
Handebol readmite Rússia com bandeira e hino, enquanto UE corta fundos à Bienal de Veneza
IHF torna-se a 13ª federação a levantar todas as restrições, mas Comissão Europeia recomenda anular subsídio de 2 milhões de euros e estuda sanções financeiras ao desporto.
A Federação Internacional de Handebol (IHF) abriu as portas para o regresso pleno da Rússia e da Bielorrússia às competições sob a sua égide, autorizando o uso de bandeiras e hinos nacionais. A decisão, anunciada pelo Conselho da IHF e com efeito imediato, revoga o veto imposto a 4 de março de 2022 e abrange atletas, equipas, árbitros, dirigentes e especialistas. Na perspetiva de Moscovo, o ministro do Desporto, Mikhail Degtiariov, celebrou o que classificou como uma “aceleração significativa” do processo de reintegração, sublinhando que o handebol se junta a outras doze federações internacionais que já removeram todas as barreiras.
O movimento surge na esteira das recomendações atualizadas do Comité Olímpico Internacional (COI), que em julho suspendeu temporariamente a suspensão do Comité Olímpico Russo e retirou as condições de participação que exigiam neutralidade. A IHF, que já havia readmitido seleções jovens em março, justificou a medida com a necessidade de alinhamento com o COI e garantiu que o regresso será acompanhado de controlos antidoping em colaboração com a Agência Internacional de Testes (ITA), sem impor critérios adicionais. Observadores em Bruxelas notam, porém, que a decisão se insere numa vaga mais ampla: federações de ginástica, desportos aquáticos, judo, taekwondo e halterofilismo também normalizaram a participação russa nos últimos meses.
Enquanto o universo desportivo se divide, a Comissão Europeia endurece o discurso e os instrumentos financeiros. Esta semana, o executivo comunitário recomendou formalmente a anulação de um subsídio de dois milhões de euros à Bienal de Veneza, depois de a organização ter reaberto o pavilhão nacional russo pela primeira vez desde 2022. O porta-voz da Comissão, Thomas Regnier, foi taxativo: “Nenhum cêntimo do dinheiro dos contribuintes irá para qualquer iniciativa que envolva a Rússia.” A vice-presidente executiva Henna Virkkunen já havia advertido que a participação russa poderia violar o regime de sanções da UE, e a recomendação de anulação do contrato surge após a Bienal ter respondido a três cartas de Bruxelas sem convencer as autoridades europeias.
A ofensiva financeira não se limita à cultura. Nove Estados-membros — Estónia, Dinamarca, Finlândia, Letónia, Lituânia, Países Baixos, Polónia, Roménia e Suécia — enviaram uma carta ao comissário europeu Glenn Micallef pedindo que o COI e outras federações que readmitem russos sejam excluídos dos programas de financiamento da UE. A Comissão, contudo, esclareceu que não financia diretamente o COI, mas admitiu que irá “analisar a fundo” todas as vias pelas quais as organizações desportivas possam aceder a fundos europeus. A porta-voz Anna-Kaisa Ikonen sublinhou que a posição política de Bruxelas é clara: a Comissão não apoia a decisão do COI de permitir a participação russa no processo de qualificação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
O desfecho imediato no handebol aponta para um período de transição. A IHF reconheceu que a plena reintegração de equipas russas e bielorrussas pode exigir ajustamentos, mas manifestou “expectativa” pelo regresso e prometeu cooperação com todas as partes interessadas. Enquanto isso, a Bienal de Veneza ainda pode contestar judicialmente a perda do financiamento, mas o sinal político de Bruxelas já foi dado. A próxima etapa concreta será a decisão final da Agência Executiva Europeia para a Educação e a Cultura (Eacea), que gere o subsídio e deverá seguir a recomendação da Comissão, selando o corte de verbas e abrindo um precedente para futuras pressões financeiras sobre o desporto.
| Imprensa russa e CEI | +1.00 | aligned |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | 0.00 | neutral |
Russia fully returns to the handball world, and European threats are merely an attempt to hinder an irreversible process.
It emphasizes the legitimacy of the IHF decision and downplays European reactions as ineffective, creating a narrative of inevitable victory.
It omits European objections and the context of the war in Ukraine that led to sanctions.
The IHF decision is a technical step based on IOC recommendations, while the EU risks over-politicizing culture with cuts to the Biennale.
It separates the sports sphere (neutral) from the political sphere (criticizable), presenting reintegration as normal and EU threats as excessive.
It does not report the triumphant Russian reaction or the context of Russia's accelerated return to sport.
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