano. O pacote inclui o sistema de guerra eletrónica anti-drones Akash Tarang, mísseis anticarro portáteis MP-ATGM, mísseis terra-ar de médio alcance MRSAM, sistemas de defesa aérea de muito curto alcance V-SHORADS, drones kamikaze a jato e minas navais de influência múltipla, entre outros. A decisão surge num contexto em que Nova Deli procura reduzir a dependência histórica da Rússia como principal fornecedor militar, diversificando parcerias com os Estados Unidos e a França, e acelerar a modernização das forças armadas após o conflito de quatro dias com o Paquistão no ano passado, que expôs vulnerabilidades operacionais.
Em paralelo, a visita da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi a Nova Deli, concluída no mesmo dia, consolidou uma nova fase da cooperação estratégica bilateral. Os dois governos anunciaram a coprodução do sistema naval integrado de antenas UNICORN, desenvolvido pela NEC Corporation e destinado a fragatas de ambos os países, num marco do afrouxamento das restrições japonesas à exportação de tecnologia de defesa. A declaração conjunta expressou ainda “séria preocupação” com a situação nos mares da China Oriental e Meridional e oposição a ações unilaterais que alterem o status quo pela força. Para assinalar os 75 anos de relações diplomáticas em 2027, foi lançado o programa “Índia-Japão: Horizontes Partilhados”, com iniciativas que vão do críquete ao anime, reforçando a dimensão cultural da parceria.
A aproximação entre Nova Deli e Tóquio suscitou uma reação imediata de Pequim. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, afirmou que a cooperação entre países “não deve visar terceiros nem prejudicar os seus interesses”, alertando contra a formação de “grupos exclusivos” que fomentem a divisão e o confronto. A tensão sino-japonesa agravou-se desde que Takaichi sugeriu, em novembro de 2025, uma possível intervenção militar em defesa de Taiwan, levando a China a restringir o fornecimento de terras raras ao Japão. Na perspetiva de analistas em Pequim, a parceria Índia-Japão em minerais críticos e cadeias de abastecimento é interpretada como um movimento para contornar a dependência chinesa. Ao mesmo tempo, Nova Deli acompanha com atenção a visita do primeiro-ministro do Bangladesh, Tareq Rahman, à China, onde foi discutida a criação de um corredor económico através de Mianmar e a possível compra de caças J-10C, segundo fontes diplomáticas indianas.
O movimento indiano insere-se numa tendência global de reforço das capacidades militares. Na Europa, o Ministério da Defesa espanhol confirmou a aquisição de seis aviões de transporte A400M, elevando a frota para vinte aeronaves e ilustrando a prioridade dada à projeção estratégica. Para a Índia, as aprovações do DAC representam a primeira etapa de um processo que exigirá a negociação de contratos e a definição de prazos de entrega, ainda não especificados. O governo de Narendra Modi mantém a aposta na produção doméstica, mas não exclui importações para acelerar a prontidão operacional. A próxima fase incluirá a emissão de pedidos de proposta e a avaliação técnica das plataformas, enquanto a cooperação com o Japão deverá avançar com a assinatura de acordos de implementação nos próximos meses.
| Imprensa indiana e sul-asiática | +0.60 | aligned |
|---|---|---|
| Imprensa do Golfo árabe | 0.00 | neutral |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.20 | neutral |
India reaffirms its strategic autonomy and rejects Chinese interference.
Presents cooperation with Japan as a sovereign choice and not as a bloc, downplaying the Chinese warning.
The Gulf observes with detachment, assessing implications for its own security.
Adopts a neutral and descriptive tone, avoiding taking sides.
The Arab world warns against the logic of blocs, mindful of its own experiences.
Uses regional historical experience to legitimize the Chinese concern.
Amplie o olhar
Aeroporto de Palm Beach adota nome de Trump e acentua debate sobre honrarias a líderes vivos
7 idiomas · 22 veículos
De Economy & MarketsReceitas fiscais disparam em economias emergentes, mas trajetória da dívida segue como ponto de atenção
4 idiomas · 10 veículos
De TechnologyOpenAI lança GPT-5.6 após revisão de Washington e aquece disputa por IPO
7 idiomas · 12 veículos