
Atentados em Damasco matam 10 e expõem fragilidade da segurança na Síria pós-Assad
Explosão em café e ataque a posto de controle em 24 horas revelam desafios do novo governo para conter células extremistas e garantir estabilidade.
A explosão de uma bomba artesanal num café próximo ao Palácio da Justiça, no centro de Damasco, na quinta-feira, causou a morte de dez civis e feriu outros 21, no atentado mais letal na capital síria desde junho de 2025. O artefato, com cerca de um quilograma e carregado de estilhaços metálicos, foi detonado num estabelecimento frequentado por advogados, num bairro habitualmente movimentado. Nenhum grupo reivindicou a autoria até ao momento, e as autoridades sírias abriram uma investigação, recolhendo provas e analisando imagens de videovigilância.
Menos de 24 horas depois, na manhã de sexta-feira, um homem numa motorizada atacou um posto de controlo das forças de segurança na entrada de Jaramana, subúrbio de Damasco. Segundo o Ministério do Interior sírio, o indivíduo lançou duas granadas de mão contra os agentes, ferindo três, e tentou arremessar uma terceira, que explodiu na sua mão, matando-o. A vítima foi identificada como Daniel Riad Daoud, procurado por homicídio e tráfico de droga. Um cúmplice que o acompanhava foi detido. O episódio ocorreu na zona de Kachkoul, no sul da capital, e foi confirmado por fontes oficiais e relatos de residentes.
O Ministério do Interior classificou o atentado no café como “ato terrorista” e prometeu perseguir os responsáveis, apelando à população para não se deixar levar por boatos e aguardar informações pelos canais oficiais. Durante o funeral de três das vítimas, no bairro de Midan, um familiar apelou às forças de segurança para “controlar o país com mão de ferro”. A condenação internacional foi generalizada, com declarações de solidariedade de capitais árabes e ocidentais. Em Lisboa, fontes diplomáticas europeias sublinharam que a persistência da violência compromete os esforços de reconstrução apoiados pela União Europeia. O Itamaraty, em Brasília, ainda não se pronunciou, mas diplomatas brasileiros acompanham a situação com preocupação, dado o histórico de acolhimento de refugiados sírios pelo Brasil.
Desde que uma coligação islamista derrubou o regime de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024, o novo governo tem enfrentado dificuldades para impor a sua autoridade em todo o território e conter grupos extremistas. Células adormecidas do Estado Islâmico (EI) continuam ativas, reivindicando atentados contra minorias religiosas, como o ataque a uma igreja em junho de 2025 que matou 25 pessoas. A Síria integrou no ano passado a coligação internacional contra o EI, liderada pelos Estados Unidos, mas os recentes incidentes indicam que a ameaça jihadista permanece ativa. As investigações aos dois ataques prosseguem, e as autoridades prometem divulgar resultados em breve, enquanto a comunidade internacional, incluindo os países lusófonos, reitera a necessidade de estabilização para permitir o regresso de refugiados e a reconstrução do país.
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No voice: the bloc does not address the story.
The absence of coverage is itself an editorial choice that excludes the event from its information horizon.
Any mention of the Damascus attacks is missing, while other events are extensively covered.
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