
França e Itália planeiam coligação multinacional para suceder à UNIFIL no Líbano
Líderes anunciaram em Antibes uma força que evite o vazio de segurança após o fim do mandato da missão da ONU, previsto para 2026, e reafirmaram a cooperação bilateral.
A França e a Itália vão promover uma coligação multinacional destinada a substituir a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) quando o seu mandato expirar, em 31 de dezembro de 2026. O anúncio foi feito pelo presidente francês, Emmanuel Macron, e pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, no final da 36.ª cimeira intergovernamental entre os dois países, realizada em Antibes, na Costa Azul. Segundo fontes diplomáticas europeias, a iniciativa pretende evitar um “vazio de segurança extremamente perigoso” no sul do Líbano e reforçar a soberania do Estado libanês, num contexto de tensão persistente entre as milícias do Hezbollah, apoiadas pelo Irão, e Israel.
Na perspetiva de Paris e Roma, a nova força deverá ser coordenada com a União Europeia e as Nações Unidas, mas a sua composição, o quadro jurídico e o calendário de implementação ainda não foram definidos. A imprensa italiana notou que a ideia surge num momento de reaproximação entre os dois líderes, depois de anos de desconfianças mútuas, e que a coligação poderá envolver também parceiros regionais. Macron sublinhou que o objetivo é impedir que o território libanês se transforme num “trampolim para uma escalada regional”, enquanto Meloni insistiu na necessidade de garantir que o governo de Beirute detenha o monopólio do uso da força.
A cimeira serviu igualmente para Roma esclarecer a sua posição sobre a utilização de bases italianas em operações dos Estados Unidos contra o Irão. Meloni afirmou que a Itália não participou diretamente no conflito e que apenas foram autorizadas atividades logísticas e de reabastecimento, em conformidade com os acordos bilaterais. A primeira-ministra criticou as declarações do secretário-geral da NATO, Mark Rutte, classificando-as como uma “reconstrução entusiástica e confusa”, e revelou que o episódio obrigou o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano a telefonar ao seu homólogo iraniano para acalmar as reações de Teerão.
Analistas em Moscovo, citados pela imprensa russa, recordam que a UNIFIL está presente no sul do Líbano desde 1978 e que a sua missão foi alargada após a guerra de 2006, mas que a Resolução 1701 do Conselho de Segurança — que exige o desarmamento do Hezbollah e a sua retirada para norte do rio Litani — nunca foi integralmente cumprida. A decisão de criar uma força sucessora é vista por observadores em Lisboa como um sinal de que a Europa procura assumir maiores responsabilidades de segurança na vizinhança mediterrânica, num momento em que os Estados Unidos, sob a administração Trump, pressionaram pelo fim do mandato da UNIFIL e se distanciam de compromissos multilaterais.
O dossiê conhecerá os seus próximos passos com a organização de uma conferência internacional, a ser liderada por França e Itália, para discutir o enquadramento jurídico e o mandato da nova coligação. A votação no Conselho de Segurança sobre o futuro da UNIFIL está prevista para os próximos meses, mas a iniciativa franco-italiana já sinaliza a vontade de manter uma presença internacional no terreno, mesmo que sob um formato diferente do atual.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Iranian media report the agreement between Paris and Rome to form a multinational coalition to replace UNIFIL in Lebanon, but present it as a purely Western initiative without local input. The reporting is factual but implies skepticism about the motives behind the coalition.
The Franco-Italian summit is portrayed as a diplomatic breakthrough, highlighting the renewed partnership between Macron and Meloni. The coalition is framed as a necessary step to prevent a security vacuum in Lebanon, with emphasis on European leadership and stability.
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