
Impasse grego trava 21.º pacote de sanções da UE contra Moscovo
Atenas bloqueia novas medidas para proteger a armadora Dynagas, enquanto outros Estados-membros pedem exceções e o Kremlin avisa que futuras sanções terão impacto direto sobre os europeus.
Os embaixadores dos 27 Estados-membros da União Europeia não conseguiram chegar a acordo sobre o 21.º pacote de sanções contra a Rússia, numa reunião do Comité de Representantes Permanentes (Coreper) realizada esta quarta-feira em Bruxelas. O principal obstáculo, segundo diplomatas europeus, é a exigência da Grécia de que seja retirada ou adiada a proibição de empresas da UE transportarem gás natural liquefeito (GNL) russo para países terceiros. Atenas argumenta que a medida, prevista para entrar em vigor em janeiro de 2027, inviabilizaria a operação da armadora Dynagas, cujos navios quebra-gelo da classe Arc7 são os únicos capazes de escoar a produção do projeto Yamal LNG, no Ártico siberiano. O setor naval representa cerca de 7% do PIB grego e controla 60% da frota mercante comunitária, o que, na perspetiva de Atenas, torna a salvaguarda da Dynagas uma questão de interesse nacional.
Além da objeção grega, outras capitais apresentaram reservas a diferentes componentes do pacote. A Bulgária conseguiu evitar a inclusão do patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Cirilo, na lista de congelamento de bens e proibição de vistos. A Alemanha e Portugal manifestaram-se contra restrições à importação de pescado, em particular do escamudo-do-alasca, utilizado em refeições infantis. França e Itália pediram o abrandamento das limitações à concessão de vistos a militares russos, enquanto a Áustria reivindicou a libertação de ativos russos congelados no valor de dois mil milhões de euros. Perante a multiplicação de pedidos de derrogação, diplomatas em Bruxelas alertam para o risco de erosão da eficácia e da coesão do regime sancionatório. Uma proposta de compromisso, noticiada pelo Financial Times, permitiria às empresas europeias continuar a transportar GNL russo para fora da UE durante mais um ano, com volumes limitados aos níveis de 2025.
O impasse surge num momento em que, segundo o deputado francês ao Parlamento Europeu Thierry Mariani, a vontade política para grandes pacotes de sanções se esgotou. Mariani afirmou que “seis países, e não dos menos importantes, dizem abertamente que os custos já não compensam” e que o anterior modelo “entrou num beco sem saída”. A presidência irlandesa do Conselho da UE convocou nova reunião do Coreper para a manhã de quinta-feira, na esperança de destravar o dossiê antes do fim do prazo temporário que mantém o teto do preço do petróleo russo nos 44,1 dólares por barril. Esse limite, cujo congelamento foi prolongado por uma semana para dar espaço às negociações, expira a 23 de julho; sem acordo, o teto subiria automaticamente, enfraquecendo um dos principais instrumentos de pressão económica sobre Moscovo.
Paralelamente, o agravamento das tensões militares acrescenta pressão ao debate. O Reino Unido, a França e outros países europeus planeiam realizar exercícios militares na Polónia no outono, como preparação para um eventual destacamento de forças na Ucrânia após um cessar-fogo. Analistas russos, citados pela imprensa internacional, advertiram que Moscovo poderá responder com ataques de precisão de longo alcance junto às fronteiras da Polónia e da Eslováquia. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, declarou à agência TASS que a Rússia considera ilegais todas as sanções da UE e que, a partir de agora, “os danos de qualquer alargamento das sanções recairão de forma direta e em larga escala sobre os países europeus”. A próxima ronda negocial em Bruxelas testará, assim, a capacidade do bloco de conciliar interesses económicos nacionais com a manutenção de uma frente comum face a Moscovo.
| Imprensa russa e CEI | −0.80 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | 0.00 | neutral |
| Imprensa do Sudeste Asiático | 0.00 | neutral |
Russia denounces EU sanctions as illegal and self-harming, and highlights the bloc's impotence in the face of internal divisions.
Russian rhetoric uses the metaphor of 'madness' to delegitimize sanctions, and cites national resistance as proof of the failure of the European strategy.
The context of Russia's invasion of Ukraine as the cause of sanctions is omitted, as is the support of the majority of EU states for the measures.
The EU seeks a technical compromise to approve the 21st package, but Greece blocks measures on LNG and the oil price cap.
The account focuses on deadlines and procedural obstacles, presenting sanctions as a matter of negotiation between national interests, not as a geopolitical confrontation.
The role of Russia as aggressor and the moral dimension of sanctions are omitted, reducing the issue to a problem of internal coordination.
Six EU countries oppose new sanctions, demanding exceptions; European unity is in question.
The article lists exemption requests without delving into motivations, creating the impression of a fragmented and indecisive bloc.
The context of the Russian invasion and the position of the majority of EU countries in favor of sanctions are omitted, emphasizing only the dissenting voices.
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