
Morte de goleiro palestino em Gaza eleva para mais de mil o número de atletas mortos no conflito
Saleem Al-Ashqar, de 32 anos, foi atingido por disparos do exército israelita quando tentava abastecer-se de gás; Federação Palestina contabiliza 1.009 desportistas mortos desde outubro de 2023.
A Federação Palestina de Futebol confirmou a morte de Saleem Al-Ashqar, goleiro de 32 anos do Khadamat Khan Younis, atingido por disparos de forças israelitas na localidade de Al-Qarara, no sul da Faixa de Gaza, na última segunda-feira (30/6). De acordo com relatos de fontes locais e da própria federação, o atleta dirigia-se de bicicleta a um posto de abastecimento de botijas de gás quando foi alvejado. Al-Ashqar casara-se há apenas cinco meses e a esposa está grávida do primeiro filho do casal. Era o único filho homem entre sete irmãs.
A morte do goleiro insere-se num quadro mais amplo de perdas no desporto palestiniano. A Federação Palestina de Futebol (PFA) informou que, com este caso, sobe para 1.009 o número de atletas, treinadores e profissionais do desporto mortos desde o início da ofensiva israelita em outubro de 2023, dos quais 567 pertencem à comunidade do futebol. A PFA caracteriza o conflito como uma “guerra de extermínio” e tem pressionado a FIFA a sancionar a Associação Israelita de Futebol, alegando que esta mantém clubes em colonatos nos territórios ocupados e que os seus dirigentes estariam ligados às ações militares.
A comoção extravasou as fronteiras do Médio Oriente. O Club Deportivo Palestino, da primeira divisão chilena e fundado por imigrantes palestinianos, emitiu uma nota em que se diz “destroçado” e exige “justiça e paz”. Na América do Sul, onde a diáspora palestiniana é numerosa, a morte de Al-Ashqar foi noticiada com destaque, contrastando com a atenção global voltada para o Mundial de Clubes da FIFA. Observadores em Santiago do Chile e em Brasília notam que o episódio reforça a visibilidade da causa palestiniana no subcontinente, onde clubes como o Palestino funcionam como embaixadores simbólicos.
A destruição de infraestruturas desportivas agrava o cenário. A PFA e o Comité Olímpico Palestiniano afirmam que mais de 250 instalações foram destruídas desde o início da guerra, inviabilizando a prática desportiva em Gaza. A queixa formal apresentada à FIFA em 2024 continua a tramitar, mas sem decisão até ao momento. A federação palestiniana espera que o congresso da entidade, previsto para o final do ano, possa debater sanções. Entretanto, o número de vítimas entre desportistas continua a crescer, enquanto as competições locais permanecem suspensas.
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.70 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | 0.00 | neutral |
The Arab world denounces the goalkeeper's killing as part of an Israeli strategy of annihilation. The figure of a thousand athletes killed becomes proof of a sports genocide, and immediate international action is demanded.
The bloc presents the victim as a symbol of violated innocence, using the number of athletes killed to amplify the scale of the tragedy and delegitimize the adversary.
Latin America records the fact as one figure among many in the Middle Eastern conflict. No moral judgments are expressed nor responsibilities assigned, maintaining a position of external observer.
The bloc reduces the event to a numerical data point, avoiding any moral judgment or political contextualization, thereby not engaging with the conflict.
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